quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
Analisando o "desempenho" das máximas...
É curioso ver que as minhas "máximas" mais elogiadas ou "curtidas" são as mais chorosas, sentimentais... As realmente fortes, críticas, viscerais, nem tanto. Mas é assim que nossa sociedade funciona. Permite-se a lamentação, o choro, a demonstração pública de fraqueza, como nos filmes, músicas e livros "românticos". A crítica, o tom questionador, a imprecação, a ironia e a revolta, absolutamente primordiais não só para o desabafo, mas para a verdadeira mudança das coisas, são vistas como coisas agressivas, desagradáveis, ofensivas ou heréticas. Não que reclame de quem gosta de meus outros textos, afinal, cada um gosta do que bem entende, e eu também gosto de escrevê-los, lógico. É só uma constatação de que nossa sociedade realmente não está preparada para reagir. Só quer chorar, rsrsrs... Abraços e obrigado a todos que curtem qualquer das máximas!
sábado, 22 de dezembro de 2012
Máximas 221 a 230.
Máximas roderiquianas (221) Muitas vezes o mínimo não é o suficiente, mas bem abaixo deste.
Máximas roderiquianas (222) A saudade é uma queimadura de 3º grau. Arde muito na hora, depois passa... mas a cicatriz fica.
Máximas roderiquianas (223) Não há nada mais revoltante do que assistir a uma pessoa interpretando sentir-se ofendida por algo em que ela foi a principal ofensora. É um espetáculo de cinismo, digno de ódio e vaias.
Máximas roderiquianas (224) A escala cíclica de horrores: não querer o que se deve ter; não poder o que se quer; não viver o que se poderia e não ter o que te faria viver.
Máximas roderiquianas (225) A insônia é a confissão corporal de que o dia é pequeno para um viver angustiado.
Máximas roderiquianas (226) O encanto que se causa em uma pessoa e o assombro que tal encantamento causa no outro têm algo em comum: deixam suas vidas encantadas. E não é por medo de quebrar encantos que alguém deve privar-se de viver o bem que lhe é ofertado.
Máximas roderiquianas (227) Quando chovem canivetes, o melhor guarda-chuva é uma cama elástica.
Máximas roderiquianas (228) Nenhuma grande revolução social acontecerá sem que haja redistribuição de oportunidades reais (não ilusórias). Patrimônio não é o problema. O modo de obtê-lo é que caracteriza o imperialismo econômico.
Máximas roderiquianas (229) A solidão se explica pela simples razão de que o teu defeito certo precisa encontrar a qualidade errada do outro. E as pessoas não admiram seus defeitos nem o erro alheio.
Máximas roderiquianas (230) Justiça e imperialismo são reciprocamente excludentes.
domingo, 16 de dezembro de 2012
Máximas roderiquianas 211 a 220.
Máximas roderiquianas (211) Não há pior juiz, promotor ou carrasco que nossa insegurança. E nenhuma prisão é maior que nossa determinação de não falar.
Máximas roderiquianas (212) A causa mortis do encanto de uma pessoa é a falência múltipla de características vitais para o reconhecimento de seu brilho: a sinceridade, a inteligência, a humildade, a irreverência.
Máximas roderiquianas (213) Coisas ruins não são um porre. São uma ressaca. O pior não é o hoje: é o dia seguinte. O porre é bom.
Máximas roderiquianas (214) Sentimentos sem batismo normalmente são mais honestos que relações com nomes definidos, mas sem fé. Nenhum tabelião registra um coração.
Máximas roderiquianas (215) For a feeling which is forgotten, we bet a dime in a jackpot, but a chance to remake it hot is like a nice meal that lasts rotten.
Máximas roderiquianas (216) Abnegação é tudo que te faz heroico aos bons corações, e um idiota aos levianos.
Máximas roderiquianas (217) Queres saber o quanto se aproveita da raça humana? Tenta colher uvas frescas do solo e sob o sol do deserto...
Máximas roderiquianas (218) Quando a razão assola o ser, a fé implode e a fera explode.
Máximas roderiquianas (219) A impossibilidade é o alívio do delírio.
Máximas roderiquianas (220) Não existe revolução sem a morte do pretérito imperfeito. E para que seja mais-que-perfeita, só com o resgate da pretérita Arte perfeita.
MULHER, A NATUREZA TE SAÚDA
MULHER, A NATUREZA TE SAÚDA
Bem poucos notam que todos os dias
São saudações ao teu divino ser,
E que o brilho que do sol se irradia
Ergueu-se para melhor te rever.
Quase ninguém percebe como as nuvens
Buscam proteger-te da forte chama,
Se teus delicados suspiros surgem,
Quando do calor teu corpo reclama.
E se as nuvens se tornam pingos d'água,
É porque prazer querem te ofertar,
Ou arrastar todas as tuas mágoas
Ao rumo de um calmo e distante mar!
A lua sempre se renova em ti,
E ela míngua quando imitar-te almeja.
Mas está crescente ao te ver sorrir,
E se está cheia não causa incerteza...
Pois vê que a Natureza te saúda
E mesmo que os homens queiram negar,
Tu sabes que na madrugada muda
É por ti que eles estão a chorar!!
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
LUZ NA ESCURIDÃO (novo poema)
Já fazia muito tempo. Pois voltei a escrever um poema. Que tal? Opinem, nem que seja pra detonar, rsrs....
LUZ NA ESCURIDÃO
Se é verdade que o escuro traz o medo
Porque os homens só temem o que sentem
Já penso que no medo eles não mentem,
Pois o tempo persegue só segredos
E se na noite escura de meu ser
Eu consigo enxergar teu rosto lindo
É porque meus temores não são findos,
Mas eu não tenho mais como esconder:
Quanto mais esta treva em solidão
Insiste em me ferir e dominar,
Para uma Luz de um novo acreditar
Mais meus sonhos em ti me levarão.
Porque mesmo que saiba que não amas,
E que tudo não passa de delírio,
A treva não será mais um martírio,
Pois nos teus olhos vejo a luz, a chama.
LUZ NA ESCURIDÃO
Se é verdade que o escuro traz o medo
Porque os homens só temem o que sentem
Já penso que no medo eles não mentem,
Pois o tempo persegue só segredos
E se na noite escura de meu ser
Eu consigo enxergar teu rosto lindo
É porque meus temores não são findos,
Mas eu não tenho mais como esconder:
Quanto mais esta treva em solidão
Insiste em me ferir e dominar,
Para uma Luz de um novo acreditar
Mais meus sonhos em ti me levarão.
Porque mesmo que saiba que não amas,
E que tudo não passa de delírio,
A treva não será mais um martírio,
Pois nos teus olhos vejo a luz, a chama.
Máximas roderiquianas: 201 a 210.
Máximas roderiquianas (201) É incrível como os mais assíduos “analistas” de Arte não são os artistas, nem os especialistas, e nem mesmo os críticos – em sua maioria, artistas frustrados. São os patrulhadores ideológicos e os ignorantes que se utilizam de todos os critérios para julgar uma obra de arte, menos o único que importa: a estética.
Máximas roderiquianas (202) A paixão é a reinvenção da insanidade; o amor, a redenção da efemeridade; a solidão, a aceitação da fatalidade.
Máximas roderiquianas (203) Somos a bússola de nossos filhos na longa jornada por borrascas tenebrosas. E eles são nossos botes salva-vidas.
Máximas roderiquianas (204) Deus é a melodia; a natureza, o instrumento; o homem, o descompasso. E é por isso que há concertos plausíveis, mas não consertos possíveis.
Máximas roderiquianas (205) Acreditar que um dia teremos um amor perfeito é como ser Quixote: recupera-se a razão, mas a melancolia jamais fenece.
Máximas roderiquianas (206) Enquanto a ironia é a arma do intelectual, o deboche é o escudo do ignorante.
Máximas roderiquianas (207) Às vezes, infelizmente, tenho a impressão de que este planeta é uma monarquia parlamentarista, em que Deus é Chefe de Estado, e Lúcifer, o de Governo.
Máximas roderiquianas (208) A possibilidade do pecado é o acelerador do ímpeto; a certeza, o freio.
Máximas roderiquianas (209) O humor sempre é bom; ruim é lidar com ele quando não estamos com paciência. Vira sarcasmo.
Máximas roderiquianas (210) Unfortunately, we never know what we should before the right time.
200 máximas!! Obrigado a quem gosta! Deixe seu comentário, se desejar...
Máximas roderiquianas (191) Não preciso ter meu nome gravado em latinhas de refrigerante. Quero tê-lo vibrando nas almas de quem me ama, pesando nas consciências de quem injustamente me julga, morrendo na memória de quem me detesta.
Máximas roderiquianas (192) A melhor maneira de internalizar um final solitário é aceitá-lo tacitamente; renovar esperanças é morrer duas vezes.
Máximas roderiquianas (193) Trata um novo amor como a uma planta: aduba o terreno com carinho; rega a semente com expectativas; fortifica as raízes com maturidade; faze as podas necessárias com o equilíbrio; mas, se daninha, arranca-a com coragem.
Máximas roderiquianas (194) A linha elástica que une a paciência às atitudes impulsivas tem um nome: delícia.
Máximas roderiquianas (195) Morrer é como dormir após muito cansaço, só que sem um maldito despertador para te lembrar que tal cansaço prosseguirá.
Máximas roderiquianas (196) Quando a vergonha de errar é menor que o desejo de ter um breve instante de alegria, cria-se um intervalo matemático entre colchetes fechados, e que pode ser batizado como “instante de devaneio silencioso”.
Máximas roderiquianas (197) A regra essencial para não causares aborrecimentos aos amigos: dá a cada um deles a justa medida de importância que eles têm em tua vida; nem mais, nem menos.
Máximas roderiquianas (198) A verdade o cinismo encobre; a mentira o tempo descobre.
Máximas roderiquianas (199) Uma pessoa percebe que é tempo de mudar seu modo de ver a vida quando, em nome da boa convivência, ela tolera quase tudo e, em troca, recebe quase nenhuma tolerância.
Máximas roderiquianas (200) A ausência de sexo é administrável; a de amor, sublimável; a de carinho, insuportável.
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Máximas 181 a 190
Máximas roderiquianas (181) O maior problema do mundo moderno não é a obesidade mórbida, mas o humor mórbido.
Máximas roderiquianas (182) A Arte não dá nenhuma resposta, mas todas as chances de se autoconhecer através das perguntas.
Máximas roderiquianas (183) Quando alguém de valor julga um defeito nosso, choramos, mas crescemos; quando alguém sem valores o faz, gargalhamos e nos agigantamos.
Máximas roderiquianas (184) Verdade crua encanta; mentira nua espanta.
Máximas roderiquianas (185) Ocupar a mente com Arte no lugar de alguém é fácil; preencher o coração com família e amigos, no lugar do amor, também; difícil é mostrar para o corpo e para a alma que não precisamos de carinho...
Máximas roderiquianas (186) O maior inimigo do equilíbrio social não é a ideia contrária, mas a neutralidade.
Máximas roderiquianas (187) Um sentimento não exposto, bom ou ruim, vale tanto quanto uma Bíblia que jamais sai da estante; cria poeira, traças e mofo.
Máximas roderiquianas (188) O suicida é como um condenado à forca que dispensa o padre e o carrasco.
Máximas roderiquianas (189) O Mistério só tem sentido quando se forma por si só. O mistério planejado se chama covardia.
Máximas roderiquianas (190) O conhecimento cura; a ignorância curra.
Um poema
Há muito tempo amigos pedem que eu publique meus poemas aqui. Sou um pouco reticente, porque me descobri um mau poeta, de súbito. E olha que não me achava dos piores. mas como registro, talvez tenha chegado a hora de começar a fazê-lo. Este foi um dos últimos que fiz, para um concurso da Pague Menos de 2011, se não me engano. Ficou entre os 10 melhores, ou foi o 11º, não lembro.
A BRAÇOS LARGOS
E eis que lamenta a raça humana, fria,
A ausência de remédio para a dor
Da mórbida, fatal melancolia,
Que segue a solidão, onde esta for.
Febril, atormentada alma quente
Vagueia pela noite sem luar
Querendo um lenitivo eficiente
Sonhando por a cura se mostrar.
As ruas cruza, esquinas dobra em vão,
À procura de breve solução.
E quando já vencido por cansaço,
Surge a receita certa e mais querida:
Encontra, a braços largos, uma amiga,
Que lhe dá longo, intenso e lindo abraço.
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
EVOLUÇÃO DO RIR DE SI MESMO
Não, não é mais um texto daqueles de
fim de noite comuns. Hoje eu me peguei achando muita graça de minha condição. Até
pouco tempo atrás me lamentava por tudo, e hoje estou melancolicamente bem.
Sim, melancolicamente bem. E como isso é possível deve ser algo que você
provavelmente está se perguntando. Pois você não está só. Eu também me
pergunto. Ou nem tanto, porque estou meio farto de buscar explicações para
tudo. Descobri que as coisas são como são, e pronto. E devo até me sentir feliz.
Se não for possível me sentir feliz, que seja ao menos satisfeito. Movimento de
canto de boca com olhar de esguelha...
Ora, eu sei que não sou má pessoa, e
que tenho qualidades. Mas ainda assim elas não trazem até mim pessoas que me
encantem. Até que vez por outra alguma pessoa aparece, interessada. Mas é
aquele velho dilema humano adaptado: “Quem eu poderia querer nem olha para mim,
quem eu acho legal, mas não me envolveria, me dá um alô”. É estranho que eu
tenha ficado criterioso. É estranho ser criterioso quando não se tem ninguém.
Deveria até ser uma coisa fácil, como é para a maioria, aproveitar-me um pouco
daquelas que se interessam por mim, só para satisfazer os lábios sedentos e o
corpo arfante. Mas não dá. Tenho esse “péssimo” hábito de não querer para
outrem aquilo que não desejo para mim, especialmente quando já padeci disso.
