Parei meu trabalho para um desabafo. Fui "intimado" por minha ex-esposa a retirar de meu facebook uma foto nossa, em que ela está vestida como roqueira, por me acompanhar a um show, DEZ ANOS ATRÀS. O pedido veio após ela ter recebido uma reclamação de seus patrões, com papos de "professor é pessoa pública" e outras insanidades do mesmo naipe.
Está mais do que na hora de os patrões aprenderem que eles não têm ingerência sobre nossas vidas particulares. NADA que eu faça fora de meu ambiente de trabalho, a não ser que seja desabonador de caráter ou princípios morais (o que, definitivamente, não era o caso) diz respeito a meus chefes, minhas empresas, e no nosso caso, nossos alunos.
Atitudes como essa só mostram a pequenez mental de nossa sociedade. Ainda que a ideia não tenha partido dos patrões, o simples fato de chamarem-lhe a atenção, colocando a pessoa numa situação constrangedora de ter que fazer esse pedido (é bem verdade que ela nunca gostou da foto, mas essa questão é nossa, e não diz respeito a ninguém mais) é um abuso de autoridade.
Nossas (seres humanos) atitudes, gostos e prazeres pessoais, por mais estranhos e condenáveis que pareçam a outros olhos, são única e exclusivamente de nossa alçada, salvo os casos de caráter e moral que já citei. Chega de sermos patrulhados em nossas casas, vidas sociais e - por que não dizer? - redes sociais.
É a única hora em que desgosto de meu país. Aguento - não sem dor - corrupção, insegurança, safadeza, até a pilantragem de nossa burguesia. Mas a hipocrisia do julgamento do caráter por atitudes da vida privada é algo que as empresas europeias não têm. Essa hipocrisia é irritante e deplorável.
Desculpem a acidez do comentário. Acho um absurdo eu ter de retirar uma foto minha porque isso pode afetar o trabalho de minha ex-esposa, e pior... quando não há nada na foto em questão que comprometa seu excelente desempenho profissional.
Sociedade hipócrita.
27.03.12
quinta-feira, 29 de março de 2012
terça-feira, 13 de março de 2012
E eis que chega ao fim a ditadura de Ricardo Teixeira. Será o sinal de uma nova era em nosso futebol? Não creio... O vice-presidente que assumiu já declarou que sua gestão será "de continuidade". Que lástima. É a continuidade do engodo, da parcialidade, da defesa de interesses próprios, e não dos clubes e suas torcidas, que são os que realmente fazem o futebol.
Mas esse senhor que vai assumira presidência da entidade CBF só o fará porque os clubes permitirão. E aí é que está o grande problema. Se esses clubes não querem peitar a CBF e assumir a responsabilidade por seus campeonatos e negociações, é porque provavelmente também defendem o continuísmo... Então, para que eu me queimar com o meu desejo de querer que o Sudeste vença sempre mais, com minha ânsia de ressuscitar todos os títulos que ganhei quando mal havia arbitragem, se eu posso colocar um testa-de-ferro que faça aquilo tudo que desejo sem me expor? E ainda poso de "moderno", atacando a CBF.
É, tem gente falsa e conivente nesse mundo. A taça das bolinhas, as unificações, tudo o que foi absurdo e beneficiou a um grupo mínimo de times passou como certo para a imprensa e para esses clubes. Puro interesse para quem queria ganhar algo impossível de a lógica e o bom senso conceberem. Mas como bom senso não é pra todo mundo, deixa pra lá.
E assim rasteja o futebol brasileiro.
Mas esse senhor que vai assumira presidência da entidade CBF só o fará porque os clubes permitirão. E aí é que está o grande problema. Se esses clubes não querem peitar a CBF e assumir a responsabilidade por seus campeonatos e negociações, é porque provavelmente também defendem o continuísmo... Então, para que eu me queimar com o meu desejo de querer que o Sudeste vença sempre mais, com minha ânsia de ressuscitar todos os títulos que ganhei quando mal havia arbitragem, se eu posso colocar um testa-de-ferro que faça aquilo tudo que desejo sem me expor? E ainda poso de "moderno", atacando a CBF.
É, tem gente falsa e conivente nesse mundo. A taça das bolinhas, as unificações, tudo o que foi absurdo e beneficiou a um grupo mínimo de times passou como certo para a imprensa e para esses clubes. Puro interesse para quem queria ganhar algo impossível de a lógica e o bom senso conceberem. Mas como bom senso não é pra todo mundo, deixa pra lá.
E assim rasteja o futebol brasileiro.
terça-feira, 6 de março de 2012
Hoje eu conversava com uma amiga e companheira de profissão sobre nossa faina diária. Sei que ela lerá este texto e ficará bastante preocupada comigo, se não ficar com raiva, até... Calma, querida, calma...
Eu dizia a ela que tenho um sonho. Sonho com o dia em que os diretores, supervisores, coordenadores, enfim, todos os que dizem lidar com Educação, em uma de suas "profícuas" reuniões, resolvam discutir, com naturalidade e sinceridade: "Bem, o que podemos fazer para facilitar a vida de nosso professor? Como fazer com que ele volte a ter o respeito da sociedade, dos pais, dos alunos? Como podemos começar isso por nós mesmos?"
