quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Máximas 181 a 190


Máximas roderiquianas (181) O maior problema do mundo moderno não é a obesidade mórbida, mas o humor mórbido.

Máximas roderiquianas (182) A Arte não dá nenhuma resposta, mas todas as chances de se autoconhecer através das perguntas.

Máximas roderiquianas (183) Quando alguém de valor julga um defeito nosso, choramos, mas crescemos; quando alguém sem valores o faz, gargalhamos e nos agigantamos.

Máximas roderiquianas (184) Verdade crua encanta; mentira nua espanta.

Máximas roderiquianas (185) Ocupar a mente com Arte no lugar de alguém é fácil; preencher o coração com família e amigos, no lugar do amor, também; difícil é mostrar para o corpo e para a alma que não precisamos de carinho...

Máximas roderiquianas (186) O maior inimigo do equilíbrio social não é a ideia contrária, mas a neutralidade.

Máximas roderiquianas (187) Um sentimento não exposto, bom ou ruim, vale tanto quanto uma Bíblia que jamais sai da estante; cria poeira, traças e mofo.

Máximas roderiquianas (188) O suicida é como um condenado à forca que dispensa o padre e o carrasco.

Máximas roderiquianas (189) O Mistério só tem sentido quando se forma por si só. O mistério planejado se chama covardia.

Máximas roderiquianas (190) O conhecimento cura; a ignorância curra.

Um poema



Há muito tempo amigos pedem que eu publique meus poemas aqui. Sou um pouco reticente, porque me descobri um mau poeta, de súbito. E olha que não me achava dos piores. mas como registro, talvez tenha chegado a hora de começar a fazê-lo. Este foi um dos últimos que fiz, para um concurso da Pague Menos de 2011, se não me engano. Ficou entre os 10 melhores, ou foi o 11º, não lembro.

A BRAÇOS LARGOS

E eis que lamenta a raça humana, fria,
A ausência de remédio para a dor
Da mórbida, fatal melancolia,
Que segue a solidão, onde esta for.

Febril, atormentada alma quente
Vagueia pela noite sem luar
Querendo um lenitivo eficiente
Sonhando por a cura se mostrar.

As ruas cruza, esquinas dobra em vão,
À procura de breve solução.
E quando já vencido por cansaço,

Surge a receita certa e mais querida:
Encontra, a braços largos, uma amiga,
Que lhe dá longo, intenso e lindo abraço.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

EVOLUÇÃO DO RIR DE SI MESMO




Não, não é mais um texto daqueles de fim de noite comuns. Hoje eu me peguei achando muita graça de minha condição. Até pouco tempo atrás me lamentava por tudo, e hoje estou melancolicamente bem. Sim, melancolicamente bem. E como isso é possível deve ser algo que você provavelmente está se perguntando. Pois você não está só. Eu também me pergunto. Ou nem tanto, porque estou meio farto de buscar explicações para tudo. Descobri que as coisas são como são, e pronto. E devo até me sentir feliz. Se não for possível me sentir feliz, que seja ao menos satisfeito. Movimento de canto de boca com olhar de esguelha...
Ora, eu sei que não sou má pessoa, e que tenho qualidades. Mas ainda assim elas não trazem até mim pessoas que me encantem. Até que vez por outra alguma pessoa aparece, interessada. Mas é aquele velho dilema humano adaptado: “Quem eu poderia querer nem olha para mim, quem eu acho legal, mas não me envolveria, me dá um alô”. É estranho que eu tenha ficado criterioso. É estranho ser criterioso quando não se tem ninguém. Deveria até ser uma coisa fácil, como é para a maioria, aproveitar-me um pouco daquelas que se interessam por mim, só para satisfazer os lábios sedentos e o corpo arfante. Mas não dá. Tenho esse “péssimo” hábito de não querer para outrem aquilo que não desejo para mim, especialmente quando já padeci disso. Sim, já o fiz, uma vez ou outra voluntariamente e umas outras tantas sem intenção. E digo: em todas elas eu fiquei muito mal. Embora o momentâneo ou o temporário tenha sido digno de alegrias. Mas não consigo querer ser assim. Apenas acontece, ás vezes. Mas repito: não é o que quero. Sorriso amarelo... evoluindo...
E rio, porque isso faz com que eu me torne estranho pra todo mundo, e acabe por afastar as candidatas que me interessam, que clamam por homens carinhosos, fiéis, honestos, inteligentes e interessantes (embora quase sempre os desprezem depois), bem como as que não me interessam, porque dizem que reclamo demais e não olho para quem gosto de mim. Engraçado... Acho que a coisa está meio sem jeito. Mas não estou reclamando. É um conformismo um tanto estoico, sei lá. Olho para mim mesmo, e ironizo minha condição de “bom partido” que se torna um estorvo porque não fui abençoado coma beleza ou com a fonte da juventude. Entende? Ironizo. Antes eu chorava, lamentava. Mas prefiro este estágio: humor negro em torno da negritude da alma. Rio mais alto. Risos e risos.
E passo a me questionar: estou errado em querer alguém com afinidades? Com frescor? Com viço? Com lascívia envolta em camada de pudicícia? Com meiguice só minha e desdém a outros que lhe cortejem? Com intensidade na proximidade e respeito na distância? Será que estou errado? Querendo demais? E menos? Será que me valeria? Será que eu lhe valeria? Bom, pois se eu tenho por destino uma “criteriosa” (rio de novo, trocadilho infame...) solidão, que seja. Não pretendo maltratar ninguém. Que eu sofra, se for o caso, a cada vez que me envolvo emocionalmente em silêncio até que a “candidata” mostre que não era aquela (ainda?) que eu insisto em acalentar em sonhos doces, porém tortos. Mais risos, agora contidos.
E é isso mesmo. Antes crítico a arrependido. Antes maltratado a “maltratador”. Antes riso a choro. Fé num amor? Não tenho mais. Mas, assim como acontece com todo aquele que não tem fé, um dia posso ser arrebatado... e convertido. Se não apodrecer ou aposentar-me dessa ideia de amor por invalidez mental, antes. Gargalhadas... até as lágrimas.