Sim, já o fiz, uma vez ou outra voluntariamente e umas outras tantas sem
intenção. E digo: em todas elas eu fiquei muito mal. Embora o momentâneo ou o
temporário tenha sido digno de alegrias. Mas não consigo querer ser assim.
Apenas acontece, ás vezes. Mas repito: não é o que quero. Sorriso amarelo...
evoluindo...
E rio, porque isso faz com que eu me
torne estranho pra todo mundo, e acabe por afastar as candidatas que me
interessam, que clamam por homens carinhosos, fiéis, honestos, inteligentes e
interessantes (embora quase sempre os desprezem depois), bem como as que não me
interessam, porque dizem que reclamo demais e não olho para quem gosto de mim.
Engraçado... Acho que a coisa está meio sem jeito. Mas não estou reclamando. É
um conformismo um tanto estoico, sei lá. Olho para mim mesmo, e ironizo minha
condição de “bom partido” que se torna um estorvo porque não fui abençoado coma
beleza ou com a fonte da juventude. Entende? Ironizo. Antes eu chorava, lamentava.
Mas prefiro este estágio: humor negro em torno da negritude da alma. Rio mais
alto. Risos e risos.
E passo a me questionar: estou
errado em querer alguém com afinidades? Com frescor? Com viço? Com lascívia
envolta em camada de pudicícia? Com meiguice só minha e desdém a outros que lhe
cortejem? Com intensidade na proximidade e respeito na distância? Será que
estou errado? Querendo demais? E menos? Será que me valeria? Será que eu lhe
valeria? Bom, pois se eu tenho por destino uma “criteriosa” (rio de novo,
trocadilho infame...) solidão, que seja. Não pretendo maltratar ninguém. Que eu
sofra, se for o caso, a cada vez que me envolvo emocionalmente em silêncio até
que a “candidata” mostre que não era aquela (ainda?) que eu insisto em acalentar
em sonhos doces, porém tortos. Mais risos, agora contidos.
E é isso mesmo. Antes crítico a
arrependido. Antes maltratado a “maltratador”. Antes riso a choro. Fé num amor?
Não tenho mais. Mas, assim como acontece com todo aquele que não tem fé, um dia
posso ser arrebatado... e convertido. Se não apodrecer ou aposentar-me dessa
ideia de amor por invalidez mental, antes. Gargalhadas... até as lágrimas.
domingo, 25 de novembro de 2012
O MELHOR DO MAU HUMOR RODERIQUIANO
Há algum tempo, um ano, mais ou menos, criei um "especial", pensando em respostas a frases feitas, respostas essas no estilo de minhas "máximas", para produzir "O MELHOR DO MAU HUMOR RODERIQUIANO". Resolvi resgatá-lo e deixar registrado aqui no blog. Vale o "revival", acho:
1 - NO NORDESTE, TEMPO BOM, COM MUITO SOL, EM TORNO DOS 30 GRAUS. - Bom? Ah, apresentadores do tempo, vão se ferrar! Quem disse que esse calor é bom? Bom pra vocês, talvez! Bom pra mim é média anual de 20 graus, ou todo tempo nublado, como vocês têm aí! Queria ver vocês morarem nesse inferno todo dia e acharem o tempo "bom".
2 - OLHAR VITRINES É RELAXANTE, UMA TERAPIA. - Pois eu fico é traumatizado, por ver coisas quenão posso comprar. E se for ao lado de uma mulher que passe horas escolhendo pra não levar nada, aí é mais irritante ainda.
3 - GOSTO NÃO SE DISCUTE. - Ah, não? Pois terminem com as disciplinas de História da Arte, Estética etc. Gosto se discute, SIM! Exite mau gosto, com certeza! O que não se deve discutir é o respeito por quem não tem bom gosto.
4 - A VIDA COMEÇA AOS 40. - Que lindo... É verdade... Começam as dores, a certeza de que você jamais conseguirá liquidar suas contas se não ganhar não loteria, a tristeza por gente mais nova não te achar mais atraente... Na verdade, começa mesmo é a aparecer sua flacidez.
5 - O GOL SAIU NA HORA CERTA. - Alguém pode me dizer qual é a hora errada para sair um gol?
6 - O BRASIL É O PAÍS DO FUTURO. - Escuto isso desde os mais remotos tempos "pretéritos-mais-que-imperfeitos".
7 - NÃO SOU OBRIGADO A SUPORTAR A FUMAÇA DE SEU CIGARRO. - Ok. Concordo que os fumantes somos irritantes. Mas eu queria que fizessem campanhas contra corruptos, ladrões, artistas de gosto duvidoso e outros que fazem um mal - ainda maior - à sociedade tão acirradas e preconceituosas quanto as que fazem contra nós. Parece até que ser fumante é pior que ser mau caráter.
8 - O TIME "x" É O BRASIL NA COMPETIÇÃO "y". - Hipócritas, sepulcros caiados. Não vejo camisa verde-amarela ali. Seleção é seleção. Clube é clube. Não venham me dizer que tenhod e torcer parar um clube rival. Que se lixe e perca todo jogo. Time é o meu! O resto? Que se dane!
9 - HOMEM NÃO PRESTA. - Eu poderia fazer uma longa lista de exemplos, vindo de Eva, passando por Salomé, a Marcela machadiana, Madame Bovary e a Luísa do Eça, mas vou ficar com uma explicação menos ficcional: falta um artigo "O" antes dessa afirmação. A Raça Humana não presta; não o gênero masculino, apenas.
10 - O MAGISTÉRIO É UM SACERDÓCIO. - Sem comentários. Aliás, só um: se pensa assim, vá se lascar.
Máximas roderiquianas 171 a 180
Máximas roderiquianas (171) Não deves esperar que o mundo julgue as injustiças a ti infligidas e te reconheças inocente. No máximo, elas pegarão prisão perpétua e te atormentarão eternamente, só por estarem vivas. Para que te livres delas, é preciso que tu mesmo sejas um impiedoso assassino em série.
Máximas roderiquianas (172) Nunca está finado qualquer um cuja lembrança faz pulsar teu coração.
Máximas roderiquianas (173) O grande segredo para manter amizades verdadeiras eternamente não é amar POR algum motivo, mas APESAR de um.
Máximas roderiquianas (174) Quando nos deparamos com as dificuldades emocionais que insistem em nos atormentar, por mais que lutemos em busca da felicidade, é que percebemos o quanto viver é difícil e o quanto necessitamos de alguém mais além de nós mesmos. O amor dos filhos é sustentação; o dos amigos, alicerce; o próprio, sobrevivência. Mas não há como negar que a ausência de contato amoroso é algo duro de ser suprido.
Máximas roderiquianas (175) Um fim digno vale mais que dois inícios lindos ou várias continuações tortuosas.
Máximas roderiquianas (176) Aos lenhadores que querem te derrubar, nada mais resta a não ser assistir ao ressurgimento de tua essência, quando a natureza conduz tua semente para solos mais férteis.
Máximas roderiquianas (177) Não te decepciones totalmente com os seres humanos. Não vale a pena. Tanto faz se para eles nada vales ou não. O imprescindível é que eles não te afetem, por nada valeres. É difícil, mas vencerás a ti mesmo, e serás mais resistente.
Máximas roderiquianas (178) A vida é uma trilha sonora: Nascemos ao som de “Gloria” e somos embalados por canções de ninar. Depois, optamos pelos rocks rebeldes e uma ou outra balada romântica. Enfim, a marcha fúnebre e, eventualmente, quando lembrados, um ”Requiem”.
Máximas roderiquianas (179) Se te quebram uma perna, salta; se fazem o mesmo à outra, rasteja; se te partem os braços, aguarda. Alguém te arrastará pela gola da camisa.
Máximas roderiquianas (180) O omisso é o verdugo da paz interior.
sábado, 17 de novembro de 2012
De amizades e loucura...
Esse mundo é muito louco. E eu não gosto dele às vezes.
Vejam só: o que se espera dos amigos? Amizade. Preferência. Solidariedade.
Confidência. Fidelidade. Sim, talvez esse não seja o certo. Talvez o certo
fosse não termos ciúmes e não ligarmos quando uma pessoa amiga não tem cabeça
(normal, afinal, há momentos em que todos precisamos de nós mesmos, e só) para
nós, mas aceita que outra pessoa (normalmente uma que nos detesta) tente “roubá-la”
de nós. Ou que achássemos que tanto faz perder uma grande amizade ou não.
Talvez devêssemos ser frios, metódicos, indiferentes.
E, mesmo quando involuntária, diante da agressão, déssemos de ombros e
oferecêssemos a outra face. Confesso minha inabilidade em imitar Cristo. Talvez
eu seja mesquinho em achar que meus grandes amigos são pessoas por quem luto
por manter, mesmo abrindo mão de ideias e conceitos meus, em nome da preservação
de uma relação harmônica. Porque aceitar o outro não é abrir mão de si mesmo.
Mas se há algo entre os dois que se choca frontalmente, ambos tem de ceder. Ou
não é isso? Talvez também necessitássemos de imaginar que grandes amigos não devessem nos honrar,
ou aceitar que outros nos denegrissem a imagem, mesmo com silêncios absurdos ou
calúnias declaradas, não importa. Não, não estou errado. É que às vezes nossos
amigos, mesmo os melhores, falham. E é na falha deles que devemos encontrar
forças para amá-los ainda mais. Porque quando eles acharem que não valemos a
coragem de dizer não ao inimigo, ou quando acharem que nossa amizade é
indiferente, é nessa força que temos pra não chorar que resgatamos o maior
amigo: nós mesmos. E quando nos amamos mais, nós os amamos mais também. Mesmo
que eles não tenham a mesma perspicácia ou não te deem a mesma importância que
damos a eles. Certo. Seremos fortes. Estamos corretos. Um dia, eles poderão até
perceber que o que nos uniu e une é divino, pois amigos não precisam de
certidões. Estamos corretos. Mas isso não nos impede de lamentar... e chorar.
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Dois de novembro. Finados. Quero registrar meu pesar e dor quase incontidos, quase eternos, quase destruidores pela ausência de meus pais adotivos (Emmerich Szasz e Raimunda Gonçalves da Cruz), meu filho (Ícaro Costa de Szasz), parentes (avô materno, tias por parte adotiva), amigos (Ronald, Daniel Ximenes, Jeová de Quixeré)), ex-alunos (Jorgeanny, Ítalo, Linneker, Átila, Ticiany Montezuma, José Walder e outros cujos nomes não lembro agora, mas de memória eterna) e outros tantos que foram tão especiais na vida. E registro também a tristeza por aqueles que optaram por matar nossa amizade, mas cujos nomes omitirei por respeito ao passado glorioso. Enfim, para não dizer que tudo é dor, saúdo a morte de convicções, angústias e incertezas monstruosas. Que vão em paz, pois, afinal, “tudo é dor e toda dor vem do desejo de não sentirmos dor” .
sábado, 27 de outubro de 2012
Máximas roderiquianas (161 a 170)
Máximas roderiquianas (161) Se um mau-caráter opta por fazer de alguém que lhe lembra os erros cometidos um fantasma, deve tomar cuidado. Fantasmas arrastam grilhões e maldições, e assombram por toda uma eternidade.
Máximas roderiquianas (162) Filhos são, muitas vezes, embarcações. Nós os batizamos, colocamo-los para zarparem no oceano caudaloso da vida e assumimos o leme para dar-lhes um norte, embora outros imediatos e marinheiros eventualmente assumam o comando. Mas quando eles estão à deriva e colidem seriamente com os recifes, somos os últimos a abandoná-los.
Máximas roderiquianas (163) Certos instantâneos inesperados marcam a vida de uma forma inesquecível, pela estranheza, delícia e frescor. Mesmo que nunca mais se repitam (ainda que se deseje), estão gravados na alma, esculpidos na essência, eternizados no coração.
Máximas roderiquianas (164) Dizem que professores são exemplos. Ledo engano. O único exemplo a andar neste plano foi crucificado há quase dois mil anos. Essa história foi criada para que sejamos cordeiros dóceis, adaptáveis, medíocres. Somos normais, e nossa vocação e gosto pelo magistério não devem ser julgado por nossas falhas.
Máximas roderiquianas (165) A futilidade associada à tecnologia é péssima para a formação de ícones nos tempos modernos. São estátuas de sal. Desaparecem sob a primeira chuva.
Máximas roderiquianas (166) A tranquilidade reside na capacidade de equilibrar-se sobre a tensão de tentar fazer o melhor pelos outros e aguentar receber o pior em resposta.
Máximas roderiquianas (167) Teus dentes podem sorrir ou ferir; é tudo uma questão de escolha.
Máximas roderiquianas (168) A tranquilidade da inocência ou o furor pela injustiça nos emprestam um sorriso sob a lâmina do executor.
Máximas roderiquianas (169) Para aqueles que ficam bem na escuridão e no frio, é bom aproveitar o raro desejo de sentir o sol... As nuvens nunca tardam.
Máximas roderiquianas (170) Sonho com o dia em que os detratores do intelecto e do bom gosto, os corruptos e os mentirosos, todos esses sim, altamente nocivos para a saúde da nossa sociedade, sofram uma perseguição preconceituosa tão ostensiva e irritante quanto a que os fumantes recebem. Que os maus compositores e escritores, ao exporem seu trabalho, vejam o próximo colocar as mãos nos olhos e ouvidos em sinal de protesto; que se façam campanhas na televisão dizendo que está fora de moda ser corrupto; que se criem leis que tirem o direito de circulação livre de um mentiroso, de modo que ele só possa exercer sua mentira livremente dentro de sua casa.
domingo, 21 de outubro de 2012
EU SOU FELIZ E NÃO SABIA...
