Não, não é mais um texto daqueles de
fim de noite comuns. Hoje eu me peguei achando muita graça de minha condição. Até
pouco tempo atrás me lamentava por tudo, e hoje estou melancolicamente bem.
Sim, melancolicamente bem. E como isso é possível deve ser algo que você
provavelmente está se perguntando. Pois você não está só. Eu também me
pergunto. Ou nem tanto, porque estou meio farto de buscar explicações para
tudo. Descobri que as coisas são como são, e pronto. E devo até me sentir feliz.
Se não for possível me sentir feliz, que seja ao menos satisfeito. Movimento de
canto de boca com olhar de esguelha...
Ora, eu sei que não sou má pessoa, e
que tenho qualidades. Mas ainda assim elas não trazem até mim pessoas que me
encantem. Até que vez por outra alguma pessoa aparece, interessada. Mas é
aquele velho dilema humano adaptado: “Quem eu poderia querer nem olha para mim,
quem eu acho legal, mas não me envolveria, me dá um alô”. É estranho que eu
tenha ficado criterioso. É estranho ser criterioso quando não se tem ninguém.
Deveria até ser uma coisa fácil, como é para a maioria, aproveitar-me um pouco
daquelas que se interessam por mim, só para satisfazer os lábios sedentos e o
corpo arfante. Mas não dá. Tenho esse “péssimo” hábito de não querer para
outrem aquilo que não desejo para mim, especialmente quando já padeci disso.
Sim, já o fiz, uma vez ou outra voluntariamente e umas outras tantas sem
intenção. E digo: em todas elas eu fiquei muito mal. Embora o momentâneo ou o
temporário tenha sido digno de alegrias. Mas não consigo querer ser assim.
Apenas acontece, ás vezes. Mas repito: não é o que quero. Sorriso amarelo...
evoluindo...
E rio, porque isso faz com que eu me
torne estranho pra todo mundo, e acabe por afastar as candidatas que me
interessam, que clamam por homens carinhosos, fiéis, honestos, inteligentes e
interessantes (embora quase sempre os desprezem depois), bem como as que não me
interessam, porque dizem que reclamo demais e não olho para quem gosto de mim.
Engraçado... Acho que a coisa está meio sem jeito. Mas não estou reclamando. É
um conformismo um tanto estoico, sei lá. Olho para mim mesmo, e ironizo minha
condição de “bom partido” que se torna um estorvo porque não fui abençoado coma
beleza ou com a fonte da juventude. Entende? Ironizo. Antes eu chorava, lamentava.
Mas prefiro este estágio: humor negro em torno da negritude da alma. Rio mais
alto. Risos e risos.
E passo a me questionar: estou
errado em querer alguém com afinidades? Com frescor? Com viço? Com lascívia
envolta em camada de pudicícia? Com meiguice só minha e desdém a outros que lhe
cortejem? Com intensidade na proximidade e respeito na distância? Será que
estou errado? Querendo demais? E menos? Será que me valeria? Será que eu lhe
valeria? Bom, pois se eu tenho por destino uma “criteriosa” (rio de novo,
trocadilho infame...) solidão, que seja. Não pretendo maltratar ninguém. Que eu
sofra, se for o caso, a cada vez que me envolvo emocionalmente em silêncio até
que a “candidata” mostre que não era aquela (ainda?) que eu insisto em acalentar
em sonhos doces, porém tortos. Mais risos, agora contidos.
E é isso mesmo. Antes crítico a
arrependido. Antes maltratado a “maltratador”. Antes riso a choro. Fé num amor?
Não tenho mais. Mas, assim como acontece com todo aquele que não tem fé, um dia
posso ser arrebatado... e convertido. Se não apodrecer ou aposentar-me dessa
ideia de amor por invalidez mental, antes. Gargalhadas... até as lágrimas.
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