E a angústia continua...
Nenhuma notícia sobre nosso dissídio, nenhuma esperança de
que teremos a reposição desse aumento (que já é abaixo da inflação e muito
abaixo do aumento das mensalidades) ainda não pago seja corrigido pelo menos
pela inflação do período...
Ao contrário. Mais cobranças, mais exigências, menos
respeito, cortes de benefícios, diminuição de folgas, ou simples trocas por
períodos de descanso... Mais interferência
no trabalho, mais prestígio aos alunos que infringem regras, mais temor de
pais. Cada vez mais somos reféns de patrões, pais descompromissados (não são
todos) e alunos que debocham de nossa profissão (também não são todos). É cada
vez mais difícil alguém falar e, principalmente, AGIR por nós.
Viramos a escória do processo educacional. Prestadores de serviço cuja única função é mostrar resultados, sem reconhecimento, prestígio PRÁTICO (quem quer discursos de louvação se nos tiram tudo aquilo que, merecidamente, tivemos como justas benesses?).
Somos formadores de opinião, personalidade, caráter e
cultura. Merecemos, SIM, um tratamento diferenciado. E ele existe: mas para
pior... “Tira aquele benefício ali, eles se calam, aguentam e depois a gente
tira mais, e mais... Se reclamarem, a gente demite uns dois, e todos se calam”.
Não é isso o que merecemos. Viramos, sim, os “inimigos” dos patrões economistas,
dos pais que ligam para os filhos na hora da aula, dos filhos que não podem ser
“constrangidos”. E o nosso constrangimento? Físico, moral, financeiro? Quem o
questiona? Quem fica do nosso lado?
E nós? Que fazemos diante disso tudo? Calamo-nos, diante de tudo? Deixamos os mesmos
“bois-de-piranha” defenderem a causa e sorrimos com as poucas conquistas ou nos
acovardamos quando eles são demitidos, ameaçados ou envergonhados?
Falta muito para que a nossa classe seja reconhecida de
verdade. Não há ninguém por nós. Governos, patrões, família, alunos... São
raros, em todos os níveis, os que admitem o JUSTO tratamento diferenciado que
deveríamos receber.
Falta que alguém diga: “Todos têm de ceder para ajudar o
professor; todos têm de perder algo para o professor ganhar e chegar a um
mínimo patamar de valorização social”. Falta gente que se lembre que não somos
profissionais comuns (com todo respeito a todas as outras categorias). E,
principalmente, falta coragem em nós e em quem dirige o processo para assumir
tudo isso. Dói saber que, se um dia que alguém que diga a verdade sofrer represálias,
não haverá cinco sequer que se levantem contra a injustiça.
Coragem eu tenho. Emprego? Não sei. Mas uma fé me move: que
um dia alguém enxergue que somos dignos de honrarias, não de mesquinharias.