Este mês de outubro de 2012 vai
sendo bastante revelador para mim. Nunca imaginei que poderia estar refletindo
tanto sobre mim mesmo em tão pouco tempo. Foram conversas, pequenas alegrias,
algumas decepções, momentos solitários e um encontro com uma nova função
social, através de um curso, que muito significou para as conclusões finais a
que cheguei.
Primeiramente, descobri que, por
mais que queiramos o bem alheio, que sejamos dignos de perdoar, de nos
arrepender, de ser humildes, não podemos contar com reações equivalentes dos
outros, mesmo aqueles de quem esperamos muito. Temos que aprender a não
depender de ninguém, absolutamente ninguém. Somos sós, realmente, e esperar dos
outros é sempre frustrante. Muitas vezes algo vem, mas nunca porque esperamos, mas
porque simplesmente alguém quis fazê-lo. Gratidão, reconhecimento,
reciprocidade, compreensão, é tudo balela. Se a pessoa não quer, não é
reconhecendo seus esforços que ela refletirá sobre seus erros, deslizes ou
inconveniências. Todos são gratos por algo, desde que não tenham que se
desculpar para fazê-lo. Raros são os que reconhecem erros para suas “vítimas”.
Então, por que me amargurar? Só porque eu faço isso com tranquilidade, não
posso exigir que o façam por mim. E ponto. Serei mais feliz se esperar menos.
Descobri também que tenho de ser
mais confiante em minha personalidade, por mais estranha que ela pareça
estranha aos outros (lembro de “Máscaras”, da cantora baiana Pitty – bem a
calhar). Sou o que sou, e sou feliz sendo assim. E é essa autenticidade que
costuma dar credibilidade a meus atos e depoimentos, mesmo que alguém queira
ardilosamente me caluniar e se aproveitar de minha anterior (espero que
anterior, mesmo) fraqueza pelo medo de decepcionar os amigos. Quem for meu
amigo, mesmo, sabe quem sou e pronto. Não há calúnia e injúria, desprezo ou
fantasmagoria que me atinjam, se eu for o primeiro a reconhecer que não preciso
implorar por crença no meu ser.
As pessoas interessantes do sexo
oposto das quais me aproximo têm um comportamento estranho. A maioria desiste,
não conseguem sair de cima do muro,não se expõem, ou preferem ficar procurando
maneiras de me mudar. Como já disse antes, não querem o “pacote completo”. E
quanto mais tentam me mudar, menos conseguem. E agora, depois de tantas conclusões
a que tenho chegado, receio que será ainda mais complicado...
Sou tranquilo quando estou na
companhia da arte e do trabalho. Falta uma mulher legal pra me ouvir como foi o
dia. Sinto falta de palavras bonitas correspondidas aos meus “patéticos” (para
alguns) atos de mandar mensagens, demonstrar afeto e tal. Mas afinal, se ela
não me quer como sou, para quê sonhar com ela? Não, não. Não quero mudar, não. Deixa
assim mesmo. Antes só do que questionadamente acompanhado. Hoje mesmo saí para
comer sozinho em um rodízio de pizzas na padaria próximo a minha casa e me
apercebi, sozinho como estava, que não preciso de qualquer um pra ser feliz. Só
de amigos que queiram estar comigo, independentemente de como eu seja, ou de
alguém (se existir) que me AME assim. Então, nada de choramingos e sentimentos
de Jó. Constatação racional e fria de que não é fácil ser quem sou e pronto.
Mas... dá pra ser feliz, assim mesmo.
Por fim, descobri que,
incrivelmente, não sou tão infeliz assim quanto penso. Tudo bem, eu tenho meus
momentos de depressão por estar sem carinho, sem um beijo na boca ou um afago
na cabeça. Mas eu sou satisfeito comigo mesmo. Felizmente, tenho bom gosto
musical, literário, cinematográfico. São grandes companheiros em casa. Não preciso
de companhia para beber, o que alivia, sem ter de perturbar ninguém para vir
aqui ou sair, as dores de cotovelo. Dormir só é péssimo, mas é só me entorpecer
até a hora de dormir, seja de álcool ou de trabalho, que o sono virá com a
sutileza de uma bigorna de desenho animado caindo do vigésimo andar. E durmo.
Tenho dois filhos a quem amo
muito, embora tenha pecado e peque em um melhor acompanhamento para os dois.
Exercitar meu amor por eles não é um peso, é um prazer. E quem exercita, um dia
aprimora. Continuarei. Tive a chance de ganhar outra família no interior,
quando parecia não ter mais ninguém. Que nada! Ganhei, aos 20 anos, mãe e 7 irmãos.
Quantos podem ter esse privilégio? Tudo bem, não pertenço a uma igreja, não sou
a criatura de Deus mais cheia de fé, mas creio nEle e em seus filhos e, bem ou
mal, tento seguir o que parece ser óbvio: os ensinamentos dEles. É, não posso em
queixar nada de relações familiares, a não ser da perda absurdamente prematura
de meus pais adotivos, especialmente a de meu pai. Essa dor, como a da perda de
meu filho Ícaro, realmente não tem cura, creio. Mas eu não podia esperar
perfeição em nenhuma área da minha vida, nem nessa. Está bom, então.
Sou um profissional bem razoável
e a dificuldade em ler e responder todos os comentários no último 15 de outubro
demonstram que, tal como na minha vida pessoal, uma maioria ainda me gosta, alguns
até com uma devoção inexplicável até para mim. Falta respeito dos patrões e dos
que comandam a burocracia nas escolas, mas meus alunos e ex-alunos me lembram
de como eu gosto de fazer o que faço. E ainda virei professor “famoso”, por
conta de uma grande amizade com a banda de rock de pessoas mais legais que
conheço.
Enfim, ontem descobri que não
posso me queixar do que Deus me deu, pois há pessoas com bem menos que eu, e
que não se lamentam tanto. Melhor: que eu posso ser útil a elas. E que, mesmo
reconhecendo isso, não preciso me torturar por reclamar da solidão, da dor ou
das respostas desproporcionais daqueles em quem confio. Posso questionar, sim,
pois é da vida um pensador ser crítico, desafiador, irônico. Eu só precisava era
ter certeza de que isso não me transforma num maníaco, sorumbático ou
irritante. Agora tenho. Pois sou apenas isso: alguém feliz com o que descobre
de si a cada dia, ainda que isso não seja do gosto de muitos, ou nem mesmo do
meu. É... se não der pra alguém me aguentar, dá pra EU me aguentar, sim.
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Mais um dia do professor...
Em nosso dia, como diria Martin Luther King, "I have a dream..."
Sonho com o dia em que seremos reconhecidos e homenageados não como sacerdotes altruístas e magnânimos, que emprestam seu conhecimento, paciência e noites de sono em prol da construção de um mundo melhor, mas sim como profissionais que merecem uma valorização, se não pecuniária (apesar de tudo, ainda somos uma classe que ganha acima da média do trabalhador brasileiro), pelo menos com uma mais justa divisão de trabalho.
Sonho com o dia em que os donos de escola, diretores, supervisores, coordenadores entendam e, por conta própria, redistribuam as tarefas, tirando de nossos ombros o peso de tarefas burocráticas e excessivas, deixando-nos apenas a missão que realmente nos exige a real necessidade e competência: EDUCAR.
Sonho com o dia em que os que lideram a nação, em todos os níveis, façam e executem projetos que permitam uma educação igualitária e digna para todos, sem privilégios a segmentos públicos ou privados.
Sonho com o dia em que os setores paralelos e de suporte da educação, como a família e as lideranças comunitárias, colaborem plenamente com uma perspectiva ampla de valorização de nossa classe dentro de suas casas e comunidades, para que os jovens vejam em nós não o exemplo, mas o cidadão digno de respeito e que nada mais quer a não ser o crescimento destes mesmos jovens.
Sonho com o dia em que, enfim, as máscaras das hipócritas palavras de "peninha" ou "gratidão vazia" normalmente proferidas neste dia sejam substituídas por reais atitudes em nome da preservação e valorização da categoria, dando a nós as condições físicas, tecnológicas e psicológicas para que continuemos a desempenhar nosso papel sem temer uma aposentadoria por estresse excessivo ou invalidez mental.
A todos que ainda, apesar de tudo, não perderam a capacidade de sonhar, PARABÉNS POR NOSSO DIA!
Sonho com o dia em que seremos reconhecidos e homenageados não como sacerdotes altruístas e magnânimos, que emprestam seu conhecimento, paciência e noites de sono em prol da construção de um mundo melhor, mas sim como profissionais que merecem uma valorização, se não pecuniária (apesar de tudo, ainda somos uma classe que ganha acima da média do trabalhador brasileiro), pelo menos com uma mais justa divisão de trabalho.
Sonho com o dia em que os donos de escola, diretores, supervisores, coordenadores entendam e, por conta própria, redistribuam as tarefas, tirando de nossos ombros o peso de tarefas burocráticas e excessivas, deixando-nos apenas a missão que realmente nos exige a real necessidade e competência: EDUCAR.
Sonho com o dia em que os que lideram a nação, em todos os níveis, façam e executem projetos que permitam uma educação igualitária e digna para todos, sem privilégios a segmentos públicos ou privados.
Sonho com o dia em que os setores paralelos e de suporte da educação, como a família e as lideranças comunitárias, colaborem plenamente com uma perspectiva ampla de valorização de nossa classe dentro de suas casas e comunidades, para que os jovens vejam em nós não o exemplo, mas o cidadão digno de respeito e que nada mais quer a não ser o crescimento destes mesmos jovens.
Sonho com o dia em que, enfim, as máscaras das hipócritas palavras de "peninha" ou "gratidão vazia" normalmente proferidas neste dia sejam substituídas por reais atitudes em nome da preservação e valorização da categoria, dando a nós as condições físicas, tecnológicas e psicológicas para que continuemos a desempenhar nosso papel sem temer uma aposentadoria por estresse excessivo ou invalidez mental.
A todos que ainda, apesar de tudo, não perderam a capacidade de sonhar, PARABÉNS POR NOSSO DIA!
Máximas roderiquianas (151 a 160)
Máximas roderiquianas (151) O relógio de quem julga sempre é muito mais adiantado do que o daquele que aguarda.
Máximas roderiquianas (152) Seria preferível presidir meu funeral a um enterro de um dos meus sonhos.
Máximas roderiquianas (153) Não emudeças diante de desaforos. Quem engole sapos não tem como arrotar canários.
Máximas roderiquianas (154) O grande problema de nosso planeta é que há mais vermes perambulando entre os vivos que decompondo seus mortos.
Máximas roderiquianas (155) O razoável (e também difícil) para sobreviver nesta selva é ter paciência na hora em fores covardemente acuado. A fera mais selvagem ou a cobra mais traiçoeira um dia também encontram seu predador.
Máximas roderiquianas (156) Nenhuma feiura resiste a 30 minutos de copos cheios; nenhuma beleza sobrevive se pertencente a 30 segundos de um cérebro vazio.
Máximas roderiquianas (157) Álcool excessivo enjoa; sem ele, porém, a alma destoa; então, minha Dor ele corroa!
Máximas roderiquianas (158) Não existem cores vivas na paleta de um pintor angustiado que possam preencher, na tela da vida, o branco da falta de expectativas.
Máximas roderiquianas (159) Neste circo que é o mundo, só há um modo de sobreviver enquanto você não decide se é um equilibrista, domador ou mágico. É não ser o palhaço.
Máximas roderiquianas (160) Quando somos injustiçados e sentimos pena de nossa condição e ódio de nossos detratores, ficando portanto deprimidos, só há uma coisa a fazer: passar a ter pena deles e ódio de nós mesmos. Daí vem a força para, ao secar as lágrimas, reerguer.
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Mais um vídeo para ser guardado: outra vez meu ex-aluno Eduardo e sua equipe da faculdade resolveram me entrevistar, desta vez por conta de precisarem produzir um vídeo de 5 minutos sobre a relação de um fã e sua banda favorita.
Obrigado a eles pela homenagem...
http://www.youtube.com/watch?v=5K6EDCQraYU
Obrigado a eles pela homenagem...
http://www.youtube.com/watch?v=5K6EDCQraYU
domingo, 30 de setembro de 2012
EPIFANIA
Finalmente descobri por qual motivo, muito provavelmente,
terminarei meus dias sozinho. Conversando com amigas, ex-namoradas,
ex-candidatas, ex-quase-candidatas; vivenciando inícios de relações interrompidas
por mim ou pela outra parte de forma traumática ou simplesmente pensando na
vida, achei a resposta: não basta uma pessoa se identificar com outra. A uma
capacidade raríssima de fidelidade de um homem deve corresponder uma mais rara
ainda capacidade feminina de tolerar dois “pecados imperdoáveis” que um homem
pode ter, na opinião delas: popularidade e um gosto por tudo aquilo que for
diferente, esquisito ou “condenável” pela sociedade “comum”: agnosticismo,
rock, cigarros, álcool, livros e filmes fora da lista dos mais vendidos,
atitude.
As mulheres não querem simplesmente um homem em quem possam
confiar. Querem que ele confie sua vida a ela e a seus princípios, como um
manso cordeiro apaixonado. Não basta que ele se encante por ela. Mas deve se
encantar também por ter prazer em mudar por elas, naquilo que ela acha que deve
mudá-lo para que ele se torne doméstico e apresentável à família e amigos. Nada
de homens de personalidade forte, marcante, que possam ser independentes
intelectualmente, apesar de amá-las com sinceridade e honestidade. De forma
alguma. Isso não basta. Ele precisa ser “civilizado”, “discreto”, “religioso”, “eclético”,
adaptável, enfim. Seu espírito formador de família, maternal e conservador, não
é compatível com homens que não dependam disso para viver, embora as respeitem
e mesmo venerem, quando estão a seu lado.
