quinta-feira, 17 de maio de 2012

A “PRESIDENTA” E A INTERFERÊNCIA NOJENTA.




                Chegou ao fim a novela de cinco anos de “intensos” debates no Congresso Nacional que determinaram o direito das cidadãs de exigirem o termo “bacharela” em seus diplomas, cabendo até a solicitação de um novo diploma à instituição formadora, apenas para “consertar” o “machismo grotesco”. Então, segundo a lei sancionada pela “presidenta”, a “bacharela” agora é oficial.

                Dilma é uma boa presidente, mas já cometeu dois erros graves: o primeiro, mais sério para quem prima por uma língua fiel a suas origens e tradições, é o esquecimento de que ente = ser. E que isso deveria (digo “deveria” porque há gramáticos e dicionaristas que, absurdamente, defendem a forma não-neutra do termo “presidente” – o ser que preside) ser lembrado na hora em que ela bate o pé para utilizar essa escrita equivocada conceitualmente. Se assim for, que se aceitem formas como serventa, viventa, delinquenta ou mesmo a combatenta, para homenagear a luta da “presidenta” em insistir nessa expressão.

                Mas isso não é tudo. O que está por trás é bem pior. Essa suposta forma de corrigir os erros de um país notoriamente machista vem se somar a uma sucessão de “compensações” que beiram o populismo e a irresponsável aceitação dos governos de que eles não são capazes (ou não lhes interessa) de assumir seu papel de transformadores da sociedade. Foi assim com a cota dos negros para as universidades, foi assim com a instauração do ENEM, foi assim com a criação de planos como o Bolsa-Família e o Brasil Carinhoso. Como o governo não tem coragem de criar planos sociais que vão ao cerne do problema, desafiando a mentalidade arcaica ou os interesses econômicos de escolas particulares, por exemplo, prefere “corrigir erros históricos”. Grande correção. Comete outro erro histórico, o da covardia, para camuflar sua incompetência ou, pior, conivência. Mulheres, negros, estudantes da escola pública, famílias carentes, enfim, a esmagadora maioria da população é “premiada” com pirulitos doces e paliativos, que resolverão um problema temporário, mas que alargarão a nossa deficiência técnica, social, cultural.

                Esquece Dilma Rousseff, assim como os defensores dessas esmolas passageiras, que a questão vai muito mais longe do que permitir uma forma substantiva feminina que desconsidere a lógica da língua e um sistema de acesso que privilegia o que, por vezes, sabe menos, ou aquele que, acomodado, se contenta com o pouco que o “seu doutô” vai lhe presentear. Interferências nojentas e descabidas que não resolvem nada para as gerações futuras, mas que tiram destes governos o peso da culpa de suas pouco competentes mentes e planos governamentais.

                Afinal, é mais fácil ludibriar o povo que hoje tem poder de voto e que se encanta com qualquer falso moralismo do que enfrentar o status quo e pensar no legado de que nossas gerações futuras poderiam usufruir se o correto fosse feito: o enfrentamento daqueles que realmente lucram com tamanhas generosidades acintosas. Mas talvez seja querer demais exigir coragem daqueles que são imediatistas e que deixarão uma herança maldita para os que serão vítimas desse erro histórico. É mais fácil apostar na cegueira da população ávida por uma solução umbilical e tomar atitudes repelentes (ou seriam repelentas?).

3 comentários:

isolda colaço disse...

Querido e estimado amigo,
Eu concordo com a parte política citada;os governos poderiam estar mais preocupados em resolver o cerne do problema.O projeto Brasil Carinhoso é interessante,pois creches de qualidades devem existir,pois os estados não resolvem,em sua maioria os problemas básicos...e o Governo Federal deve sim agir de forma categórica sim.Todavia se apegar a conceitos conservadores referentes a nossa Língua é um tanto ultrapassado,porque a meu entender a língua deve se adaptar a realidade social e cultural em que está inserida.Gostaria sim de ser presidenta,bacharela,professora e até papisa...pena ainda a igreja católica também ter esse tipo de preconceito com a mulher.Admiro a Presidenta Dilma,pois ela está lutando pelo que acredita e tem demonstrado firmeza de caráter em relação a muitos assuntos...que por mais bobos que possam parecer são fundamentais para termos uma sociedade mais igualitária...mas continue escrevendo,adoro concordar e discordar de você!!!

angustiacotidiana disse...

Querida amiga Isolda.

A Língua está acima de qualquer convenção política, social ou de pretenso preconceito. Pode me achar purista,s e quiser, mas não creio que alguém seja mais ou menos importante politicamente, se mantiver o que a língua determina.

Obs; Quanto á "papisa", você poderia ser, teoricamente. o termo existe. Aí, sim, é uma questão de preconceito, mas da Igreja.

angustiacotidiana disse...

obs: "à" papisa.