domingo, 25 de novembro de 2012

O MELHOR DO MAU HUMOR RODERIQUIANO


Há algum tempo, um ano, mais ou menos, criei um "especial", pensando  em respostas a frases feitas, respostas essas no estilo de minhas "máximas", para produzir "O MELHOR DO MAU HUMOR RODERIQUIANO". Resolvi resgatá-lo e deixar registrado aqui no blog. Vale o "revival", acho:

1 - NO NORDESTE, TEMPO BOM, COM MUITO SOL, EM TORNO DOS 30 GRAUS. - Bom? Ah, apresentadores do tempo, vão se ferrar! Quem disse que esse calor é bom? Bom pra vocês, talvez! Bom pra mim é média anual de 20 graus, ou todo tempo nublado, como vocês têm aí! Queria ver vocês morarem nesse inferno todo dia e acharem o tempo "bom".

2 - OLHAR VITRINES É RELAXANTE, UMA TERAPIA. - Pois eu fico é traumatizado, por ver coisas quenão posso comprar. E se for ao lado de uma mulher que passe horas escolhendo pra não levar nada, aí é mais irritante ainda.

3 - GOSTO NÃO SE DISCUTE. - Ah, não? Pois terminem com as disciplinas de História da Arte, Estética etc. Gosto se discute, SIM! Exite mau gosto, com certeza! O que não se deve discutir é o respeito por quem não tem bom gosto.

4 - A VIDA COMEÇA AOS 40. -  Que lindo... É verdade... Começam as dores, a certeza de que você jamais conseguirá liquidar suas contas se não ganhar não loteria, a tristeza por gente mais nova não te achar mais atraente... Na verdade, começa mesmo é a aparecer sua flacidez.

5 - O GOL SAIU NA HORA CERTA. - Alguém pode me dizer qual é a hora errada para sair um gol?

6 - O BRASIL É O PAÍS DO FUTURO. - Escuto isso desde os mais remotos tempos "pretéritos-mais-que-imperfeitos".

7 - NÃO SOU OBRIGADO A SUPORTAR A FUMAÇA DE SEU CIGARRO. - Ok. Concordo que os fumantes somos irritantes. Mas eu queria que fizessem campanhas contra corruptos, ladrões, artistas de gosto duvidoso e outros que fazem um mal - ainda maior - à sociedade tão acirradas e preconceituosas quanto as que fazem contra nós. Parece até que ser fumante é pior que ser mau caráter.

8 - O TIME "x" É O BRASIL NA COMPETIÇÃO "y". - Hipócritas, sepulcros caiados. Não vejo camisa verde-amarela ali. Seleção é seleção. Clube é clube. Não venham me dizer que tenhod e torcer parar um clube rival. Que se lixe e perca todo jogo. Time é o meu! O resto? Que se dane!

9 - HOMEM NÃO PRESTA. - Eu poderia fazer uma longa lista de exemplos, vindo de Eva, passando por Salomé, a Marcela machadiana, Madame Bovary e a Luísa do Eça, mas vou ficar com uma explicação menos ficcional: falta um artigo "O" antes dessa afirmação. A Raça Humana não presta; não o gênero masculino, apenas.

10 - O MAGISTÉRIO É UM SACERDÓCIO. - Sem comentários.  Aliás, só um: se pensa assim, vá se lascar.

Máximas roderiquianas 171 a 180


Máximas roderiquianas (171) Não deves esperar que o mundo julgue as injustiças a ti infligidas e te reconheças inocente. No máximo, elas pegarão prisão perpétua e te atormentarão eternamente, só por estarem vivas. Para que te livres delas, é preciso que tu mesmo sejas um impiedoso assassino em série.

Máximas roderiquianas (172) Nunca está finado qualquer um cuja lembrança faz pulsar teu coração.