Ser diferente nesse mundo é um pecado mortal. Para elas, só
pode ser diferente o SEU homem: seu carinho, a sua meiguice, a sua fidelidade,
coisas que elas buscam, com sinceridade e propriedade, numa relação ideal. “Ele
não pertence mais ao mundo, nem a si mesmo, mas a mim – preservo dele o que
acho lindo e com o que sempre sonhei, e ele que trate de mudar o que não me
interessa” – ; esse parece ser, ainda que inconscientemente, o lema da maioria
delas.
E antes que minhas amigas, alunas, ex-alunas e eventuais
participantes das conversas citadas acima venham se queixar, quero deixar claro
que não vai aqui nenhuma crítica. Não lhes considero certas ou erradas. Estão
no direito de desejar aquilo pelo que mais anseiam. Só estou constatando que,
nesse caso, não há espaço para mim, como homem, na vida de muitas das mulheres
pelas quais me interessei.
Afinal, tenho, sem falsa modéstia, muitas das qualidades
desejadas: dedicação, fidelidade, carinho, respeito, atenção. Mas também não
sou manso, discreto, religioso, eclético, adaptável. Gosto do esquisito, do
condenável, do diferente, de popularidade, de minha personalidade forte e um
tanto intelectual com a mesma intensidade que posso amar a uma mulher com
devoção invejável. Mas, para isso, a mulher tem de querer o “pacote completo”,
com as qualidades e os “defeitos”. Não estou, por ora, disposto a mudanças. Sou
feliz com meus supostos “radicalismos”, aos quais prefiro chamar “elementos de
minha personalidade”, pois é isso o que são.
Legal ter finalmente chegado a essa conclusão. Só não sei o
que fazer com ela: se bebo pra comemorar essa epifania ou se bebo pra lamentar
meu aparentemente irreversível destino.
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
Máximas 141 a 150.
Máximas roderiquianas (141) Acreditar é cansar; querer é sofrer; sorrir é fugir.
Máximas roderiquianas (142) O uso da inverdade, o desprezo e a arrogância são crimes tão grandes contra a Humanidade, que aqueles que o cometem deveriam ser condenados à execração pública enquanto vivos fossem
Máximas roderiquianas (143) Standing by and keeping tight for aiming high.
Máximas roderiquianas (144) O rock gótico (ou pós-punk), a literatura do século XIX e os filmes de terror são a maior síntese de que a dor, o chocante e a melancolia podem ser expressos através do Belo.
Máximas roderiquianas (145) A Depressão é o engodo do Demônio; a Euforia é o engodo de Deus. Deixe ambas de lado.
Máximas roderiquianas (146) Apostar em uma mudança de vida é como cometer um suicídio lento: sofre-se durante todo o processo, não se sabe quando o efeito desejado vai ocorrer e muito menos se o que lhe espera do outro lado valeu todo o sacrifício.
Máximas roderiquianas (147) Alguns teimosos querem tratar os relacionamentos como restaurantes self-service. Querem colocar ou retirar do parceiro os ingredientes que bem entendem. Não aceitam que as pessoas são pratos feitos: no máximo dá para variar o tempero.
Máximas roderiquianas (148) Eis a fórmula da Solidão. Caráter – hipocrisia + fidelidade – traição + opinião – ecletismo + verdade – dissimulação + inteligência – beleza + fé – dogma + cultura – matéria + irreverência - mesmice = Solidão.
Máximas roderiquianas (149) Ter medo é natural. Superestimá-lo é surreal. Render-se a ele é irracional.
Máximas roderiquianas (150) Aqueles que hoje celebram, com festa, o tripudiar sobre suas vítimas, terão seus ossos transformados em velas e seu cérebro maléfico vertido em cálice de sangue, quando a Verdade não mais lhes deixar em paz e o Destino lhes condenar.
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Um ex-aluno meu, Eduardo Cunha Sousa, para atender a um trabalho da faculdade, veio fazer um vídeo comigo sobre cultura gótica. Saiu muito legal. Para você que quer conhecer ou relembrar essa época, ou simplesmente para saber um pouco mais de minha personalidade... Agradeço ao Eduardo pela lembrança, que pra mim ficou como uma espécie de homenagem... Obrigado!
http://www.youtube.com/watch?v=9YabVEZwyaY
http://www.youtube.com/watch?v=9YabVEZwyaY
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
Máximas 131 a 140.
Máximas roderiquianas (131) Vida limita. Arte infinita.
Máximas roderiquianas (132) A vida eterna espiritual dá medo. A morte eterna terrena aterroriza. Porque, em ambos os casos, o homem só se perpetua por seu legado.
Máximas roderiquianas (133) Fraquejar é perdoável; delatar-se, execrável.
Máximas roderiquianas (134) From a suicide’s diary: “No vein, no pain”.
Máximas roderiquianas (135) Quando a solidão afeta a alma ao ponto máximo de ausência de amor, o corpo irrompe em espasmos de galante inquisição: “Quem poderia ser?”
Máximas roderiquianas (136) Há armas para os grandes inimigos. Contra o Diabo, há a prece. Deus é maior. Contra os hipócritas e indignos, há os amigos. São maiores. Mas não há salvação quando teu maior de todos os inimigos é tu mesmo. Porque ninguém consegue ser maior em tua mente do que tu mesmo.
Máximas roderiquianas (137) Decidi trocar a violenta tormenta de meus virulentos sentimentos pelos ventos bolorentos de meus horrendos pensamentos. E aguardo, em sedento desalento, a chegada de meu lento passamento. E sem lamentos.
Máximas roderiquianas (138) Na Bolsa de Amores, cansei de investir a longo prazo e fundo perdido. Agora, quero eu ser um investimento de alguém. A curto e declarado prazo. Já me desvalorizei demais. Quem quiser que invista em minhas ações, daqui para frente.
Máximas roderiquianas (139) Coopero? Não quero, reitero. Se prospero? Se espero? Não. Desespero.
Máximas roderiquianas (140) As provas que um professor tem para corrigir são os únicos seres inanimados que se reproduzem
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
POR MIM, POR MIM!
Amarras de farpados arames envoltos no músculo avermelhado e
duro... O sangue escorre lento e viscoso... negro, não, quase negro, pois o
aguado das lágrimas deu um leve toque carmim ao embrutecido órgão. Se ele
teimava em bater, sorrir, esperar, nada mais há. E simplesmente porque não pode
haver. Se ele ousar se mexer o ideal é eu torturá-lo sem dó, sem qualquer atitude
que lembre humanidade. Mas súbito percebo que isso pode não fazer efeito.
Muitos antes já não o trataram com humanidade e ainda assim ele insistiu. Esse podre
coração precisa ser mais maltratado, até não mais bater por nada, por ninguém,
por nenhum tipo de desejo ou porvir. Mas tal tem de ser concretizado de ser por
mim, por mim!Nada de sucumbir aos sorrisos falsos, às palavras fraternais de
conforto, mesmo que bem intencionadas. Nada de pôr os olhinhos de fora de minha
caverna, procurando luz ou ar. Sufocar, suplantar, sucatear sentimentalismos e
autopiedade. Mas por mim, por mim!Se é de acabar com essa tragicômica mania
maldita de crer, que seja eu o sensicida. Não quero mais ser vítima de ninguém.
Algoz de mim, é o que serei. Tirarei das mãos alheias a corda que puxa a lâmina
decapitadora, para eu mesmo puxar uma
lâmina dessentimentalizadora, que acabará com todo o mal... Pela raiz, pela
cabeça, pelo tronco, pelo membro, que seja! Que uma melancólica valsa outonal
venha a tocar como funérea melodia de meus últimos suspiros do coração. Não
quero mais suspirar por ninguém, por coisa alguma. Quero ensimesmar-me até o
fundo da caverna. Sem luz, sem água, sem desejo. Aberração não é o que serei, é
o que vivo quando ainda creio, quando aposto, quando confio e espero. Que os
ventos leves levem-me a notícia dos últimos estertores do meu antes obstinado,
agora findado órgão irresponsável, que me permitiu o maior de todos os erros:
acreditar. E que esse vento traga o aroma pútrido de minhas velhas emoções,
definhando sob o sol, engordando os corvos que andam-me há tempos a espreitar-me.
Sim, corvos, conseguiram me ver morto. Mas pelo menos não lhes dei o gosto de
presenciarem meu fim. Eu o fiz! Eu! Fiquem com os restos desse coração que só
me fez mal. Sem ele, estarei mais forte e mais preparado para o próximo ataque
de vocês. E quando vierem buscar-me no fundo da caverna, será minha vez
furar-lhes os olhos e a vaidade. Porque não terei mais compaixão. E ali
ficarei, eternamente, a alimentar-me apenas de minhas dores. É uma dieta
conhecida. Só tinha que me acostumar com ela. Antes um mal necessário, agora o
fim de toda a angústia.
domingo, 2 de setembro de 2012
Desabafo de um profissional apaixonado pelo que faz.
Sexta-feira e sábado, tarde e noite, praticamente completos,
dedicados à elaboração e correção de provas. Tudo para pensar em ter direito a
um domingo de descanso ou lazer. E chego, a esta hora da madrugada, à triste
constatação de que não o terei. Está no tempo de as pessoas que estipulam
prazos lembrarem que somos humanos, não máquinas.
E não adianta virem com
frases como "São os ossos do ofício" ou "Quem não pode com o
pote, não pegue na rodilha". Isso é detestável, é a inversão total de
valores. Não trabalho em tantas escolas porque queira ser rico, mas porque
quero pagar minhas contas, dar dignidade a mim e a meus filhos e ter lazer
(sim, por acaso não podemos?). Se recebesse o que merece um profissional da
educação por uma ou duas escolas apenas, sem ocupar todos os expedientes, e
isso fosse o suficiente para dar o mínimo a mim e aos meus e poder descansar no
fim de semana, não faria nenhuma questão de acumular riquezas. Esclareço logo que não estou
reclamando de salário porque, apesar de tudo, nossa classe ainda é uma das que
recebe relativamente bem em comparação a outras, especialmente em escolas
particulares. Falo de respeito aos homens e mulheres que se dedicam a essa
profissão e não têm direito sequer a ter um encontro decente com a família ou
consigo mesmo em um final de semana, porque algum burocrata acha que para que a
escola mostre excelência, tudo tem de ser feito com extrema rapidez e, para
isso, o professor deve ser o sacrificado. É tudo uma questão de boa vontade (ou
má vontade, se pensarmos nos que nos impõem as datas-limite inadequadas) e de
ideologia.
As outras funções da escola, que dificilmente levam trabalho para
casa, têm prazos compatíveis para realizar todas suas obrigações dentro do
expediente. Já nós, professores, que aceitemos nosso "destino"? Não,
não é por aí. Precisamos sentar e discutir isso. Se nós somos a
"mola-mestra" da educação, como adoram dizer nas tão contraditórias
homenagens ao dia do professor, se somos tão importantes, por os calendários
não são feitos pensando também em nós? Sempre pensam em todos os setores:
secretaria, gráfica, coordenação... Todos precisam de tempo hábil para fazer
sua função dentro da escola. E nós, que levamos o serviço mais pesado para
casa, temos um tempo igual ou inferior proporcionalmente ao que eles dispõem. Alguém
vai lembrar que recebemos uma tal “5ª semana” para fazermos isso. Mas quem,
senhores, quem entre os que temos responsabilidade, gastamos esse tempo apenas nos seus afazeres
educacionais? E lá vêm as exigências... Antecedência brutal na entrega de
provas, de suas notas... Hoje contamos faltas, digitamos as provas, as notas...
Fazemos as funções de vários setores, aliviamos o trabalho de todos eles. E nem
mesmo o tempo que eles tinham na escola para fazer isso nos é acrescido para
fazer a função deles, além da nossa. Nós que nos viremos com o mesmo tempo (ou
menos, até!) para mais esses atributos. O absurdo é que alguns ainda nos olham
com cara de espanto ao nos lamentarmos, como se não tivéssemos direito a querer
ter um dia (eu disse UM DIA) do fim de semana TOTALMENTE livre. Parece, para
tais pessoas (que não são mal intencionadas, creio, mas totalmente fora da
realidade, porque não passam pelo que passamos), que estamos pedindo algo tão
impensável quanto o fim do conflito no Oriente Médio. E qual é o problema em
querer um prazo que me permita corrigir e elaborar tudo com folga suficiente
para aproveitar UM DIA do fim de semana, em TODAS as semanas, como
qualquer trabalhador comum nesse país? É
tudo questão de boa vontade, já disse.
A esta hora, com certeza, muitos (talvez
não todos) que estarão esperando nossas notas na segunda-feira para
analisá-las, conferi-las, revisá-las ou simplesmente aguardarão nossas próximas
atividades estão dormindo, amando, deliciando-se com a companhia dos filhos, de
uma cervejinha ou de um filminho na TV. E amanhã não farão nada relativo a
trabalho. Enquanto isso, eu e outros tentamos nos desdobrar para tentar passar
ao menos meio domingo pensando em ir a uma praia, assistir ao futebol ou simplesmente
brincar com os filhos. E muito provavelmente vários, como eu, chegaram à mesma
triste conclusão que eu: o esforço foi em vão, porque a sobrecarga de
obrigações é extrema, e o meu domingo pertencerá a estes, os únicos seres
inanimados que se reproduzem: as provas. Até quando aceitaremos isso calados?
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Uma noite dos infernos.
