domingo, 31 de março de 2013

O homem e a mentira


ATENÇÃO!  O texto a seguir, de minha autoria, é destinado somente a dois tipos de pessoas. Se você não se enquadra, NÃO SE QUEIME!
1 – Uma MINORIA de mulheres que vivem dizendo que TODOS os homens são mentirosos e não olham para as próprias mentiras.
2 – Alguns homens que são verdadeiros e são vítimas dessa generalização. A vocês, dedico este texto e autorizo que o utilizem/adaptem como resposta amanhã (se possível, indicando a autoria, por gentileza):

Daqui a duas horas, mais ou menos, chega o 1º de abril. Famoso “Dia da mentira”. Prevejo uma invasão de alunas, ex-alunas, amigas e conhecidas dizendo que é o “dia do homem”, que é “A resposta não-oficial ao 8 de março” etc etc. Será mesmo? Pois vejamos:
a)      Quem costuma esconder ou mentir a idade a partir dos 30? (Ou menos, às vezes)
b)      Quem usa salto para aumentar o tamanho?
c)       Quem usa maquiagem, pós, cremes e uma infinidade de produtos para disfarçar rugas, espinhas, manchas e outras mazelas do tempo?
d)      Quem costuma pintar os cabelos para disfarçar a idade? (Tá, alguns homens também fazem isso)
e)      Quem vive reclamando que homem não entende que “Quando ela diz sim quer dizer não e quando diz não quer dizer sim”? (A mentira compulsiva e “respaldada” psicologicamente)
f)       Quem cumprimenta uma amiga com beijinhos e depois se vira para outra para falar das roupas, gordura e vícios da primeira?
g)       E, especialmente, quem consegue simular sentir prazer na hora do amor? (Para nós, fisicamente, impossível)
Na boa... os mentirosos somos nós?

sábado, 30 de março de 2013

Entre a morte e a ressurreição


Cá estou, sem ter muito o que falar para mim mesmo. Percebo que não há muita diferença entre morrer em vida, para a vida ou sem vida. Na verdade, todos estão intimamente interligados. Morri quando meu pai morreu. Desde então, sou um arremedo de expectativas vãs, minhas e alheias. Eu bem que tento, esforço-me bastante, procuro fazer de minha estada aqui algo positivo para os que me cercam, especialmente os filhos, os amigos e os alunos. Ora, se Deus me deu o dom de ter boas ideias e nível intelectual, devidamente aperfeiçoado por meu pai, por que não fazer disso algo que me motive viver?

Sim, seria bem fácil, útil e conveniente. Até por ser um sobrevivente a depressões, angústias e algumas tentativas fracassadas de felicidade neste plano. Casei 3 vezes, não dei sorte (ou terei sido incompetente?). Fato é que meus relacionamentos a dois sob o mesmo teto foram todos interessantes por um tempo: uns mais, outros menos, de acordo com o tamanho da paciência delas e da minha capacidade de lidar com meus erros - na verdade, acho que foi justamente o contrário, a razão das separações. Além disso, uma série de namoros frustrados, pela ganância, pela traição, pela incompreensão, sempre delas, por incrível que pareça. Depois que amadureci, percebi que teria de parar de procurar alguém como eu queria, mas simplesmente alguém que me aceitasse como sou. 

Mas a personalidade feminina, tão adorável, é também cruel: não basta você ser 90 por cento do que ela sonha. Ou é tudo ou nada. E eu não sou fácil de abrir mão das coisas que mais as assustam: ser verdadeiro, diferente e underground. Para elas, tudo isso deve ser “reversível”, porque atrai, encanta, até tem um certo charme. Mas não para uma relação fixa. No máximo, para uma aventura. E sou tão pouco aventureiro quanto Ulisses, de Joyce, ou Alberto Caeiro, de Pessoa.  E fui ficando só. Não que não me permita viver um grande amor, mas para tal, só me serve grande, de ambas as partes. E às vezes a parte toda foi minha, e às vezes foi dela, a que me procurou ou aceitou. E para que ela me seja grande, ela tem de me ver e aceitar assim: irreverente, depressivo, criativo, mórbido, intenso, familiar. Tudo tão contraditório quanto minha cristandade: um agnóstico cheio de temor a Deus. Mas as mulheres não parecem entender. Ou se entendem, assustam-se. Ou se não se assustam, querem me lapidar. Mas sou uma pedra bruta, e prefiro sê-la. Essa pedra que quebra vidraças, edifica templos, serve de brinquedos pueris e arrebenta cabeças . E isso é demais para a personalidade feminina, tão afeita ao comando da casa, da família, do lar. Não faço questão do comando, mas também não sou lapidável. Duro esperar que uma santa me queira assim. Já disse uma vez que sou um Amado (e amante) que espera sua gata Gattai. Ali, ao lado, apoiando tudo, sendo intelecto com ele, por ele, apesar dele. Improvável mistura de rebeldia e pacifismo, tal como eu. 

