Algumas
mulheres são criminosas seriais. As que tomam nosso coração de assalto cometem
latrocínio. Se cometem o crime de nos abandonarem por circunstâncias fora de
seu controle, praticam homicídio culposo. Mas se premeditam a morte da relação,
é doloso. Caso o pratiquem pensando em estar com outro homem logo em seguida, então
fazem-no com requinte de crueldade. E se eventualmente nos traírem antes do
homicídio, merecem pena. De morte. Não a delas, mas a de sua lembrança em nosso
coração.
Sem
apelação. Dispensam-se testemunhas, por favor. Não vamos lhes dar a oportunidade
de seduzir os depoentes. A vítima é nosso coração esfacelado, e o desprezo que
lhes será imputado servirá como promotor. Sem defesa; o encanto vil, nesse
caso, não deve entrar em cena. É perjúrio. O juiz? Nossa alma eternamente
combalida.
Não
há bom comportamento que reduza a pena. Solitária. Assim deve ser. Sem telefonema, banho de
sol, televisão e, muito menos, fiança. Delitos de amor são
inafiançáveis. Apelação? Sem direito.
Lágrimas desse tipo de criminosa são perigosamente hipócritas. Visita? Só a nossa.
Não íntima, mas distante e sarcástica. Data venia, a visita da saúde é
bem-vinda, para que ela sofra perpetuamente.
Padre
para a bênção final, só se estiver surdo e vendado, para que aplique um perdão
maquinal, sem qualquer piedade. Por fim, encerre-se o processo com a sentença
de que o coração endurecido dessa vilã vire uma das pedras da cela do presídio
de sua própria alma.