Cansado de ter de me virar em 10 entre profissional, dono de casa e deprimido solitário. E o pior: não posso ou não consigo me livrar de nenhuma dessas atividades. Energia oscila, gás acaba na hora em que vou comer, a casa no escuro e eu me sentindo terrivelmente só. Foi uma noite pra esquecer, mas isso também não posso (tenho sempre de me lembrar que não posso me empolgar com NADA) e não consigo (acho que só me livro da tal depressão porque a Arte me dá alegria - mas como ontem não pude ler, ouvir, ver nada...). Para terminar, à meia-noite me lembrei que 31 de agosto seria o aniversário de meu saudoso pai, se estivesse vivo.
Queria beber muito pra amenizar a angústia que vivi a noite passada, mas tenho que corrigir e elaborar as provas que as escolas insistem em querer urgência todas ao mesmo tempo. E o pior: sei que não vaid ar tempo de fazer tudo. Queria chorar no ombro de alguém, mas meus amigos não gosto de incomodar - até porque muitos acham que eu dramatizo - e não tenho um amor pra compartilhar a angústia existencial ou as dificuldades diárias. Queria me distrair com Arte pra esquecer tudo, mas a oscilação de energia me impediu.... Chorei na escuridão.
Pai, é teu aniversário. Mas me dá um presente? Leva-me pra junto de ti...
domingo, 26 de agosto de 2012
Máximas roderiquianas: 121 a 130
Máximas roderiquianas (121) O desencontro do amor não está no platonismo masculino, mas no nietzschianismo feminismo: elas querem um super-homem.
Máximas roderiquianas (122) Sonho com seus beijos e versos a 4 mãos. A realidade me chama com um lindo sorriso fraternal e a certeza de que há versos que é melhor não escrever. Sonetos sonhados são menos doloridos que emendas efetivas, mesmo que afetivas.
Máximas roderiquianas (123) A verdade conjuncional: você é perfeita, pois sensível; e linda, ou total; mas inatingível, portanto lágrimas.
Máximas roderiquianas (124) Não cries rancor dentro de tua casa. Retira-o da sala de estar, encoleira-o, conduze-o ao quintal. Ali, alimenta-o e acalenta-o com ardor. Um dia, quando ele já estiver bem odioso, dele precisarás para investi-lo contra aqueles que te arrombaram a porta de casa para assaltar-te a alma.
Máximas roderiquianas (125) O isolamento é a melhor cura para a esperança.
Máximas roderiquianas (126) Entre a desistência covarde e a renúncia inteligente existe apenas um obstáculo: a adaptação.
Máximas roderiquianas (127) Não temo a morte, mas a dor. Se um anjo viesse até a mim avisar que eu iria falecer naquela noite, durante o sono, minha única reação seria perguntar: “Vai doer?”
Máximas roderiquianas (128) Um sorriso, uma palavra doce, uma batida mais acelerada de coração. Por um instantinho, suspiro. A seguir, a mensagem cerebral: "Deixe de ilusão, a moça só é simpática". Ainda bem que o mundo me vacinou contra esperanças vãs...
Máximas roderiquianas (129) Os modismos modernos aborrecem. Mas seus seguidores posando de intelectuais ou achincalhando a Arte e a Língua de valor é o que mais irrita. Para eles, o Bom é ultrapassado e o Belo, patético.
Máximas roderiquianas (130) Paixões vêm e vão. Amores fincam e ferem.
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
ALGO RARO
Eu, que sou tão crítico e pessimista sobre minha pessoa, às vezes me surpreendo e encontro algo de bom. Descobri que o rancor não faz parte de mim quando a mágoa veio, no passado, de pessoas que são boas. Não torço contra elas, não me regozijo com a dor alheia. Não sou revanchista. Mas só com as pessoas que são realmente humanas, mesmo tendo falhado comigo. Também não sou otário. Se são malignas, que se danem e sofram. Então... acabo de descobrir algo raro em mim: uma virtude... o perdão. Não resolve meus problemas, mas dá uma noite de consciência tranquila e uma certa "paz". É, acho que hoje durmo cedo e satisfeito comigo, só pra variar... Mas não se animem. Amanhã volto a ser o chato, insuportável e derrotado de sempre... A solidão é maior que a paz.
domingo, 12 de agosto de 2012
OS DIAS DE TODOS OS PAIS (EM 4 ATOS)
PRIMEIRO ATO - MEU PAI
Meu pai eu o perdi há 27 anos. Se ele fosse vivo, completaria 111 anos em 31 de agosto próximo. Porque ainda conto os anos? Porque em minha mente adolescente meu super-herói jamais seria tirado de mim. Super-herói, sim, indestrutível, mentor intelectual, mestre, psicólogo, curandeiro, nutricionista, professor, guru e, quando necessário, carcereiro. Carcereiro de meus ímpetos, devaneios juvenis e momentos non-sense. Lembro de uma noite, aos meus 10 anos, em que tive uma dor de ouvido monstruosa. E de minha mãe falar que a única farmácia aberta 24 horas ficava no centro da cidade a uns 30 quarteirões dali. Ainda os chamei para dizer que a dor havia passado. Mas meu pai notou meu sacrifício, beijou minha testa, disse "já venho" e partiu para o dele. Cerca de duas horas mais tarde, alta madrugada, ele chegava com as gotas na mão. E no corpo também, Chovia torrencialmente. Meu pai fazia tudo tão certo que, mesmo sem saber, fazia-me bem. Sua morte, tão dolorosa para mim, aos meus 15 anos, por incrível que pareça, chegou na idade certa para eu me rebelar, virar gótico, fã de rock'n'roll e meio depressivo. Imaginem ser tudo isso hoje, depois dos 40? Rebelde tardio, gótico em tempos não-recomendáveis de se andar à noite - como pernoitar no São joão Batista nos dias de hoje? - , roqueiro de bandas pífias. Não... ele tinha de morrer nos anos 80. Sábia morte, mesmo involuntária.
SEGUNDO ATO - EU, PAI VIVO.
Uma coisa sobre a qual eu sempre pensei foi no peso de carregar-se o nome de alguém com o adendo "Filho" ou "Neto". Pensem na responsabilidade de ser a continuação de tudo o que o nome de um bom pai representa! Agradeço a ele esta sábia decisão: não fui "Filho". Nem fiz isso aos meus. Talvez para eles o problema fosse outro: não carregar as correntes de meus erros. Fui e sou um pai apenas razoável. As circunstâncias dos momentos conturbados nos relacionamentos que tive me levaram a ausentar-me de casa antes que meus filhos tivessem consciência da vida. Primeiro, Iasmyne. O que de bom pude dar a ela foi o suor que me foi devidamente cobrado, quando o salário reduzia. Cada dia em que a fome quis me vencer por algumas horas era compensado com a constatação de que ela vivia dignamente, apesar das dificuldades. E também dei-lhe uns bons genes para o estudo e a atitude firme. É pouco, eu sei... Mas o amor, esse não tem limite. Por Emanuel, que nasceu de meu coração, mas não de meu sangue, pude ocasionalmente repetir o que foi feito por mim, mormente na adoção, simbolicamente numa caminhada menor (cerca de 12 quarteirões), sem chuva mas com igual disponibilidade em nome da medicação. E ainda sobrou amor. Esse a quem dedico a meus alunos, todos filhos queridos.
TERCEIRO ATO - EU, PAI MORTO
Entre os dois filhos registrados, perdi Ícaro. Sei que aqueles que me leem agora e perderam um filho sabem que não há dor maior. Prematuro, finado em poucos dias, ensinou-me também muitas coisas. Entre elas, que a violência da quebra da sequencia lógica e temporalidade de quem morre primeiro nos deixa confusos, doentes e... fortes, por mais estranho que tal coisa pareça. E ele levou levou o restinho das sensações de amor que me sobraram, dentro de seu caixãozinho, que mais parecia uma urna com as cinzas de meu próprio cadáver.
QUARTO ATO - O PAI DOS PAIS
As cortinas um dia se fecharão quando, no alto, eu reencontrarei meu pai, Ícaro e o Pai dos Pais. Se lá não me for permitido ficar, já terei vivido meu paraíso na Terra: amei todos os meus filhos.
Meu pai eu o perdi há 27 anos. Se ele fosse vivo, completaria 111 anos em 31 de agosto próximo. Porque ainda conto os anos? Porque em minha mente adolescente meu super-herói jamais seria tirado de mim. Super-herói, sim, indestrutível, mentor intelectual, mestre, psicólogo, curandeiro, nutricionista, professor, guru e, quando necessário, carcereiro. Carcereiro de meus ímpetos, devaneios juvenis e momentos non-sense. Lembro de uma noite, aos meus 10 anos, em que tive uma dor de ouvido monstruosa. E de minha mãe falar que a única farmácia aberta 24 horas ficava no centro da cidade a uns 30 quarteirões dali. Ainda os chamei para dizer que a dor havia passado. Mas meu pai notou meu sacrifício, beijou minha testa, disse "já venho" e partiu para o dele. Cerca de duas horas mais tarde, alta madrugada, ele chegava com as gotas na mão. E no corpo também, Chovia torrencialmente. Meu pai fazia tudo tão certo que, mesmo sem saber, fazia-me bem. Sua morte, tão dolorosa para mim, aos meus 15 anos, por incrível que pareça, chegou na idade certa para eu me rebelar, virar gótico, fã de rock'n'roll e meio depressivo. Imaginem ser tudo isso hoje, depois dos 40? Rebelde tardio, gótico em tempos não-recomendáveis de se andar à noite - como pernoitar no São joão Batista nos dias de hoje? - , roqueiro de bandas pífias. Não... ele tinha de morrer nos anos 80. Sábia morte, mesmo involuntária.
SEGUNDO ATO - EU, PAI VIVO.
Uma coisa sobre a qual eu sempre pensei foi no peso de carregar-se o nome de alguém com o adendo "Filho" ou "Neto". Pensem na responsabilidade de ser a continuação de tudo o que o nome de um bom pai representa! Agradeço a ele esta sábia decisão: não fui "Filho". Nem fiz isso aos meus. Talvez para eles o problema fosse outro: não carregar as correntes de meus erros. Fui e sou um pai apenas razoável. As circunstâncias dos momentos conturbados nos relacionamentos que tive me levaram a ausentar-me de casa antes que meus filhos tivessem consciência da vida. Primeiro, Iasmyne. O que de bom pude dar a ela foi o suor que me foi devidamente cobrado, quando o salário reduzia. Cada dia em que a fome quis me vencer por algumas horas era compensado com a constatação de que ela vivia dignamente, apesar das dificuldades. E também dei-lhe uns bons genes para o estudo e a atitude firme. É pouco, eu sei... Mas o amor, esse não tem limite. Por Emanuel, que nasceu de meu coração, mas não de meu sangue, pude ocasionalmente repetir o que foi feito por mim, mormente na adoção, simbolicamente numa caminhada menor (cerca de 12 quarteirões), sem chuva mas com igual disponibilidade em nome da medicação. E ainda sobrou amor. Esse a quem dedico a meus alunos, todos filhos queridos.
TERCEIRO ATO - EU, PAI MORTO
Entre os dois filhos registrados, perdi Ícaro. Sei que aqueles que me leem agora e perderam um filho sabem que não há dor maior. Prematuro, finado em poucos dias, ensinou-me também muitas coisas. Entre elas, que a violência da quebra da sequencia lógica e temporalidade de quem morre primeiro nos deixa confusos, doentes e... fortes, por mais estranho que tal coisa pareça. E ele levou levou o restinho das sensações de amor que me sobraram, dentro de seu caixãozinho, que mais parecia uma urna com as cinzas de meu próprio cadáver.
QUARTO ATO - O PAI DOS PAIS
As cortinas um dia se fecharão quando, no alto, eu reencontrarei meu pai, Ícaro e o Pai dos Pais. Se lá não me for permitido ficar, já terei vivido meu paraíso na Terra: amei todos os meus filhos.
sábado, 11 de agosto de 2012
"O país que joga com as mãos"? Tá bom...
Ok, ok. É impossível não se emocionar com a forma pela qual as meninas do vôlei foram campeãs. Classificando no apagar das luzes, virando espetacularmente contra a Rússia, escapando de um choque emocional do primeiro set contra as americanas, hoje. Lindas, perfeitas, raçudas.
Também está certo que a seleção de futebol, como sempre, abusou do salto alto, e voltou a decepcionar, não conquistando o ouro. Eles têm muito a aprender com a garra e humildade dos atletas de vôlei e de outros esportes. Aliás, nem é mais novidade.
Agora, dá raiva ver umas postagens das pessoas nas redes sociais. "Brasil, o país dos esportes com as mãos" etc etc. Ah, papo furado. Quantos de vocês, que postaram ou curtiram esse tipo de coisa, saem de casa para assistir campeonatos nacionais ou mesmo locais de vôlei, basquete ou handball? Inclusive, sem citar nomes, há muitos que são "doentes" por seus times de coração. Só veem esses esportes na época dos Jogos Olímpicos.
A verdade é uma só: o problema não é o futebol. É a seleção brasileira. Nós amamos nossos clubes, mas não temos identificação com a seleção como antigamente, quando esta não "roubava" nossos jogadores durante as competições. Eu mesmo, por exemplo, sou réu confesso: torci para o Brasil cair fora cedo, pois queria que Leandro Damião voltasse logo pro Inter. Só torci pelo time de Mano Menezes a partir das semifinais, porque aí não daria tempo de Damião voltar mais cedo mesmo.
Portanto, larguem de besteira. O Brasil é o país do futebol, SIM. O que não impede que admiremos outros esportes e atletas das mais variadas modalidades (inclusive aquelas que todo mundo vira expert a respeito só depois que o Brasil fatura um bronzezinho suado, sem nenhum patrocínio ou torcedores). A crítica deve existir e sempre é válida, mas vamos ter bom senso. Só pode falar mal do futebol quem realmente não gosta dele, nem na época de Copa do Mundo.
