Esse mundo é muito louco. E eu não gosto dele às vezes.
Vejam só: o que se espera dos amigos? Amizade. Preferência. Solidariedade.
Confidência. Fidelidade. Sim, talvez esse não seja o certo. Talvez o certo
fosse não termos ciúmes e não ligarmos quando uma pessoa amiga não tem cabeça
(normal, afinal, há momentos em que todos precisamos de nós mesmos, e só) para
nós, mas aceita que outra pessoa (normalmente uma que nos detesta) tente “roubá-la”
de nós. Ou que achássemos que tanto faz perder uma grande amizade ou não.
Talvez devêssemos ser frios, metódicos, indiferentes.
E, mesmo quando involuntária, diante da agressão, déssemos de ombros e
oferecêssemos a outra face. Confesso minha inabilidade em imitar Cristo. Talvez
eu seja mesquinho em achar que meus grandes amigos são pessoas por quem luto
por manter, mesmo abrindo mão de ideias e conceitos meus, em nome da preservação
de uma relação harmônica. Porque aceitar o outro não é abrir mão de si mesmo.
Mas se há algo entre os dois que se choca frontalmente, ambos tem de ceder. Ou
não é isso? Talvez também necessitássemos de imaginar que grandes amigos não devessem nos honrar,
ou aceitar que outros nos denegrissem a imagem, mesmo com silêncios absurdos ou
calúnias declaradas, não importa. Não, não estou errado. É que às vezes nossos
amigos, mesmo os melhores, falham. E é na falha deles que devemos encontrar
forças para amá-los ainda mais. Porque quando eles acharem que não valemos a
coragem de dizer não ao inimigo, ou quando acharem que nossa amizade é
indiferente, é nessa força que temos pra não chorar que resgatamos o maior
amigo: nós mesmos. E quando nos amamos mais, nós os amamos mais também. Mesmo
que eles não tenham a mesma perspicácia ou não te deem a mesma importância que
damos a eles. Certo. Seremos fortes. Estamos corretos. Um dia, eles poderão até
perceber que o que nos uniu e une é divino, pois amigos não precisam de
certidões. Estamos corretos. Mas isso não nos impede de lamentar... e chorar.