Resta-me aguardar o encontro com meus pais, o Celeste e o Terreno. Espero que ambos se encontrem no mesmo lugar, embora nem eu mesmo saiba se irei integralmente para um único lugar, após o rompimento de meu cordão umbilical terreno. Estou, como todo ser humano, com um pé aqui e outro ali... Como diria o Régio, “Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém”. Ou algo assim, não lembro. Não sou um reprodutor de textos, meus alunos já devem ter visto isso. Erro propositalmente os resumos, meu interesse é que leiam uma  história que lhes interesse, não ser o melhor professor de todos os tempos. Se não fujo do teor central da história, está bom. Prefiro lhes revelar como a poesia nos mostra um mundo novo. E creio que consigo. Está de bom tamanho. Não sou exemplo para ninguém, vivo dizendo. O exemplo morreu na cruz. Eu abro portas. A escolha se entram é deles.  Mas isso muitos também não entendem. Nem os diretores das escolas religiosas, nem os pais... só eles, os jovens. Talvez por isso eu os encante, desencante e torture. “Como esse cara tão chato e cheio de regras pode me dizer coisas tão relevantes?” Pois é. Eu sou essa coisa contraditória, que não diz “Seja assim”, mas “Pense nisso e veja o que você acha”. E me apercebo que isso talvez também não agrade a Deus, ou às mulheres, ou mesmo a meu pai. Mas essa energia do olhar deles como quem diz: “Vou procurar ler esse texto em casa” ou “Será que descubro mais coisas desse autor?” é a que me move fazendo o que faço, apesar do desrespeito crescente à nossa classe, que é afrontada pelos patrões e pelos covardes nela infiltrados. 

E para tudo isso, penso. E escrevo. E sei que não sou gênio, mas estou longe de ser um ignóbil, também. Sei que digo coisas interessantes, que cutucam feridas, que instigam, que fazem as pessoas ressoarem um “ai!” em suas almas. E isso é de quem tem algo a deixar neste mundo. Sei que se tiver a sorte de ser publicado, um dia, estarei na galeria de bons escritores. Nenhum Machado ou Poe, ou Shakespeare. Nem mesmo um Cruz e Sousa ou um Augusto dos Anjos ou um Guerra Junqueiro. Mas não serei esquecido, se a fortuna (financeira ou fortuita) me aprouver e alguém for meu cúmplice na hora de publicar o que deixei. E isso é outra tarefa que não agrada a uma mulher que não minha imaginária gata Gattai (Suspiro). Creio que não devo me preocupar tanto com isso, ou morrerei antes que devo...

E aí me vem à mente um questionamento que já deve ter passado na cabeça de muitos dos que me leem agora: como repercutirá minha morte para os que me conheceram, leram ou viram em alguma situação? Serei digno de elogios, impropérios, resmungos, suspiros ou mugidos? Todas essas manifestações têm sua razão de ser, ou importância para mim... Mas eu não verei, provavelmente. Sei que não queria ser esquecido. Entrar para a História como um Camões, um Baudelaire ou um Dumas eu não vou. Mas se eu marcar alguma história, se eu for citado em rodas por um tempo, se eu for lembrado por alguma octogenária avó dizendo aos seus netinhos que devem ler “Memórias póstumas de Brás Cubas” ou “Ismália” usando um de meus argumentos, já estarei feliz.