Máximas roderiquianas (173) O grande segredo para manter amizades verdadeiras eternamente não é amar POR algum motivo, mas APESAR de um.

Máximas roderiquianas (174) Quando nos deparamos com as dificuldades emocionais que insistem em nos atormentar, por mais que lutemos em busca da felicidade, é que percebemos o quanto viver é difícil e o quanto necessitamos de alguém mais além de nós mesmos. O amor dos filhos é sustentação; o dos amigos, alicerce; o próprio, sobrevivência. Mas não há como negar que a ausência de contato amoroso é algo duro de ser suprido.

Máximas roderiquianas (175) Um fim digno vale mais que dois inícios lindos ou várias continuações tortuosas.

Máximas roderiquianas (176) Aos lenhadores que querem te derrubar, nada mais resta a não ser assistir ao ressurgimento de tua essência, quando a natureza conduz tua semente para solos mais férteis.

Máximas roderiquianas (177) Não te decepciones totalmente com os seres humanos. Não vale a pena. Tanto faz se para eles nada vales ou não. O imprescindível é que eles não te afetem, por nada valeres. É difícil, mas vencerás a ti mesmo, e serás mais resistente.

Máximas roderiquianas (178) A vida é uma trilha sonora: Nascemos ao som de “Gloria” e somos embalados por canções de ninar. Depois, optamos pelos rocks rebeldes e uma ou outra balada romântica. Enfim, a marcha fúnebre e, eventualmente, quando lembrados, um ”Requiem”.

Máximas roderiquianas (179) Se te quebram uma perna, salta; se fazem o mesmo à outra, rasteja; se te partem os braços, aguarda. Alguém te arrastará pela gola da camisa.

Máximas roderiquianas (180) O omisso é o verdugo da paz interior.


sábado, 17 de novembro de 2012

De amizades e loucura...




Esse mundo é muito louco. E eu não gosto dele às vezes. Vejam só: o que se espera dos amigos? Amizade. Preferência. Solidariedade. Confidência. Fidelidade. Sim, talvez esse não seja o certo. Talvez o certo fosse não termos ciúmes e não ligarmos quando uma pessoa amiga não tem cabeça (normal, afinal, há momentos em que todos precisamos de nós mesmos, e só) para nós, mas aceita que outra pessoa (normalmente uma que nos detesta) tente “roubá-la” de nós. Ou que achássemos que tanto faz perder uma grande amizade ou não. Talvez devêssemos ser  frios, metódicos, indiferentes. E, mesmo quando involuntária, diante da agressão, déssemos de ombros e oferecêssemos a outra face. Confesso minha inabilidade em imitar Cristo. Talvez eu seja mesquinho em achar que meus grandes amigos são pessoas por quem luto por manter, mesmo abrindo mão de ideias e conceitos meus, em nome da preservação de uma relação harmônica. Porque aceitar o outro não é abrir mão de si mesmo. Mas se há algo entre os dois que se choca frontalmente, ambos tem de ceder. Ou não é isso? Talvez também necessitássemos de  imaginar que grandes amigos não devessem nos honrar, ou aceitar que outros nos denegrissem a imagem, mesmo com silêncios absurdos ou calúnias declaradas, não importa. Não, não estou errado. É que às vezes nossos amigos, mesmo os melhores, falham. E é na falha deles que devemos encontrar forças para amá-los ainda mais. Porque quando eles acharem que não valemos a coragem de dizer não ao inimigo, ou quando acharem que nossa amizade é indiferente, é nessa força que temos pra não chorar que resgatamos o maior amigo: nós mesmos. E quando nos amamos mais, nós os amamos mais também. Mesmo que eles não tenham a mesma perspicácia ou não te deem a mesma importância que damos a eles. Certo. Seremos fortes. Estamos corretos. Um dia, eles poderão até perceber que o que nos uniu e une é divino, pois amigos não precisam de certidões. Estamos corretos. Mas isso não nos impede de lamentar... e chorar. 

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Dois de novembro. Finados. Quero registrar meu pesar e dor quase incontidos, quase eternos, quase destruidores pela ausência de meus pais adotivos (Emmerich Szasz e Raimunda Gonçalves da Cruz), meu filho (Ícaro Costa de Szasz), parentes (avô materno, tias por parte adotiva), amigos (Ronald, Daniel Ximenes, Jeová de Quixeré)), ex-alunos (Jorgeanny, Ítalo, Linneker, Átila, Ticiany Montezuma, José Walder e outros cujos nomes não lembro agora, mas de memória eterna) e outros tantos que foram tão especiais na vida. E registro também a tristeza por aqueles que optaram por matar nossa amizade, mas cujos nomes omitirei por respeito ao passado glorioso. Enfim, para não dizer que tudo é dor, saúdo a morte de convicções, angústias e incertezas monstruosas. Que vão em paz, pois, afinal, “tudo é dor e toda dor vem do desejo de não sentirmos dor” .