sexta-feira, 26 de abril de 2013

Em virtude dos 80 anos do Colégio Juvenal de Carvalho...


26 de abril, o Colégio Juvenal de Carvalho comemora 80 anos. Deles, tenho estado há 20 naquelas salas que tanto me acolheram, onde conheci e ensinei tanta gente especial. Uma família linda. Claro que, como em toda família - nenhuma é perfeita -, houve e há ovelhas negras.  Mas elas passam. E a verdadeira escola fica. Agradeço a Deus a oportunidade de, até o dia de hoje, tentar dar meu melhor para a educação de alguns dos mais maravilhosos jovens que encontrei na vida. E é para todos os que amam de verdade essa escola que dedico minha humilde homenagem: mal traçados versos de um grato aprendiz da vida entre as paredes de uma casa que, se Deus quiser, resistirá ao tempo e às intempéries.

Meu Colégio Juvenal de Carvalho,
Agradecemos por tua existência,
Dividindo contigo bom trabalho,
Colaborando com tua ciência.

Tuas salas são nossa proteção
E a guarda de teus alunos leais!
Mazzarello e Laurinha em oração,
São anjos que te amam muito mais!

Porque oitenta anos são uma pedra
Sobre a qual manténs toda a tua fé
A teu lado teu jovem nunca medra
E se cai um dia, só cai de pé!

Tu tens cultura, esporte e cristandade
Mui equilibrados, à luz de Cristo.
És conhecido por toda a cidade
Ontem para mulheres, hoje misto.

Abençoa, Maria Auxiliadora!
Confirma, João Bosco protetor!
As aulas de tuas sábias professoras
E a dedicação de teus professores!

Pois tu és abrigo que todos amam:
Os funcionários, mestres e estudantes;
Pais, irmãs, ex-alunos, todos clamam:
Prossegue tua História radiante!




terça-feira, 16 de abril de 2013

CATADORES DE EMOÇÕES




                Durante a madrugada eles se esgueiram, esperando os primeiros restos de quem parte para o trabalho: suspiros, sorrisos, lágrimas, ranger de dentes. Aquela latinha chutada com força por um homem com botas vai cheia de frustração. Será que ele vai extravasando até o próximo quarteirão? É tão difícil perseguir a dor...
                As primeiras sacolas vêm daqueles que saem junto com os raios de sol. E já estão os catadores em plena atividade. Resíduos de amor, ódio, restos da traição: um preservativo, copos quebrados, pontas de cigarro com ou sem batom. Moça, pode me dar esse sorriso de canto de boca?
                Ai, esse povo que não faz a coleta seletiva! Misturam lenços perfumados com garrafas de cerveja vazias, restos de papel manchados por maquiagem borrada com café amargo. Coaram café no rescaldo da noite.
                Muita sorte se encontram um sorriso aberto, mesmo que numa dentadura (será que me cabe?). Se vierem depois do almoço, encontram gargalhadas infantis e uma conta telefônica triturada para que não se revelem as muitas ligações em busca da compensação carinhosa que as noites não trouxeram...  Carinho... Ei, madame, sobrou algum aí? Um velho, que seu marido não use mais, ou que a senhora já deixou esfriar... pode nos saciar por semanas... Não? Tá bom... Mas não espere pelo Natal, dona...  todo dia a gente cata o que não temos. Não é só em dezembro que se quer brincar de acreditar num ano realmente novo...
                Aquela jovem ali jogou escondido um teste de gravidez no lixo da vizinha. Ô, moça, moça! Você doou amor demais, não sobrou nadinha? Nem o remorso? E alívio, tem? Ai, garota, vê aí um pouquinho...
                A última chance é na boca da noite, antes que o caminhão arraste e triture as emoções. Ah, um amor perdido! Ao menos uma rosa despedaçada por um bem-e-mal-me-quer. Quem o quer são eles, bem ou mal. Mas deles! Enquanto um homem sai furtivamente da casa da cunhada, solta um saco de arrependimentos ao pé do muro. Mas isso não se recicla. Melhor deixar lá, mesmo.
                O lixo premiado vem das casas onde se pôs fim a um grande amor. Cartas, cartões, fotos, lembranças rasgadas, úmidas pelas lágrimas. É um quebra-cabeça de uma história cuja razão do ocaso nunca o casal saberá exatamente. E se a carta vier com remetente, bingo! Vamos lá, ver se sobra um beijo roto, esfarrapado, em frangalhos? Aceitamos. Queremos. Catamos. Preciso. O que não te serve mais pode ser a minha salvação.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

