MULHERES são os seres mais especiais do planeta. Choram
quando querem, quando não querem, quando devem, quando não são chamadas.
Sorriem para encantar, enfeitiçar, torturar, comemorar.
Não nos deixam respirar, viver ou morrer. Querem tudo, mas
não são centralizadoras. Ao perceberem a perda, saem de cena com estilo, seja
sobre o salto ou descendo dele para arrebentar a cabeça da rival ou o coração
do insensível. São diretas quando lhes convém, e vagas quando a coragem se lhes
abstém. Mas definitivamente não são indiferentes, a não ser para com a mordida
do canto do próprio lábio quando uma outra lhes parece mais bonita,
conquistadora ou... indiferente.
Não levam desaforo para casa, nem afagos. Para sua casa, seu
quarto, seu íntimo, só os próprios pensamentos, ou os do outro, quando estes
lhes agradam. Da janela, vislumbram os pensamentos que ainda pretendem ter ou
receber. Gritam de amor, de horror, de sabor, de fervor, de torpor, de
dissabor... Revolucionam, invertem, mudam, mudam o mundo. Trabalham, tecem,
torcem (futebol não é mais só emoção masculina), tonteiam, tentam, tripudiam,
tresloucam...
São amantes, amigas, amásias, amadoras (profissionais também
há quem goste – nada contra), amáveis, ambíguas, ambivalentes, ambrosia... ah,
o manjar de ambrosia que elas delegam ao seres amados, especialmente quando
ainda não foram amadas... Ai, ai... E não há distinção, quando o amor é total.
Pai, mãe (a homoafetividade – no sentido mais amplo da palavra - mais linda que
existe... mãe e filha se amam pela eternidade), filhos (o amor mais
inquestionável que resiste... mãe e filhos foram feitos pela eternidade), o marido, a esposa, o outro, a
outra, o todos nós... e as causas, os animais, as unhas, os cabelos, os objetos, o espelho... Tem alguém mais
seletivo que o espelho? Só a própria (e exagerada) autocrítica...
Curam. As dores, as almas, as carências, as inseguranças (só
não as próprias, quando enfraquecidas pelo amor). E sangram... mensalmente,
pela natureza divina; diariamente, pela natureza dolorosa; eternamente, pela
natureza díspare... Disparatadas são
também suas raivas, remorsos e recomeços. Nada se lhes escapa ao precioso e
preciso olhar de predispostas (até prepotentes, às vezes) pré-concebidas
premissas preventivas e prementes.
Enfiam-se em lugares onde todos saberiam, e onde ninguém
esperava. Ensinam, aprendem, rezam, oram, ateiam-se, lutam, caem, levantam,
sobem, descem, tremem... de prazer, de frio, de volúpia, de vingança, de emoção, de raiva, angústia e cuidado.
Cuidado? Elas têm. Conosco, com todos, consigo... Só eu não
consigo encontrar como agradecer a elas por existirem em minha vida. E como
dizer que ainda espero por uma delas... ela.