Não pretendo a glória eterna. Mas ser eterno, de alguma forma, na mente de alguns que sempre me foram eternos, como meu filhos e alunos. Riqueza para mim é isso: é saber que ao tomar conhecimento da minha morte alguém diga: “Desgraçado, deveria ter se cuidado mais, para a gente aproveitar mais da inteligência dele”. Estaria bom demais. E aí percebo que, para as mulheres, isso não é o suficiente. Ai, minha gata Gattai, onde você se escondeu? Pais? Onde estão? Cansei de brincar. Levem-me para casa... 

sexta-feira, 29 de março de 2013

6 motivos para odiar o mundo moderno:



1 – Tudo tem de ser “politicamente correto” (menos os políticos, esses podem fazer tudo o que quiserem e todo mundo esperneia e em 5 minutos se conforma), toda e qualquer ironia inteligente virou bullying.

2 – O império do mau gosto domina, e se você ousa questioná-lo, é tachado de “preconceituoso”, porque supostamente “gosto não se discute”. Na verdade, isso é usado para justificar a falta de vontade de reconhecer que gosta de algo que não tem valor. E ainda se leva para o lado pessoal. Esquecem que gosto se discute, o que não se discute é o direito de cada um gostar da porcaria que quiser. 

3 – Toda a educação e cultura agora são descartáveis, devido à pretensa “globalização”. Ou seja, somos reféns da ignorância e pior... ela está defendida por supostos “estudiosos”.  Professores agora são “prestadores de serviço”, e não mestres.

4 – O homofóbico é antirracista; o preconceituoso contra a torcida livre no futebol é cristão; o defensor dos direitos humanos é fanático religioso; o xiita musical é socialmente bem informado; o respeitador das mulheres é ultrarradical de direita. Faltam parâmetros. As pessoas só são abertas àquilo que lhes interessa e detonam outras qualidades que não lhes convêm. 

5 - Os valores se inverteram. Estudar é coisa de nerd, ser educado é ser gay (dito até por gente contra a homofobia –voltamos ao item 4), querer uma relação séria é coisa de otário, assumir um amor é correr um risco desnecessário. Só vale a velha “Lei de Gerson”: levar vantagem em tudo, sempre.

6 – O império da beleza e da cultura física. Quem está fora dos padrões de estética  é uma aberração, digna de chacota, pena ou encaminhamento médico. Só se ama o gordo, o feio, o deficiente, o esquálido, o preto, o sem-bunda se ele tiver uma conta bancária, essa sim, obesa. (Está tudo no masculino, mas vale o mesmo para o feminino)

quinta-feira, 21 de março de 2013

Máximas 311 a 320


Máximas roderiquianas (311) O anonimato só pertence a dois tipos de gente: os sem talento ou os sem caráter.

Máximas roderiquianas (312) A saudade é quem mais mata sorrisos; a solidão os enterra.

Máximas roderiquianas (313) Nossa morte é a única garantia de uma vida melhor.

Máximas roderiquianas (314) A paciência é a arte dolorosa de controlar uma irritação administrada a conta-gotas.

Máximas roderiquianas (315) Uma decepção chamamos trivialidade; algumas decepções, fatalidades; várias decepções, vida.

Máximas roderiquianas (316) Diante da luta contra a depressão, Davi versus Golias parecem bastante equilibrados.

Máximas roderiquianas (317) Temperança é um cômodo sinônimo para imobilismo.

Máximas roderiquianas (318) As mulheres admiram e mesmo cobiçam as lágrimas de amor sinceras de um homem apaixonado. Até o momento em que ele lhes pertença; elas não querem essa responsabilidade.

Máximas roderiquianas (319) A sociedade moderna admite o vácuo espiritual, emocional, intelectual; só te condena se tiveres um vácuo na carteira.

Máximas roderiquianas (320) Há que se encontrar tempo para amar, mesmo que não pareça existir. Ou então, quando o tempo parecer procurar nossa existência para o amor, não mais nos encontrará.






quinta-feira, 14 de março de 2013

Sobre notas baixas...


