Eu não
sou fácil, nunca quis sê-lo. Nem espero que concorde comigo, ou que se apiede.
Também dispenso os discursos dogmáticos. Mas a TODOS desejarei meu Natal
diferenciado.
Eu
espero que todos tenham um Natal em que o verdadeiro Cristo seja lembrado. Quer
tenha sido 25 de dezembro ou não a data, que a essência do que signifique a
vinda Dele ao mundo reluza em você. Que Ele saia, na mente de todos, de sua “camuflagem”
de Papai Noel e desperte em todos o verdadeiro espírito natalino: de reflexão,
não de regozijo. Não temos de fato motivos para beber, comer ou farrear (sim,
há quem vá a festas em plena noite de Natal) enquanto milhares padecem de fome,
injustiça, miséria, desprezo. Também não digo que sejamos palmatória do mundo e
fiquemos jejuando e chorando. Mas o nascimento de Cristo merece uma reflexão
sobre o mundo em que vivemos ou, pelo menos, sobre o nosso papel dentro da família. E é por isso
que, quando possível, devemos estar com ela. Comendo, sim, bebendo, sim, porque
este é um mundo em que também não podemos ser vistos como alienígenas, ou de
nada valerá nossa reflexão. A serenidade para levar uma mensagem de fé e amor
ao próximo começa dentro de nossas casas. E, para nos ouvirem, temos de ser
participantes, não eremitas. Mas podemos nos mostrar participantes de um modo
diferenciado, sem o comércio e/ou fanatismo que normalmente envolvem o período.
Levemos
aos nossos a preocupação e a responsabilidade por um mundo melhor, menos
violento, mais ético e menos falso. Com mais valores e menos prepotência. Com
mais ação e menos discursos inflamados. Com um começo pequeno, que seja, mas
que se espalhe. Lembrem-se: Cristo começou convencendo apenas a doze apóstolos.
Doze que provavelmente devem ter sido considerados loucos, à época. Mas que
propagaram a mensagem com tamanha devoção e verdade que hoje milhões se dizem
cristãos, em todo planeta. Infelizmente, poucos agem como tais. Preferem, por
exemplo, disputar qual a melhor igreja, angariar verbas, usar o nome Santo de
Deus para causas menos dignas de fé. Questionemos, à hora da ceia natalina, o
quanto devemos agradecer a Deus por termos a oportunidade de nos refestelarmos
com iguarias saborosas enquanto milhões não podem sequer chupar os ossos do que
nos restará na “ressaca” do dia seguinte. Não, não resolveremos nada prático
com essa reflexão. Não será ela que matará a fome do povo. Mas talvez ela
marque a alma de um jovem primo, filho ou sobrinho que estará à mesa, de olhos
arregalados, ouvindo alguém da família que tem respaldo. E essa mensagem se
perpetuará em sua mente, em seu coração, talvez em alguns de seus atos no ano
vindouro.
E se você, por
uma razão ou outra for ficar só, como, provavelmente, eu ficarei, que você se
lembre do Cristo que pregou só, por muito tempo, que se lamentou, ao se sentir
abandonado na hora da morte, mas que não questionou sua missão. Que mostrou que, diante da mais dolorosa das
horas, a da certeza da morte, não se furtou a admitir que mesmo sua solidão
fazia parte dos planos do Pai.
Enfim, desejo
a todos um Natal no sentido maiúsculo. Participe da parte social, comercial, terrena
ou supostamente religiosa, se não houver como abster-se delas. Mas lembre-se
que você pode mais. E que Cristo, se pudesse te pedir um presente, dispensaria
as árvores, fartas ceias e até mesmo as missas. Ele optaria por seu
COMPROMETIMENTO com a causa Dele. Amém.
FELIZ NATAL.