Vejo os constantes acessos de
empolgação das pessoas com respeito às lutas chamadas de MMA e fico me fazendo
questionamentos. Primeiramente, não abomino ou admiro modalidades de luta como
boxe, muai thai (perdoem-me se errei a escrita, não conheço, mesmo), judô,
karatê, aikidô ou coisa que o valha. Não conheço a realidade dessas técnicas -
talvez um pouquinho do boxe, e às vezes também o acho violento, embora
reconheça as estratégias da "nobre arte", como o chamam. Até sei que
há alguns entre esses que são bem mais suaves e por isso mesmo interessantes,
cuja técnica se resume a imobilizar o adversário, sem feri-lo. Entretanto,
vocês hão de convir que os golpes, a variedade de pontos vulneráveis a
sangramentos em que são permitidas pancadas e o próprio furor midiático do MMA lembram
qualquer coisa meio que gladiadora, brutal, selvagem, desnecessária. Se ao
invés desse "patriotismo bárbaro", usássemos contra as nações que nos
afrontam um povo consciente, educado e capaz de rejeitar produtos que
nitidamente vêm alienar e subjugar nosso país, aí, sim, teríamos um grande
golpe a dar, uma porrada mortal nos vilões que realmente oprimem as nações
subdesenvolvidas. Quero que nações brutalmente capitalistas e
"globalizadas" respeitem o direito de outros povos, mas não quero
fazer delas saco de pancadas. Personificar no atleta que apanha o padrão neoliberal
e aceitar que ele saia massacrado para mostrar que somos fortes e valentes, e
que nossos Andersons Silvas são heróis é como dizer que os ataques terroristas
às Torres Gêmeas foram “irados” e que Bin Laden é um mártir. Não, os meios não
justificam os fins. Por mais que eu torça para os Estados Unidos engolirem sua
prepotência e empáfia econômica, não quero que pessoas comuns paguem por isso.
Quero que elas recebam lá uma educação igualitária, como a que sonho poder ver
meus filhos e netos terem aqui (tá, ta bom... bisnetos, vai...).
Segundo, eu gosto de futebol.
Mas em nenhum momento eu seria hipócrita de dizer que o futebol é limpo, movido
somente pela paixão, ou que as torcidas organizadas são exemplos de
comportamento. Porém, eu garanto que entre os torcedores mais agressivos há
inúmeros fãs de MMA que com certeza desvirtuam os fundamentos básicos da luta
em si, em nome da violência. Ora, se a prática dessa modalidade (não consigo
chamar de esporte, desculpem) por si já é, digamos, contundente, imagine na
cabeça de débeis mentais que consideram o torcedor do time rival o Osama Bin
Laden (ponte com o assunto anterior). Nenhum esporte nasceu profissional. O
amadorismo existiu no futebol também. Se o pretenso esporte MMA envolve pessoas
que “lutam por amor”, breve isso será passado, diante dos vultosos contratos e
cachês milionários que se avizinham, com tanta exposição. Não se iludam.
Enfim, só não digo que essa
modalidade é uma “carnificina gratuita” por ser isso apenas uma hipérbole, um
exagero linguistico, só para definir que a vibração do público pela
agressividade do combatente, pelo furor dos golpes e pela cara de mau dos
contendores é muito, muito próxima do que há de mais primitivo e pouco
civilizado da História da Humanidade. Sei que não é uma carnificina, e muito
menos gratuita. Rola dinheiro pra caramba ali...
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