Então deixa eu ver se entendi:

A maioria dos alunos de hoje não querem ler ("Não tem em filme?), não querem escrever (só nas mídias sociais), não acham que o estudo leve a lugar nenhum (porque tudo pra eles é "chato"). Não querem pensar, pois acham normal tirar notas boas sem qualquer tipo de esforço intelectual. Fazer trabalho, só se não der trabalho. Não tomam a escola como local de estudo, mas como "point" de encontro da galera.

Ignoram o professor e julgam que ele tem obrigação de passá-los, porque supostamente "pagam seu salário". Querem todos os direitos (inclusive os absurdos, como utilizar um celular - muitas vezes para atender aos próprios pais, que por sua vez acham correto ligar para os filhos no meio da aula, e não para a coordenação), mas não querem ter nenhuma obrigação. Não querem levar material porque tudo é caro, mas podem gastar uma pequena fortuna no celular de último tipo, no game de última geração, no tablet, no forró, na academia ou numa saída ao shopping. Consideram-se injustiçados porque cobramos sua atenção TOTAL à aula, como se estivessem diante do programa ou do jogo favorito (vejam, que absurdo, o desses professores desumanos!).

Além disso, não possuem, muitas vezes, acompanhamento familiar e ainda assim, quando têm, os pais fazem de tudo para agradar aos filhos (até mentir por eles). Em suma, querem apenas serem aprovados sem nenhum esforço ou mérito, para dar uma resposta (e ganharem presentinhos) em casa e terem a satisfação de uma grande reunião de amigos na escola. Aí noventa por cento da sala tira notas muito abaixo da média numa matéria que foi suadamente explicada e exercitada em sala e o culpado de tudo isso sou EU?

Ah, claro! Mea culpa, mea maxima culpa...

sábado, 9 de março de 2013

Máximas roderiquianas (301 a 310)


Máximas roderiquianas (301) Certas pessoas são piores que vermes. Estes, pelo menos, não ironizam ou viram a cara depois de devorarem teu coração.

Máximas roderiquianas (302) Há algo bem pior que morrer de vergonha; é conviver com ela.

Máximas roderiquianas (303) O suicida em potencial mais perigoso não é o que mata a vontade de viver, mas o que vive a vontade de se matar.

Máximas roderiquianas (304) Toda relação trabalhista no capitalismo é escravocrata. Só muda o número de chibatadas e de torrões de açúcar.

Máximas roderiquianas (305) Quando alguém te faz perder o carinho é duro, mas no fim normal; porém quando te faz perder o respeito, é desde então fatal.

Máximas roderiquianas (306) Prazer não é tanto o que te dão ao corpo, mas o que te extraem da alma.

Máximas roderiquianas (307) Cuidado ao dirigir palavras e gestos carinhosos a uma pessoa solitária. Vulcões que aparentam estar extintos são mais devastadores que os normalmente ativos.

Máximas roderiquianas (308) Sudden death is Providence’s euthanasia.

Máximas roderiquianas (309) Não é fácil ter esperanças pueris quando nosso céu não tem estrelas cadentes, mas decadentes...

Máximas roderiquianas (310) O mau gosto é o estupro da sensibilidade.

Futebol: metáfora de minha vida.

Descobri por que o futebol é a metáfora da existência: meus atos (pernas) são de atacantes: trombam, furam, saltam, dão de cabeça, mas às vezes acertam a meta. Minha mente é de meias: criativa, cerebral, perspicaz. O espírito é de volante: costuma ser destrutivo, mas às vezes chega com técnica na área, quando menos se espera. Meu peito é de aço, como o de um zagueiro: parece aguentar tudo, com garra, vontade e peitadas, se necessário. Mas como não sou estrategista, não sei sair pelas laterais, e meu goleiro (o coração) tem mãos de manteiga derretida, frequentemente levo goleadas da vida.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Máximas 291 a 300.


Máximas roderiquianas (291) A pureza de um sentimento faz dos dias energia; e das noites, encanto.

Máximas roderiquianas (292) Não se pode fazer pouco por quem é muito.

Máximas roderiquianas (293) O grande vencedor não foge da tentação, mas estende-lhe a mão e chama-a para uma queda de braço, como a um gentil rival.

Máximas roderiquianas (294) O lamentável das pessoas que desejam seres diferentes é que elas raramente se dispõem a sê-lo.