Em tempo: Será que devo dizer "ainda bem" porque nosso pugilista ficou só com a prata? Seria mais um a ganhar uma medalha dourada "com as mãos", e outro prato cheio para os detratores do maior esporte nacional... Hum, não. Torci por ele, apesar de tudo. Pena que não deu.
Meu lado B...
Dia desses assisti, maravilhado, a um filme que tinha ganhado de presente havia uns 3 anos e o qual ainda não tinha visto: "Encarnação do Demônio", o filme de 2008 de Zé do Caixão, que encerrava a trilogia iniciada por "À meia-noite levarei sua alma" (1964) e "Esta noite encarnarei em teu cadáver" (1967). E me peguei comentando comigo mesmo como gosto dessas produções ditas "B". De súbito, percebi que quase tudo de que gosto no campo artístico é meio "B". E não desvalorizo os grandiosos. É apenas uma questão de gosto... Senão vejamos...
CINEMA/TV
- Prefiro filmes "B" a megaproduções; os enredos são bem melhores.
- Prefiro atores menos badalados como Anthony Hopkins, David Niven e o próprio Zé do Caixão a outros como Leonardo di Caprio, Clark Gable ou Lima Duarte.
- Prefiro Tim Burton a Steven Spielberg.
- Prefiro desenhos animados como "A corrida maluca" e "Pegue o pombo" a animações da Disney (pra falar a verdade, muitos vão me criticar com bravura, mas detesto todos esses longa-metragens de animação, exceto "A noiva-cadáver").
MÚSICA
- Prefiro baixo a guitarra.
- Prefiro violoncelo a violino.
- Prefiro blues ao jazz (insuportável virtuosismo meramente técnico).
- Prefiro Accept a Led Zeppelin.
- Prefiro Faith No More a Oasis.
- Prefiro The Cure e Bauhaus a U2 e Beatles (milhões de anos-luz de diferença).
- Prefiro Biquini Cavadão e Camisa de Vênus a Legião Urbana e Paralamas.
LITERATURA
- Prefiro Simbolismo a Romantismo.
- Prefiro Augusto dos Anjos e Poe a Drummond e Hemingway.
- Alguém vai lembrar: "E o Machado? É do primeiro escalão!" Verdade. Mas se colocarmos no mesmo patamar, prefiro o velho carioca a Shakespeare, outro gigante de igual porte, por exemplo, mas do Lado B da Literatura Mundial.
E aí cheguei à conclusão de que sou assim, mesmo: gosto mais daquilo que poucos gostam. Opção? Fetiche? Gosto em ser excêntrico? Não, natureza... A mesma natureza que me impede de tomar caminhos ditos "normais" em relacionamentos, profissão, sobrevivência...
E sabem do pior? (Ou não...)
Adoro tudo isso.
-
CINEMA/TV
- Prefiro filmes "B" a megaproduções; os enredos são bem melhores.
- Prefiro atores menos badalados como Anthony Hopkins, David Niven e o próprio Zé do Caixão a outros como Leonardo di Caprio, Clark Gable ou Lima Duarte.
- Prefiro Tim Burton a Steven Spielberg.
- Prefiro desenhos animados como "A corrida maluca" e "Pegue o pombo" a animações da Disney (pra falar a verdade, muitos vão me criticar com bravura, mas detesto todos esses longa-metragens de animação, exceto "A noiva-cadáver").
MÚSICA
- Prefiro baixo a guitarra.
- Prefiro violoncelo a violino.
- Prefiro blues ao jazz (insuportável virtuosismo meramente técnico).
- Prefiro Accept a Led Zeppelin.
- Prefiro Faith No More a Oasis.
- Prefiro The Cure e Bauhaus a U2 e Beatles (milhões de anos-luz de diferença).
- Prefiro Biquini Cavadão e Camisa de Vênus a Legião Urbana e Paralamas.
LITERATURA
- Prefiro Simbolismo a Romantismo.
- Prefiro Augusto dos Anjos e Poe a Drummond e Hemingway.
- Alguém vai lembrar: "E o Machado? É do primeiro escalão!" Verdade. Mas se colocarmos no mesmo patamar, prefiro o velho carioca a Shakespeare, outro gigante de igual porte, por exemplo, mas do Lado B da Literatura Mundial.
E aí cheguei à conclusão de que sou assim, mesmo: gosto mais daquilo que poucos gostam. Opção? Fetiche? Gosto em ser excêntrico? Não, natureza... A mesma natureza que me impede de tomar caminhos ditos "normais" em relacionamentos, profissão, sobrevivência...
E sabem do pior? (Ou não...)
Adoro tudo isso.
-
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
Hierarquia do sorriso nos Jogos Olímpicos...
Os Jogos Olímpicos vão chegando ao fim e eu descobri algumas coisas que me fizeram rir, de formas variadas... Resolvi fazer uma escala gradual, de acordo com o nível de sorriso...
1 - Ver o surpreendente desempenho (na fase inicial) e a angústia do confronto com a realidade cruel (que temos muito a evoluir) na nossa equipe de handball feminino. SORRISO TRISTE.
2 - Como perder no vôlei de praia para um país que mal tem praias? SORRISO IRÔNICO.
3 - Ver uma garota que nunca saiu do Piauí ganhar uma medalha olímpica, contradizendo a hipótese de que só preparação de ponta (leia-se no Sudeste ou fora do país) ganha títulos. É preciso mais, é preciso coração, como teve essa garota. SORRISO EMOCIONADO.
4 - Ver Usain Bolt fazendo sinal de "silêncio" para os que dele desacreditavam enquanto cruzava a linha de chegada dos 200 metros. SORRISO ABERTO.
5 - Ouvir a tentativa de narradores lerem nomes de equipes asiáticas com 8 ou mais componentes (a equipe de nado sincronizado chinês, por exemplo), em curto espaço de tempo. GARGALHADA.
6 - Ver a Rede Globo se obrigar a colocar o nome de um de seu principal rival-desafeto no mercado para exibir mínimas imagens dos Jogos e saber que ela torcerá contra o futebol olímpico, só porque seria um "absurdo" eles não poderem transmitir esse momento tão esperado pelo país do futebol... NEM SACO DE RISADAS SUPERA.
1 - Ver o surpreendente desempenho (na fase inicial) e a angústia do confronto com a realidade cruel (que temos muito a evoluir) na nossa equipe de handball feminino. SORRISO TRISTE.
2 - Como perder no vôlei de praia para um país que mal tem praias? SORRISO IRÔNICO.
3 - Ver uma garota que nunca saiu do Piauí ganhar uma medalha olímpica, contradizendo a hipótese de que só preparação de ponta (leia-se no Sudeste ou fora do país) ganha títulos. É preciso mais, é preciso coração, como teve essa garota. SORRISO EMOCIONADO.
4 - Ver Usain Bolt fazendo sinal de "silêncio" para os que dele desacreditavam enquanto cruzava a linha de chegada dos 200 metros. SORRISO ABERTO.
5 - Ouvir a tentativa de narradores lerem nomes de equipes asiáticas com 8 ou mais componentes (a equipe de nado sincronizado chinês, por exemplo), em curto espaço de tempo. GARGALHADA.
6 - Ver a Rede Globo se obrigar a colocar o nome de um de seu principal rival-desafeto no mercado para exibir mínimas imagens dos Jogos e saber que ela torcerá contra o futebol olímpico, só porque seria um "absurdo" eles não poderem transmitir esse momento tão esperado pelo país do futebol... NEM SACO DE RISADAS SUPERA.
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Mais máximas.
Máximas roderiquianas (111) Observando o comportamento dos que se expõem com tranqüilidade ao mundo pude constatar que meus desejos mais vis, para eles, não passam de sonhos pueris. Terei eu perdido o parâmetro ou eles a decência?
Máximas roderiquianas (112) Certas mulheres não têm voz, transpiram doçura; não têm olhar, exalam inteligência; não têm cheiro, ecoam confiança.
Máximas roderiquianas (113) Eu muito desejaria lidar com a maravilhosa alquimia das mulheres interessantes. Mas embora os meigos coelhos despertem curiosidade e carinho, são os mágicos trapaceiros que lhes atraem.
Máximas roderiquianas (114) Para aquele que nunca fez nada certo, nada é tão errado que não possa ficar ainda mais perdido.
Máximas roderiquianas (115) Ações sem ideias são uma burrice; ideias sem ações são mesmice; ideias com ações são uma crendice.
Máximas roderiquianas (116) O ecletismo é a mediocridade com aparência de bom moço.
Máximas roderiquianas (117) Há lembranças sobre as quais o coração diz “Não quero”, a razão diz “Não devo” e a alma dolorida simplesmente reclama: “Por quê?”
Máximas roderiquianas (118) A vida é pirataria. Quando perdemos a bússola (razão), guiamo-nos pelas estrelas (Deus), mas as possibilidades de naufrágio (sonhos) e os furacões (desespero) ofuscam os astros, desviam-nos da rota (Paz). Só então descobrimos que o tesouro (Felicidade) está numa ilha perdida (destino), e que o mapa (desejo) em nossas mãos (atitudes) de nada valeu. Estaremos sempre à deriva (Dor).
Máximas roderiquianas (119) Se pagasse 10 centavos por cada dia em que quis sumir, estaria endividado. Se ganhasse 2 em cada um em que o mereci, pagaria a dívida.
Máximas roderiquianas (120) Não preciso de mulheres para viver. Só preciso de uma, que me amasse como sou, para morrer em paz.
domingo, 29 de julho de 2012
Meu harém intelectual e minha monogâmica desilusão.
Sei que este é o tipo de texto que será criticado, lamentado etc. Sei que muitos quererão (e se não o fizerem, será só por esta introdução) dar bons conselhos e que os menos inspirados copiarão frases de autoajuda ou de autores otimistas, pra "levantar a autoestima". Mas nem perca seu tempo. Aqui não se trata de lamento, mas de constatação pura e simples. Portanto, se for comentar, agradeço. Mas não me diga o óbvio, nem de se pensar, nem de se cordialmente dizer. Prefiro o silêncio a essas formalidades fraternais.
Cansei. Cansei de esperar alguém para me fazer feliz. Não procuro mais. Não que vá me fechar a experiências, mas ter esperanças, não mais. Nenhuma empolgação. Nenhum "talvez, se ela conseguir ajeitar só isso aqui, ok". Não, nada disso. A sensação que tenho é de que meus livros, CDs e DVDs serão meus companheiros ao final da vida. Nada contra, muito pelo contrário,. mas infelizmente os acordes de guitarra, os seios da vítima da mutilação nos filmes e nem as linhas dos livros se deitam comigo para carícias. Até perco o sono por eles, às vezes, tal qual por uma bela mulher. Mas a comparação acaba por aí. Mas, paradoxalmente, não tenho nenhum problema em levar para o leito o espírito de Janis Joplin, Emily Dickinson ou Sarah Michelle Gellar comigo. Gosto de me cercar de Arte.
É que o medo de ficar só, que antes me impulsionava na busca por alguém, está morrendo. E aí vira uma bola de neve. Torno-me mais chato porque me fecho mais? Desperto menos interesse porque me torno mais chato? Ou quando me fecho, menos gente me vê? Nem sei, nem quero saber mais. Estou encontrando prazer na arte, na companhia de sentimentos artísticos tão díspares como os de Marcelo Nova, Udo Diskscneider, Fernando Pessoa, Augusto dos Anjos, Neil Gaiman, Tim Burton ou Wes Craven, entre milhares de outros. Tanto faz. Nesse ponto não sou monogâmico. Adoro ser o sultão de um harém de ideias. Desde que eles me acariciem o ego insaciável do amor pela Arte, o toque feminino é algo desejado, mas não indispensável.
Se eu queria ainda ter tal toque nas noites solitárias? Claro... As delícias da carne também são fonte de prazer indescritível. Mas... TAMBÉM. E é isso o que me deixa preocupado. Não tenho mais pavor à ideia de morrer só. Não queria, é certo. Mas se for o caso... Paciência. E o problema dessa paz de espírito (ou conformismo? - Talvez uma leve ao outro...) é que eu me torno mais incógnita, mais impenetrável, mais esdrúxulo a olhos que por acaso cogitem despertar por mim algo mais que admiração intelectual. Acho que não conseguirei mais causar muito impacto além disso. E nem sei se quero que me gostem do corpo, sorriso, saúde, status, conta bancária ou educação antes de gostarem de meu cérebro. E me desleixo nessas coisas. Pronto, tornei-me um personagem sem história. De repente, lembro-me de uma reportagem de muito tempo atrás, em que vi Zélia Gattai dizer que o que fez ela amar Jorge Amado foi seu cérebro, não sua beleza, fama ou dinheiro. Que ela se contentava em ficar ao lado dele, vendo-o trabalhar... escrever. E me ocorre que invejo o baiano. Mas a possibilidade de não ter minha "gata Gattai" é-me não mais um pesadelo. Só um sonho ruim, daqueles em que você abre os olhos, vai ao banheiro, lava o rosto, olha-se no espelho, toma um gole de qualquer coisa e volta a dormir. Com ou sem sono. É como tenho vivido agora.
Queria uma mulher que não me pedisse qualquer mudança. Que me quisesse assim, desse jeito, roqueiro, metido a escritor, rebelde, efervescente intelectual (embora também capaz de produzir muitas asneiras e bizarrices), questionador, irônico. Esse meu jeito fiel e verdadeiro, sem rodeios, sem joguinhos, charminhos ou chantagens emocionais baratas. Meu modo quente e ao mesmo tempo egoico de amar. Um cara que ama ver o prazer da outra, mas que espera, sim, receber também. E cobra. Suavemente, mas cobra. Seria legal uma mulher que fosse comigo aos shows das bandas que gosto, mas que se não quisesse ir sinceramente não se importasse, porque simplesmente confia em mim. E sabe que vou a shows para ver música, e não em busca de aventuras fáceis com mulheres mais fáceis ainda - embora posem de difíceis.