A pergunta foi bem menor que essa. Minha amiga, antes que eu pudesse prosseguir na indagação, sem sentir, interrompeu-me para dizer que era realmente um sonho e jamais aconteceria. E eu decidi escrever sobre isso. Pode não ser dos temas mais literários, mas eu SOU professor. Não ESTOU professor. Amo o que faço, amo meu aluno, e aquele brilho no olhar quando percebo que ele entendeu ou gostou de algo que lhe mostrei, orientei, incentivei. Então, julgo-me no direito e no dever de falar. É uma angústia cotidiana, de fato.
A cada dia vejo TODOS os setores do processo educacional sendo privilegiados: é a gráfica, quando nos pedem o material digitado; é a secretaria, quando digitamos as notas; é o aluno, quando a aula pode ser extraída do site e em breve ele não terá mais sequer o trabalho de copiar alguma coisa (boa lembrança, George); é o pai, que pode "prender" o seu filho na escola até mais tarde em dias de prova. E o professor, esse escravo pago (e já não importa se bem pago ou não), perde a cada dia seus privilégios. O governo aumenta a carga horária, pra impressionar o mundo - e o professor perde o recesso. O colégio pega os dias que restam e enche de reuniões - e o professor parece "emendar" um ano no outro. O professor conta faltas, digita provas, lança conceitos, coordena estudos de sua e de outras disciplinas, toma conta do físico, do psicológico, do espiritual, do emocional do aluno. Ou seja, é digitador, psicólogo, secretário, pai, mãe, irmão, amigo - só não pode ser namorado, porque senão é depravado. Ah, e não tem direito à vida pessoal. Sempre tem alguém de olho em como ele se veste, anda, corta o cabelo, se produz... se fuma, bebe, usa piercing, tatuagem, saia curta ou decote maior que o de uma sóror. É um "exemplo". É aquele que não pode ter, dentro ou fora da escola, um comportamento "condenável", um dia de dor, tristeza, alegria, depressão ou euforia. É o sonho de todo patrão ou chefe um professor programável: fardadinho, padrão, sem conflitos, sem filhos, sem vida, que viva só para inventar aulas legais e que obedeça a todos as ordens sem reclamar. Que aceite todas as "inovações", que não "emperre o processo" ou seja "mercenário". Que se mate, mas que "vista a camisa da escola"... e se possível as cuecas e calcinhas também.
"Prazos maiores para correção? Como assim, professor? Use o fim de semana. Mas nesse sábado tem reunião de 8 às 12, viu? Se o senhor tem muitos afazeres, por que pega tanta aula? Quem não pode com o pote... Equilibre melhor o seu tempo, não é culpa da escola se você não tem tempo para sua família, para um cinema, para beber com os amigos... o senhor escolheu essa profissão, são os ossos do ofício". Ah, que beleza de discurso! Tão reconfortante, estimulador... tão, tão... patronal. "Mas professor, essa determinação que tirará aquela folguinha que os senhores têm na época das provas será tirada pelos pais. Eles adoraram a notícia de que seus filhos ficarão até o fim do dia no horário normal". Oh, desculpem-me, meus superiores! Esqueci que o foco da escola é quem paga, não quem estuda ou quem ensina. Perdão pelo meu tão antipedagógico esquecimento! De que servem meus anos de experiência, estudo, análise do que é certo e o que é errado, se a vontade do cliente e de seu fiador são os ditames de nossa tão profunda filosofia escolar, de nossa prática pedagógica? Perdão, perdão...
E os colegas que não atrapalham, não ajudam, mas também não se mexem? Há os de dois tipos. Os preocupados ("Não faça isso, não reclame, fique quieto... se acalme") e os instigadores, que te empurram pra falar, mas que só ficam à sombra, para colher os frutos... ("Vá lá, você é nosso representante, estou com você, dou o maior apoio. Pena que nesse dia eu não estou aqui... Mas pode falar por mim, aí...") Os primeiros, coitados, se apegam ao medo de perder o emprego - não vou julgá-los, cada um sabe de sua realidade e limitações profissionais. Os outros, muitas vezes, usam o corporativista como escudo. E a fardinha da escola dele tá lá, limpinha, bem vestidinha... Justiça seja feita, nem todos são assim. Pena que muitos deles estejam cansando.
Sem falar nos famosos puxa-sacos. Sim, amigo, não me esqueci de você, você que talvez, logo após ler este texto, copie-o e salve-o para, prontamente, mostrar aos nossos superiores, sob o pretexto grandioso de "estar preocupado com a repercussão desse texto no meio docente". Sim, você não foi esquecido, traidor da classe. Só não esqueça de cortar essa parte do texto, antes de mostrá-lo, ok? Sabe como é, talvez o seu patrão seja consciente, veja que eu tenho um pouco de razão, e descubra o quão desprezível e incompetente você, carneirinho, é, que precisa mostrar fidelidade ao lobo, abrindo a porteira do curral... Sim, você que diz: "Ei, por que aquele ali não usa farda?" ou "Ah, eu acho normal eu ter que fazer mais um serviço pra ajudar meu aluno - eles precisam de mais chances pra passar". Você é uma mola da engrenagem da vergonha de nossa classe. Vá em frente...