CRIMINOSAS SERIAIS



                Algumas mulheres são criminosas seriais. As que tomam nosso coração de assalto cometem latrocínio. Se cometem o crime de nos abandonarem por circunstâncias fora de seu controle, praticam homicídio culposo. Mas se premeditam a morte da relação, é doloso. Caso o pratiquem pensando em estar com outro homem logo em seguida, então fazem-no com requinte de crueldade. E se eventualmente nos traírem antes do homicídio, merecem pena. De morte. Não a delas, mas a de sua lembrança em nosso coração.
                Sem apelação. Dispensam-se testemunhas, por favor. Não vamos lhes dar a oportunidade de seduzir os depoentes. A vítima é nosso coração esfacelado, e o desprezo que lhes será imputado servirá como promotor. Sem defesa; o encanto vil, nesse caso, não deve entrar em cena. É perjúrio. O juiz? Nossa alma eternamente combalida.
                Não há bom comportamento que reduza a pena. Solitária. Assim deve ser. Sem telefonema, banho de sol, televisão e, muito menos, fiança. Delitos de amor são inafiançáveis.  Apelação? Sem direito. Lágrimas desse tipo de criminosa são perigosamente hipócritas. Visita? Só a nossa. Não íntima, mas distante e sarcástica. Data venia, a visita da saúde é bem-vinda, para que ela sofra perpetuamente.
                Padre para a bênção final, só se estiver surdo e vendado, para que aplique um perdão maquinal, sem qualquer piedade. Por fim, encerre-se o processo com a sentença de que o coração endurecido dessa vilã vire uma das pedras da cela do presídio de sua própria alma.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Mais uma sobre professores...


E a angústia continua...

Nenhuma notícia sobre nosso dissídio, nenhuma esperança de que teremos a reposição desse aumento (que já é abaixo da inflação e muito abaixo do aumento das mensalidades) ainda não pago seja corrigido pelo menos pela inflação do período...

Ao contrário. Mais cobranças, mais exigências, menos respeito, cortes de benefícios, diminuição de folgas, ou simples trocas por períodos de descanso...  Mais interferência no trabalho, mais prestígio aos alunos que infringem regras, mais temor de pais. Cada vez mais somos reféns de patrões, pais descompromissados (não são todos) e alunos que debocham de nossa profissão (também não são todos). É cada vez mais difícil alguém falar e, principalmente, AGIR por nós.

Viramos a escória do processo educacional. Prestadores de serviço cuja única função é mostrar resultados, sem reconhecimento, prestígio PRÁTICO (quem quer discursos de louvação se nos tiram tudo aquilo que, merecidamente, tivemos como justas benesses?).

Somos formadores de opinião, personalidade, caráter e cultura. Merecemos, SIM, um tratamento diferenciado. E ele existe: mas para pior... “Tira aquele benefício ali, eles se calam, aguentam e depois a gente tira mais, e mais... Se reclamarem, a gente demite uns dois, e todos se calam”. Não é isso o que merecemos. Viramos, sim, os “inimigos” dos patrões economistas, dos pais que ligam para os filhos na hora da aula, dos filhos que não podem ser “constrangidos”. E o nosso constrangimento? Físico, moral, financeiro? Quem o questiona? Quem fica do nosso lado?

E nós? Que fazemos diante disso tudo?  Calamo-nos, diante de tudo? Deixamos os mesmos “bois-de-piranha” defenderem a causa e sorrimos com as poucas conquistas ou nos acovardamos quando eles são demitidos, ameaçados ou envergonhados?

Falta muito para que a nossa classe seja reconhecida de verdade. Não há ninguém por nós. Governos, patrões, família, alunos... São raros, em todos os níveis, os que admitem o JUSTO tratamento diferenciado que deveríamos receber.

Falta que alguém diga: “Todos têm de ceder para ajudar o professor; todos têm de perder algo para o professor ganhar e chegar a um mínimo patamar de valorização social”. Falta gente que se lembre que não somos profissionais comuns (com todo respeito a todas as outras categorias). E, principalmente, falta coragem em nós e em quem dirige o processo para assumir tudo isso. Dói saber que, se um dia que alguém que diga a verdade sofrer represálias, não haverá cinco sequer que se levantem contra a injustiça. 

Coragem eu tenho. Emprego? Não sei. Mas uma fé me move: que um dia alguém enxergue que somos dignos de honrarias, não de mesquinharias.