sábado, 27 de outubro de 2012
Máximas roderiquianas (161 a 170)
Máximas roderiquianas (161) Se um mau-caráter opta por fazer de alguém que lhe lembra os erros cometidos um fantasma, deve tomar cuidado. Fantasmas arrastam grilhões e maldições, e assombram por toda uma eternidade.
Máximas roderiquianas (162) Filhos são, muitas vezes, embarcações. Nós os batizamos, colocamo-los para zarparem no oceano caudaloso da vida e assumimos o leme para dar-lhes um norte, embora outros imediatos e marinheiros eventualmente assumam o comando. Mas quando eles estão à deriva e colidem seriamente com os recifes, somos os últimos a abandoná-los.
Máximas roderiquianas (163) Certos instantâneos inesperados marcam a vida de uma forma inesquecível, pela estranheza, delícia e frescor. Mesmo que nunca mais se repitam (ainda que se deseje), estão gravados na alma, esculpidos na essência, eternizados no coração.
Máximas roderiquianas (164) Dizem que professores são exemplos. Ledo engano. O único exemplo a andar neste plano foi crucificado há quase dois mil anos. Essa história foi criada para que sejamos cordeiros dóceis, adaptáveis, medíocres. Somos normais, e nossa vocação e gosto pelo magistério não devem ser julgado por nossas falhas.
Máximas roderiquianas (165) A futilidade associada à tecnologia é péssima para a formação de ícones nos tempos modernos. São estátuas de sal. Desaparecem sob a primeira chuva.
Máximas roderiquianas (166) A tranquilidade reside na capacidade de equilibrar-se sobre a tensão de tentar fazer o melhor pelos outros e aguentar receber o pior em resposta.
Máximas roderiquianas (167) Teus dentes podem sorrir ou ferir; é tudo uma questão de escolha.
Máximas roderiquianas (168) A tranquilidade da inocência ou o furor pela injustiça nos emprestam um sorriso sob a lâmina do executor.
Máximas roderiquianas (169) Para aqueles que ficam bem na escuridão e no frio, é bom aproveitar o raro desejo de sentir o sol... As nuvens nunca tardam.
Máximas roderiquianas (170) Sonho com o dia em que os detratores do intelecto e do bom gosto, os corruptos e os mentirosos, todos esses sim, altamente nocivos para a saúde da nossa sociedade, sofram uma perseguição preconceituosa tão ostensiva e irritante quanto a que os fumantes recebem. Que os maus compositores e escritores, ao exporem seu trabalho, vejam o próximo colocar as mãos nos olhos e ouvidos em sinal de protesto; que se façam campanhas na televisão dizendo que está fora de moda ser corrupto; que se criem leis que tirem o direito de circulação livre de um mentiroso, de modo que ele só possa exercer sua mentira livremente dentro de sua casa.
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