Máximas roderiquianas (295) A sociedade que determina que o super-homem é digno de todas as glórias  criou o mito de que o inseguro não precisa de garantias, mas de transformação. Cruel raciocínio. Quem já é forte é que tem obrigação moral de ser complacente com os que necessitam de segurança.

Máximas roderiquianas (296) Até os arco-íris são fruto das lágrimas das nuvens. Infelizmente, nada é tão lindo que não traga em si desafios.

Máximas roderiquianas (297) Sensibilidade é dádiva de Deus; fragilidade é dívida para com os meus.

Máximas roderiquianas (298) Existem 4 tipos de pessoas: as que me inspiram o ser, as que aspiro a ser, as que suspiro pelo ser, e as cujo ser expiro.

Máximas roderiquianas (299) O sonho só ri sem graça quando sente primitivo e desengonçado medo de perder-se ou perder ao outro.

Máximas roderiquianas (300) Entre a imobilidade confortável e a busca improvável, sempre fico com a última. Sou um romântico incorrigível.




quinta-feira, 7 de março de 2013

Dia da Mulher - 2013


MULHERES são os seres mais especiais do planeta. Choram quando querem, quando não querem, quando devem, quando não são chamadas. Sorriem para encantar, enfeitiçar, torturar, comemorar.

Não nos deixam respirar, viver ou morrer. Querem tudo, mas não são centralizadoras. Ao perceberem a perda, saem de cena com estilo, seja sobre o salto ou descendo dele para arrebentar a cabeça da rival ou o coração do insensível. São diretas quando lhes convém, e vagas quando a coragem se lhes abstém. Mas definitivamente não são indiferentes, a não ser para com a mordida do canto do próprio lábio quando uma outra lhes parece mais bonita, conquistadora ou... indiferente.

Não levam desaforo para casa, nem afagos. Para sua casa, seu quarto, seu íntimo, só os próprios pensamentos, ou os do outro, quando estes lhes agradam. Da janela, vislumbram os pensamentos que ainda pretendem ter ou receber. Gritam de amor, de horror, de sabor, de fervor, de torpor, de dissabor... Revolucionam, invertem, mudam, mudam o mundo. Trabalham, tecem, torcem (futebol não é mais só emoção masculina), tonteiam, tentam, tripudiam, tresloucam...

São amantes, amigas, amásias, amadoras (profissionais também há quem goste – nada contra), amáveis, ambíguas, ambivalentes, ambrosia... ah, o manjar de ambrosia que elas delegam ao seres amados, especialmente quando ainda não foram amadas... Ai, ai... E não há distinção, quando o amor é total. Pai, mãe (a homoafetividade – no sentido mais amplo da palavra - mais linda que existe... mãe e filha se amam pela eternidade), filhos (o amor mais inquestionável que resiste... mãe e filhos foram feitos pela  eternidade), o marido, a esposa, o outro, a outra, o todos nós... e as causas, os animais, as unhas, os cabelos,  os objetos, o espelho... Tem alguém mais seletivo que o espelho? Só a própria (e exagerada) autocrítica...

Curam. As dores, as almas, as carências, as inseguranças (só não as próprias, quando enfraquecidas pelo amor). E sangram... mensalmente, pela natureza divina; diariamente, pela natureza dolorosa; eternamente, pela natureza díspare...  Disparatadas são também suas raivas, remorsos e recomeços. Nada se lhes escapa ao precioso e preciso olhar de predispostas (até prepotentes, às vezes) pré-concebidas premissas preventivas e prementes.
   

Enfiam-se em lugares onde todos saberiam, e onde ninguém esperava. Ensinam, aprendem, rezam, oram, ateiam-se, lutam, caem, levantam, sobem, descem, tremem... de prazer, de frio, de volúpia, de vingança, de  emoção, de raiva, angústia e cuidado.