Sim, eu ainda sonho. Eu ainda espero que um dia alguém veja que não somos máquinas. Que nosso trabalho intelectual merece, sim, certos privilégios. Não por sermos melhores, mas por sermos mais exigidos, mais cobrados, mais vigiados. Porque não queremos ser a tábua de salvação do mundo, o sacerdote, o exemplo. Queremos ser tratados como uma classe que merece ter olhos carinhosos para que se aumentem nossas benesses, já que cientificamente está comprovado que somos uma classe entre as 3 com maior nível de estresse no mundo. E não que caminhem para o caminho contrário, empurrando o serviço de todos os setores para o nosso, cortando folgas, aumentando quantidade de reuniões (muitas sem pagar), cobrando mais e mais, e "reconhecendo" mossa lida com uma festinha "maneira" no Dia do Professor, com um discurso pronto de "peça mais importante da escola", "mola que impulsiona o futuro da nação" ou "profissão tão importante e tão pouco reconhecida". Chega!
Chega! Não queremos discurso, queremos ação! Trocamos penhoradamente suas festas, gentilezas e discursos inócuos por ações que aliviem nossos ombros, que nos dignifiquem perante alunos e pais. Que cheguem e digam a eles: "eu sou a favor do meu profissional porque acredito nele". Ele FAZ POR ONDE que seu trabalho prático seja aliviado, porque ele usa sua mente, seu coração e seus ideais em nome de vocês e de seus filhos. Ele, por MERECIMENTO, vai se concentrar o máximo possível somente em ministrar sua aula com todo o aparato tecnológico, material, pessoal e financeiro, porque ele é quem lida com os alunos em sala, ele é quem educa. ELE faz um trabalho fundamental: o intelectual. O braçal; é nosso; o familiar, é seu.
Sim, eu sonho. Posso ser um idiota, mas não sou omisso.
E não se ofenda se, de algum modo, você se sentiu atingido em algum ponto. Ninguém é perfeito. Eu mesmo já falhei, no meu papel corporativo, vez ou outra. E não se preocupe. Não espero tapinhas no ombro nem mudanças radicais de posicionamento. Apenas pense. E se achar que alguém que você conhece pode usufruir desse texto, divulgue.
Obrigado por ter lido até aqui.
Roderic Szasz.
domingo, 4 de março de 2012
Máximas roderiquianas (61): A sensação que tenho, às vezes, é que Deus, quando expulsou-me do Paraíso para este mundo, agiu como uma espécie de ditador. E eu fico, qual exilado da pátria, pedindo por uma anistia à brasileira: “ampla, total e irrestrita”. Aceita-me de volta, Senhor! Chega deste inferno de incompreensão e solidão.
Máximas roderiquianas (62): A Verdade não está no vinho, como diziam os romanos. Nem na Bíblia, como pregaram os cristãos. Nem nas necessidades biológicas, como queriam os escritores naturalistas. Nem no relativismo do Eu, como afirmam os existencialistas. Ela não está em nenhum desses lugares, e talvez em todos eles. Porque a Verdade, de fato, está em único lugar: no Medo.
Máximas roderiquianas (63): Falta de amor, falta de sexo, falta de carinho, tudo isso é ruim ao se estar só. Mas o pior é a falta de um “bom dia” ou “boa noite”. Você se sente um animal, ao dizê-lo para si ou para o espelho. Quero uma companheira, para todas as horas de minha loucura underground. Se quisesse um receptáculo de esperma, dormiria com um pacote de preservativos.
Máximas roderiquianas (64): How should a lonely man's soul be on Valentine's Day? Well, as Valentine is dead, that's not such a difficult thing to answer...
Máximas roderiquianas (65): Minha idade não deveria estar na minha pouca resistência, na minha inicial calvície, na minha inabilidade em ser político. Mas só na minha maturidade. A alma juvenil sucumbe às pessoas interessantes de menor idade que fazem questão de lembrar que o válido é a aparência, embora o neguem formalmente. É uma fonte da juventude às avessas. Elas apaixonam e destroem.
Máximas roderiquianas (66): Deus, cansei de brincar de esconde-esconde. Pique, um, dois, três... Arrebata-me.
Máximas roderiquianas (67): Quem cospe nos fantasmas de seu passado compartilha o arrastar dos seus grilhões e certamente tem a alma ainda mais penada.
Máximas roderiquianas (68) O verdadeiro injusto não é o carrasco que usa a sua língua afiada para vilipendiar, mas o soberano que abusa de seu pretenso senso absoluto de verdade para julgar.
Máximas roderiquianas (69): Encontrei o antônimo perfeito para o termo “Esperança”: é “Ex-fé-cansa”.
Máximas roderiquianas (70): A Arte no século XXI será salva pelo rock’n’roll, os filmes de terror B e o retorno à literatura do século XIX.
Resgatando minha primeira “máxima”, ainda nos anos 90. Homenagem aos meus amigos da Academia da Incerteza.
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