Mas... essa mulher existe? Ela está por aí, e como diria Bruno Gouveia: "Você existe, eu sei"? É, pode até ser que ela exista. Mas eu não vou mais procurá-la. E nem sair perguntando. Se não vier, não era pra vir. Tenho a mim e a meu harém. Ela que se apresente. Como diria um outro gênio musical, este britânico, "I won't play it if you don't play it first" (Robert Smith).
Let's go to bed.
Cansei. Cansei de esperar alguém para me fazer feliz. Não procuro mais. Não que vá me fechar a experiências, mas ter esperanças, não mais. Nenhuma empolgação. Nenhum "talvez, se ela conseguir ajeitar só isso aqui, ok". Não, nada disso. A sensação que tenho é de que meus livros, CDs e DVDs serão meus companheiros ao final da vida. Nada contra, muito pelo contrário,. mas infelizmente os acordes de guitarra, os seios da vítima da mutilação nos filmes e nem as linhas dos livros se deitam comigo para carícias. Até perco o sono por eles, às vezes, tal qual por uma bela mulher. Mas a comparação acaba por aí. Mas, paradoxalmente, não tenho nenhum problema em levar para o leito o espírito de Janis Joplin, Emily Dickinson ou Sarah Michelle Gellar comigo. Gosto de me cercar de Arte.
É que o medo de ficar só, que antes me impulsionava na busca por alguém, está morrendo. E aí vira uma bola de neve. Torno-me mais chato porque me fecho mais? Desperto menos interesse porque me torno mais chato? Ou quando me fecho, menos gente me vê? Nem sei, nem quero saber mais. Estou encontrando prazer na arte, na companhia de sentimentos artísticos tão díspares como os de Marcelo Nova, Udo Diskscneider, Fernando Pessoa, Augusto dos Anjos, Neil Gaiman, Tim Burton ou Wes Craven, entre milhares de outros. Tanto faz. Nesse ponto não sou monogâmico. Adoro ser o sultão de um harém de ideias. Desde que eles me acariciem o ego insaciável do amor pela Arte, o toque feminino é algo desejado, mas não indispensável.
Se eu queria ainda ter tal toque nas noites solitárias? Claro... As delícias da carne também são fonte de prazer indescritível. Mas... TAMBÉM. E é isso o que me deixa preocupado. Não tenho mais pavor à ideia de morrer só. Não queria, é certo. Mas se for o caso... Paciência. E o problema dessa paz de espírito (ou conformismo? - Talvez uma leve ao outro...) é que eu me torno mais incógnita, mais impenetrável, mais esdrúxulo a olhos que por acaso cogitem despertar por mim algo mais que admiração intelectual. Acho que não conseguirei mais causar muito impacto além disso. E nem sei se quero que me gostem do corpo, sorriso, saúde, status, conta bancária ou educação antes de gostarem de meu cérebro. E me desleixo nessas coisas. Pronto, tornei-me um personagem sem história. De repente, lembro-me de uma reportagem de muito tempo atrás, em que vi Zélia Gattai dizer que o que fez ela amar Jorge Amado foi seu cérebro, não sua beleza, fama ou dinheiro. Que ela se contentava em ficar ao lado dele, vendo-o trabalhar... escrever. E me ocorre que invejo o baiano. Mas a possibilidade de não ter minha "gata Gattai" é-me não mais um pesadelo. Só um sonho ruim, daqueles em que você abre os olhos, vai ao banheiro, lava o rosto, olha-se no espelho, toma um gole de qualquer coisa e volta a dormir. Com ou sem sono. É como tenho vivido agora.
Queria uma mulher que não me pedisse qualquer mudança. Que me quisesse assim, desse jeito, roqueiro, metido a escritor, rebelde, efervescente intelectual (embora também capaz de produzir muitas asneiras e bizarrices), questionador, irônico. Esse meu jeito fiel e verdadeiro, sem rodeios, sem joguinhos, charminhos ou chantagens emocionais baratas. Meu modo quente e ao mesmo tempo egoico de amar. Um cara que ama ver o prazer da outra, mas que espera, sim, receber também. E cobra. Suavemente, mas cobra. Seria legal uma mulher que fosse comigo aos shows das bandas que gosto, mas que se não quisesse ir sinceramente não se importasse, porque simplesmente confia em mim. E sabe que vou a shows para ver música, e não em busca de aventuras fáceis com mulheres mais fáceis ainda - embora posem de difíceis.
Mas... essa mulher existe? Ela está por aí, e como diria Bruno Gouveia: "Você existe, eu sei"? É, pode até ser que ela exista. Mas eu não vou mais procurá-la. E nem sair perguntando. Se não vier, não era pra vir. Tenho a mim e a meu harém. Ela que se apresente. Como diria um outro gênio musical, este britânico, "I won't play it if you don't play it first" (Robert Smith).
Let's go to bed.
quarta-feira, 25 de julho de 2012
Que seja breve enquanto duro.
Em certos momentos da vida não sabemos muito o que fazer. Não vale a pena esperar, não vale a pena agir, nada que se faça ou que não se faça resolve coisa alguma. E o segredo, dizem, é esperar. Esperar? Esperar o quê? Espera-se quando se tem tempo, perspectivas, esperança. "Esperança", afinal, vem do verbo "esperar". Não creio que haja muito a ser feito. Mudanças não resolvem, álcool não resolve, sorrisos não resolvem, tampouco lágrimas. A angústia maior não é não conseguir fazer algo. Ou a busca incessante por qual resposta ter. É descobrir que não há nada a se fazer, nem mais respostas por buscar. Nada de bom ou de ruim resolve nada. Cantar, pular, morrer, sofrer, nem mesmo se lamentar resolve nada. Este texto não resolve nada. Porque simplesmente quando as coisas saem de suas mãos e passam a não depender mais de você, não há nada a fazer. E não adianta dizer que "sempre está em suas mãos". Não, não é sempre. Quando de tudo se já tentou, quando todas as opções foram utilizadas, quando as mais variadas formas de encarar as coisas já foram testadas, é porque realmente o estado de imobilidade é o que resta. Esperar... seja a Glória, seja o Prazer, a Dor ou a Morte. Esperar, não com o sentido da esperança, mas do Tédio. Que o tempo seja generoso e abrevie a ansiedade, qualquer que seja a solução.
terça-feira, 24 de julho de 2012
Mês produtivo para as máximas.
Máximas roderiquianas (101) Amigo é aquele que te faz, ainda que momentaneamente, crer que ainda vale a pena sobreviver nesse planeta desprezível.
Máximas roderiquianas (102) Fica difícil admirar um mundo em que os paraísos são artificiais, raros e nocivos, enquanto os infernos são naturais, ordinários e “aceitáveis”.
Máximas roderiquianas (103) Existem dois tipos de melhores amigos: aqueles a quem você se mostra– esses são humanos – e aqueles a quem você se entrega – a literatura, o rock e o cinema.
Máximas roderiquianas (104) Gostar da própria companhia é a única (e esfarrapada) maneira de fugir da solidão.
Máximas roderiquianas (105) Os lamentos se volatilizam no espaço que deveria ser ocupado por alguém; as dores ecoam na alma.
Máximas roderiquianas (106) Rir da própria desgraça é uma faceta das máscaras teatrais. A outra é melancolizar a paz da solitude.
Máximas roderiquianas (107) Quando pensares em retrucar uma ignorância alheia com selvageria, lembra-te: o cavaleiro monta; o cavalheirismo, este desmonta.
Máximas roderiquianas (108) Deus ousou. Jesus ousou. Os grandes sábios, desbravadores, inventores e pensadores em todas as áreas ousaram. E ainda há quem me recomende o silêncio? Às favas.
Máximas roderiquianas (109) Amar não é para qualquer um; ser amado, para quase nenhum.
Máximas roderiquianas (110) Carinho sem sexo é doce mistério; sexo sem carinho é salgada mistificação; a ausência de ambos é o amargo império da solidão.
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Chegando à marca de 100 máximas...
Máximas roderiquianas (91) Se Deus se propusesse a passar um “pente fino” nesse planeta, muitos de nós já teriam perdido sua salvação. Aliás, alguns cairiam em desgraça até se lhe passassem um pente sem dentes.
Máximas roderiquianas (92) Às vezes, só às vezes, tenho muita raiva de mim mesmo. Nas raras ocasiões em que meus sentimentos contradizem minhas palavras.
Máximas roderiquianas (93) Toda bela Arte sobre a vida deve ser sombria. Toda bela Vida deve ser uma arte de como não o ser.
Máximas roderiquianas (94) O mais lindo monumento dionisíaco pode se converter em escombros apolíneos se erguido sobre rocha corrompida pelo talco da desconfiança.
Máximas roderiquianas (95) Sabe-se que não querer perder nada é quase o mesmo que praticamente aceitar que tudo pode se perder. Mas aceitar isso é perder o que há de mais precioso: a si mesmo.
Máximas roderiquianas (96) O sal da lágrima dá sabor aos problemas que somos forçados a deglutir e conserva a convicção de que não merecemos certas injustiças.
Máximas roderiquianas (97) Falando sempre o que sentimos, corremos o risco de sermos julgados como excessivamente críticos e muitos acharão que não temos nada de bom a dizer. Ficando calados, daremos a certeza de que não temos o que dizer, pois não temos opinião própria.
Máximas roderiquianas (98) Há ocasiões na vida, raras por sinal, em que pensar em si e não no outro não é questão de egoísmo, mas de sobrevivência.
Máximas roderiquianas (99) Toda relação grandiosa é feita sobre alicerces de confiança. A renúncia é o primeiro caminho para a cobrança e a maior justificativa para o ciúme desmedido.
Máximas roderiquianas (100) Uma centena de declarações questionáveis são mais valiosas que milhares de sábias verdades covardemente amordaçadas.
domingo, 8 de julho de 2012
AS GALINHAS, OS OVOS, DEUS E AMOR.
Bom,
para alguém de leitura apressada ou tarado de plantão, vale este aviso: não,
não se trata de um relato sobre jovens garotas de vida fácil sendo fecundadas
em templos de seitas religiosas em consagração ao amor.
Eu
começo este texto evocando a famosa perguntinha: “Quem nasceu primeiro, o ovo
ou a galinha?” E transfiro-a, num salto sem precedentes na história da
bizarrice, para minha vida: sou eu que não sirvo para as mulheres ou elas que
não me entendem?
Mais um relacionamento findo, e faço um breve
apanhado de minhas principais relações: entre casamentos, namoros e amores
irrealizados foram uns 10, mais ou menos. Em alguns, fui descartado. Em outros,
descartei. Somente em um dos que descartei não tive o menor remorso. Em
compensação, todas as que me descartaram fizeram-no pelos motivos mais torpes e
sem nenhum sintoma aparente de culpa. Ao contrário. Uma delas fez-me mesmo crer
que eu não prestava por não ter valores... em minha conta bancária. Os outros
valores? Esses? Bonitinhos, mas ordinários...
Houve de tudo um pouco nos ramos da
curiosidade, traição, alegria, tristeza, fatalidade, esperança e desprezo. Às
vezes vilão, às vezes vítima. Houve ocasiões (e não as coloquei na conta das 10
relações) em que o sentimento nem virou relação, praticamente. Ficou no campo
teórico ou do meu imaginário. Ou ainda, não passou de um “test-drive” de um
beijo. E não houve nenhuma maldade aqui. Vou citar esse caso só como exemplo.
Uma amiga (não colocarei o nome dela, assim como o de nenhuma das relações
acima, para não ficar expondo ninguém, embora neste caso particular essa amiga
provavelmente não se incomodaria, somos resistentes na amizade até hoje, e esse
episódio, quando lembrado, causa risos em ambas as partes, e até no marido
dela, também meu amigo) – pois bem, uma amiga – e eu resolvemos um dia nos “engraçar”.
Trocamos um belo, demorado e afetuoso beijo. No dia seguinte ela bateu à minha
porta. “Preciso te dizer uma coisa...” Nem esperei que terminasse e emendei: “Já
sei, somos amigos demais pra namorar. Concordo.” A seguir, uma crise de riso de
ambas as partes, meio que pelo cômico da situação, meio que de alívio pela
compreensão do outro.
Enfim, já tenho tentado viver esse negócio
bom que chamam de amor de várias maneiras: com cautela, sem cautela, com
mulheres mais novas, mais velhas, usando a anatomia como base... (com um pé
atrás, ou mergulhando de cabeça etc)
Nada parece dar certo. E não falta boa vontade minha. Uma de minhas melhores
amigas (não, com esta não tive nada. Risos.) diz que sou um ser híbrido, de
alma feminina, diferente de outros homens. Aliás, muitas das 10 relações
concordavam, pelo menos enquanto ainda estavam comigo. Mas sempre faltou, ora
nelas, ora em mim, aquele ponto de perfeição não possível, mas desejável, de
que aquilo ali seria pra sempre.
E aí a gente começa a se perguntar: será que
Deus reservou pra mim outra coisa que não o amor? Lembro-me de como dizem que
sou amigo, bom professor, meio psicólogo de todos. Houve até quem dissesse que
seria muito egoísmo de qualquer mulher querer ter-me só para si. E aí, já com
mais da metade da existência percorrida (nossa, como estou otimista, hoje),
começo a me ver só. Não dramaticamente só, com aquelas lágrimas mexicanas ou
como personagem de alguma história em que o suspeito é um esquisitão cheio de
manias e ruídos estranhos na sua casa (hum... tá, talvez eu tenha um pouquinho
desta última parte, sim). Mas uma solidão quase conformada de que é preferível ficar
só a maltratar alguém, ou a ser maltratado. Como se Deus me dissesse: “É melhor
assim, meu filho, tenho outros planos pra você.” De repente me vejo sendo
melhor amigo que namorado (embora eu não consiga entender como alguém pode
dissociar as coisas), melhor companheiro de cinema que de leito, melhor cupido
que alvo, melhor divã que travesseiro.