Cuidado? Elas têm. Conosco, com todos, consigo... Só eu não consigo encontrar como agradecer a elas por existirem em minha vida. E como dizer que ainda espero por uma delas... ela. 

sábado, 2 de março de 2013

O VERDADEIRO cuidado com os professores


                Não pude deixar de notar, em uma reunião de uma das escolas onde trabalho, o texto “motivador” que nos foi  lido, sob o esperançoso título de “O cuidado com os professores”. Imaginei que finalmente alguém poderia ter pensado em nós, em cuidarem desta classe tão abandonada, sugada até as últimas forças. Doce ilusão.
                Como em todos os outros textos que versam sobre a educação, era um tal de “o professor deve...”, “cabe ao professor...”, “isto obriga ao professor...”. Até quando? Até quando?
                Sonho com o dia em que as escolas se reúnam em suas cúpulas nos mais variados níveis para gastarem tempo pensando em como diminuir as atribuições do professor, como fazer do seu funcionário alguém feliz, satisfeito não só com o ensino, mas com as condições que lhe oferecem de trabalho. E não entendam condições de trabalho aqui como uma tecnologia avançada, uma festa bem legal de dia dos professores ou discursos bonitos sobre nossa importância para a sociedade, para os alunos e para a própria escola.
                As escolas precisam entender que somos felizes com o  reconhecimento de nossos alunos, de suas famílias e de pessoas a eles ligados porque eles não possuem qualquer poder de decisão que interfira em nossos lares, momentos de lazer ou contas bancárias. Eles dão o que podem: gratidão. Quem pode transformar algo prático em nossas vidas são nossos patrões: federais, estaduais, municipais ou particulares.
                Voltando à tal reunião quase dentro de um universo paralelo (infelizmente), imagino nossos chefes procurando formas de nos dar um merecido repouso quando necessário. Em vez de procurarem ainda mais atributos para o professor, procurariam redestribuir o peso de nossas atividades entre os mais diversos setores da escola, inclusive para si mesmos. Certas burocracias poderiam ir para a secretaria, supervisões, coordenações de área.
As provas poderiam ser fiscalizadas (com remuneração extra, claro) por outros setores menos ocupados enquanto as provas ocorrem, ou por ex-alunos, sedentos por uma graninha – “e o professor vai embora mais cedo?” –  É, vai, qual é o problema? Corrigir logo aquelas provas, para ter direito a um final de semana com a família, sem ficar, uma vezinha num bimestre, sem ter que dizer: “agora, vou parar, gente, tenho que trabalhar”. Ou mesmo resolver alguma coisa, ir a um médico, acertar as contas naquele banco pois ele nunca tem tempo de ir, ou simplesmente sentar ao livre num happy hour... para quando ele for corrigir no fim de semana ter a sensação de que não é uma máquina sem direito a folga. “Ah, mas a escola vai ter gastos extras enquanto o professor está em casa”. Essa é a visão retrógrada. Não é gasto. É investimento. É apostar que um professor mais feliz é um melhor professor. Não que ele só faça sua obrigação por motivação extra. A prova disso é que fazemos hoje, sendo totalmente explorados. Cumprimos nosso dever. Imagine como o faríamos sabendo que estaríamos sendo pagos pra fazer o que  realmente nos compete, que é mostrar nosso talento para abrir as portas para o aluno desenvolver seu conhecimento?
Imagine uma escola que se preocupasse com o bem-estar de seus mestres, e não se ele fica doente “demais”. Será que ninguém enxerga que professor satisfeito, descansado e feliz em casa adoece bem menos? E que teria até vergonha de faltar, faria um esforço ainda maior (porque já o fazemos) para não deixar nossos alunos na mão? Será que não veem que se somos tratados como profissionais, sim, mas com o carinho de uma família, assim como nesta, nos esforçamos para não desagradá-la?
Mas a visão fria dos números e resultados parece a única forma de avaliar um professor, a não ser no dia das homenagens, dos discursos vazios, que mais parecem exercícios de hipocrisia, ressaltando nosso “sacerdócio” e heroísmo mártir. Não fizemos voto de pobreza nem juramos, ao receber o diploma, morrer de estresse pela educação. Precisamos de cuidado conosco, não de que nos cuidemos para aceitar tudo o que já está aí.
PS: Observem que não se falou em salário. Não é que ele não importe. É que muitas vezes o dinheiro realmente não é a única coisa que importa. Respeito e cuidado valem tanto quanto. E se forem dados sem desconto do imposto de renda, então...
                                                     
Abraços.