Essa noite dormi muito pouco, pensando nisso.
E de súbito me bateu uma vontade louca de chorar e um temor descomunal de gemer
de dor e não ter por quem chamar, caso adoeça de maneira grave, ou de que a
solidão me corroa a mente. Mas, ao mesmo tempo, um conforto estranho de alguém
que, pensando sempre mais no outro do que em si, diz: “Pelo menos, não firo mais
ninguém, nem serei ferido.” Estranho, sinto-me estranho. Vejo que chorei por algumas
pessoas que não me amavam de verdade e que outras choraram por mim quando não
sou digno de tanta devoção. E volta-me a pergunta inicial. Quem nasceu
primeiro, o ovo ou a galinha? Sou eu que não sirvo para as mulheres ou elas que
não me entendem? Acho que sou atrevido. Acho que o Amor não me entende, apesar
de eu entendê-lo muito bem.
Mas, se hoje Deus e a ciência começam a
caminhar muito próximos no rumo de uma mesma resposta (os criacionistas falam
na galinha, por conta da bíblica criação dos seres; os cientistas estão quase
provando que realmente a evolução celular levou primeiramente à galinha), quem
sabe eles não se decidem também sobre meu caso, bem menos importante, mas que
também daria uma boa canja...
Quer saber? Não vou esperar respostas. Vivi
até hoje muito bem sem saber do ovo ou da galinha. Devo conseguir fazer o mesmo
com minha vida.
O MMA (Massacre Mortal Apoiado)
Vejo os constantes acessos de
empolgação das pessoas com respeito às lutas chamadas de MMA e fico me fazendo
questionamentos. Primeiramente, não abomino ou admiro modalidades de luta como
boxe, muai thai (perdoem-me se errei a escrita, não conheço, mesmo), judô,
karatê, aikidô ou coisa que o valha. Não conheço a realidade dessas técnicas -
talvez um pouquinho do boxe, e às vezes também o acho violento, embora
reconheça as estratégias da "nobre arte", como o chamam. Até sei que
há alguns entre esses que são bem mais suaves e por isso mesmo interessantes,
cuja técnica se resume a imobilizar o adversário, sem feri-lo. Entretanto,
vocês hão de convir que os golpes, a variedade de pontos vulneráveis a
sangramentos em que são permitidas pancadas e o próprio furor midiático do MMA lembram
qualquer coisa meio que gladiadora, brutal, selvagem, desnecessária. Se ao
invés desse "patriotismo bárbaro", usássemos contra as nações que nos
afrontam um povo consciente, educado e capaz de rejeitar produtos que
nitidamente vêm alienar e subjugar nosso país, aí, sim, teríamos um grande
golpe a dar, uma porrada mortal nos vilões que realmente oprimem as nações
subdesenvolvidas. Quero que nações brutalmente capitalistas e
"globalizadas" respeitem o direito de outros povos, mas não quero
fazer delas saco de pancadas. Personificar no atleta que apanha o padrão neoliberal
e aceitar que ele saia massacrado para mostrar que somos fortes e valentes, e
que nossos Andersons Silvas são heróis é como dizer que os ataques terroristas
às Torres Gêmeas foram “irados” e que Bin Laden é um mártir. Não, os meios não
justificam os fins. Por mais que eu torça para os Estados Unidos engolirem sua
prepotência e empáfia econômica, não quero que pessoas comuns paguem por isso.
Quero que elas recebam lá uma educação igualitária, como a que sonho poder ver
meus filhos e netos terem aqui (tá, ta bom... bisnetos, vai...).
Segundo, eu gosto de futebol.
Mas em nenhum momento eu seria hipócrita de dizer que o futebol é limpo, movido
somente pela paixão, ou que as torcidas organizadas são exemplos de
comportamento. Porém, eu garanto que entre os torcedores mais agressivos há
inúmeros fãs de MMA que com certeza desvirtuam os fundamentos básicos da luta
em si, em nome da violência. Ora, se a prática dessa modalidade (não consigo
chamar de esporte, desculpem) por si já é, digamos, contundente, imagine na
cabeça de débeis mentais que consideram o torcedor do time rival o Osama Bin
Laden (ponte com o assunto anterior). Nenhum esporte nasceu profissional. O
amadorismo existiu no futebol também. Se o pretenso esporte MMA envolve pessoas
que “lutam por amor”, breve isso será passado, diante dos vultosos contratos e
cachês milionários que se avizinham, com tanta exposição. Não se iludam.
Enfim, só não digo que essa
modalidade é uma “carnificina gratuita” por ser isso apenas uma hipérbole, um
exagero linguistico, só para definir que a vibração do público pela
agressividade do combatente, pelo furor dos golpes e pela cara de mau dos
contendores é muito, muito próxima do que há de mais primitivo e pouco
civilizado da História da Humanidade. Sei que não é uma carnificina, e muito
menos gratuita. Rola dinheiro pra caramba ali...
quinta-feira, 17 de maio de 2012
A “PRESIDENTA” E A INTERFERÊNCIA NOJENTA.
Chegou
ao fim a novela de cinco anos de “intensos” debates no Congresso Nacional que
determinaram o direito das cidadãs de exigirem o termo “bacharela” em seus
diplomas, cabendo até a solicitação de um novo diploma à instituição formadora,
apenas para “consertar” o “machismo grotesco”. Então, segundo a lei sancionada
pela “presidenta”, a “bacharela” agora é oficial.
Dilma é
uma boa presidente, mas já cometeu dois erros graves: o primeiro, mais sério
para quem prima por uma língua fiel a suas origens e tradições, é o
esquecimento de que ente = ser. E que isso deveria (digo “deveria” porque há
gramáticos e dicionaristas que, absurdamente, defendem a forma não-neutra do
termo “presidente” – o ser que preside) ser lembrado na hora em que ela bate o
pé para utilizar essa escrita equivocada conceitualmente. Se assim for, que se
aceitem formas como serventa, viventa, delinquenta ou mesmo a combatenta, para
homenagear a luta da “presidenta” em insistir nessa expressão.
Mas
isso não é tudo. O que está por trás é bem pior. Essa suposta forma de corrigir
os erros de um país notoriamente machista vem se somar a uma sucessão de “compensações”
que beiram o populismo e a irresponsável aceitação dos governos de que eles não
são capazes (ou não lhes interessa) de assumir seu papel de transformadores da
sociedade. Foi assim com a cota dos negros para as universidades, foi assim com
a instauração do ENEM, foi assim com a criação de planos como o Bolsa-Família e
o Brasil Carinhoso. Como o governo não tem coragem de criar planos sociais que vão
ao cerne do problema, desafiando a mentalidade arcaica ou os interesses
econômicos de escolas particulares, por exemplo, prefere “corrigir erros
históricos”. Grande correção. Comete outro erro histórico, o da covardia, para
camuflar sua incompetência ou, pior, conivência. Mulheres, negros, estudantes
da escola pública, famílias carentes, enfim, a esmagadora maioria da população
é “premiada” com pirulitos doces e paliativos, que resolverão um problema
temporário, mas que alargarão a nossa deficiência técnica, social, cultural.
Esquece
Dilma Rousseff, assim como os defensores dessas esmolas passageiras, que a
questão vai muito mais longe do que permitir uma forma substantiva feminina que
desconsidere a lógica da língua e um sistema de acesso que privilegia o que,
por vezes, sabe menos, ou aquele que, acomodado, se contenta com o pouco que o “seu
doutô” vai lhe presentear. Interferências nojentas e descabidas que não
resolvem nada para as gerações futuras, mas que tiram destes governos o peso da
culpa de suas pouco competentes mentes e planos governamentais.
Afinal,
é mais fácil ludibriar o povo que hoje tem poder de voto e que se encanta com
qualquer falso moralismo do que enfrentar o status quo e pensar no legado de que
nossas gerações futuras poderiam usufruir se o correto fosse feito: o
enfrentamento daqueles que realmente lucram com tamanhas generosidades
acintosas. Mas talvez seja querer demais exigir coragem daqueles que são
imediatistas e que deixarão uma herança maldita para os que serão vítimas desse
erro histórico. É mais fácil apostar na cegueira da população ávida por uma
solução umbilical e tomar atitudes repelentes (ou seriam repelentas?).
terça-feira, 15 de maio de 2012
Máximas roderiquianas (81) Há três possibilidades de cura para a carência extrema: vulgarização do corpo, autocompaixão ou supressão através da dor resignada. Fico com a terceira opção. Embora a própria reflexão e a consequente constatação não sejam exatamente uma forma resignada de encarar o problema. Mas ninguém é perfeito.
Máximas roderiquianas (82) Só há uma coisa pior do que ficar carregando o peso de sua existência: é sentir a gravidade na situação lhe arrastando para o abismo.
Máximas roderiquianas (83) Este mundo hipócrita tem valores insanos: a verdade comuta; a mentira desnuda.
Máximas roderiquianas (84) Nunca sabemos de tudo, até que nos deparemos com nossas próprias emoções.
Máximas roderiquianas (85) O dinheiro faz com que as pessoas machuquem meu coração, trucidem meu cérebro, amputem minha língua, ressequem meus olhos. Mas ele não corrompe minha alma. Fez-me não ter nada, e perder alguns a quem amo. Mas não compra meu caráter. Meus sonhos são invendáveis. E se ele não me permite vivê-los, não me impede de fechar os olhos e imaginá-los.
Máximas roderiquianas (86) Às vezes, o que não nasceu de todo ainda também tende ao infinito.
Máximas roderiquianas (87) As pessoas que se dizem 99,99999...% certas em tudo são piores que as que dizem 100%. Estas são radicalíssimas, mas não descartam a mudança. Pessoas que se valem de dízimas são propensas a serem assim... Tendem as suas opiniões ao infinito.
Máximas roderiquianas (88) Um dia pode trazer de volta hipóteses antes descartadas; um gesto pode fazer repensar o prazer de viver; uma palavra pode salvar uma alma desacreditada.
Máximas roderiquianas (89) Entre a tua excentricidade e a normalidade do outro existe uma infinidade de sensações.
Máximas roderiquianas (90) Posicionamentos polêmicos não são um problema para os pensadores. O problema está no julgamento pré-concebido. Um “você é louco” é bem melhor do que um “você mente”.
terça-feira, 3 de abril de 2012
Mais um pouco de minhas máximas...
Máximas roderiquianas (71) O silêncio é repugnante... sempre. É o refúgio dos covardes, a desculpa dos indesculpáveis, a precariedade dos ignorantes, a vergonha dos amofinados, o descompromisso dos burgueses, o escudo dos falsos profetas, que nada têm a dizer. É a neutralidade imunda dos que torturam os corações e almas das pessoas verdadeiras e determinadas. Não há nada de sábio no silêncio. Toda reflexão aproveitável nasceu para ser exposta. Não conheço um único ser especial e útil nesse planeta que tenha morrido imerso em seus medrosos segredos.
Máximas roderiquianas (72) Há momentos em que a esperança é aviltante, vergonhosa, cruel. São aqueles em que a ela nos apegamos sem a razão. Ela pode ser suporte, mas nunca mola propulsora de sonhos. Deve sustentar quedas, não impulsioná-las.
Máximas roderiquianas (73) Às vezes complicamos demais as coisas. Tão fácil seria aceitarmos que o amor nasce na amizade, e que é mais fácil conquistarmos o coração de quem já nos quer bem do que primeiramente convencermos a alguém de que somos dignos de beijos. Mas, não... padecemos do mal do medo. De perdermos a amizade, de expormos esse desejo para o outro, de surpreendermos àqueles que, de fato, talvez estivessem esperando justamente por essa relação. Somos, muitas vezes, covardes. Não tememos o fracasso. Mas o sucesso do amor.
Máximas roderiquianas (74) O único limite para a maldade humana é a vingança desumana.
Máximas roderiquianas (75) Eu gostaria de ver a cara de Deus no dia da ressaca moral, logo após o porre que originou este mundo. Não, melhor... Queria saber que antiácido ele tomou...
Máximas roderiquianas (76) Banho de chuva... Quisera eu que lavasse minhas dores e angústias, que saciasse minhas carências e desejos. Que trouxesse em cada gota uma revelação sobre a desconhecida por quem espero com tanto amor e dedicação. Deus, que esta chuva me apresente àquela que me encante e saiba encantar... E que ela me resgate desta vida seca, que me impeça de meu coração rachar sob o sol do ceticismo.
Máximas roderiquianas (77) Minha dor principia e minha desilusão se estende a partir do ponto onde se curva a solidão e refreia-se o silêncio; e nessa encruzilhada complexa sobe-me um choro rompante, que trava na garganta e explode em um olhar inteligente e em um sorriso autoirônico.
Máximas roderiquianas (78) Tenho a expectativa constante da visita de duas senhoras: a Solidão e a Morte. A primeira já se avizinha, arrendou o terreno bem a meu lado, e pode ser duradoura companheira. A segunda ainda se encaminha, mas quando chegar será em definitivo. E digo-vos: antes uma moradora eterna a uma visita indesejável.
Máximas roderiquianas (79) O maior sinal da solidão em sua plenitude é chamar por si próprio e ter como resposta apenas um eco distorcido e amargurado ribombando nas paredes de sua alma...
Máximas roderiquianas (80) A grande mentira de todas se chama data do nascimento. E seu desmentido se dá a seu lado, na lápide.
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