Este mês de outubro de 2012 vai
sendo bastante revelador para mim. Nunca imaginei que poderia estar refletindo
tanto sobre mim mesmo em tão pouco tempo. Foram conversas, pequenas alegrias,
algumas decepções, momentos solitários e um encontro com uma nova função
social, através de um curso, que muito significou para as conclusões finais a
que cheguei.
Primeiramente, descobri que, por
mais que queiramos o bem alheio, que sejamos dignos de perdoar, de nos
arrepender, de ser humildes, não podemos contar com reações equivalentes dos
outros, mesmo aqueles de quem esperamos muito. Temos que aprender a não
depender de ninguém, absolutamente ninguém. Somos sós, realmente, e esperar dos
outros é sempre frustrante. Muitas vezes algo vem, mas nunca porque esperamos, mas
porque simplesmente alguém quis fazê-lo. Gratidão, reconhecimento,
reciprocidade, compreensão, é tudo balela. Se a pessoa não quer, não é
reconhecendo seus esforços que ela refletirá sobre seus erros, deslizes ou
inconveniências. Todos são gratos por algo, desde que não tenham que se
desculpar para fazê-lo. Raros são os que reconhecem erros para suas “vítimas”.
Então, por que me amargurar? Só porque eu faço isso com tranquilidade, não
posso exigir que o façam por mim. E ponto. Serei mais feliz se esperar menos.
Descobri também que tenho de ser
mais confiante em minha personalidade, por mais estranha que ela pareça
estranha aos outros (lembro de “Máscaras”, da cantora baiana Pitty – bem a
calhar). Sou o que sou, e sou feliz sendo assim. E é essa autenticidade que
costuma dar credibilidade a meus atos e depoimentos, mesmo que alguém queira
ardilosamente me caluniar e se aproveitar de minha anterior (espero que
anterior, mesmo) fraqueza pelo medo de decepcionar os amigos. Quem for meu
amigo, mesmo, sabe quem sou e pronto. Não há calúnia e injúria, desprezo ou
fantasmagoria que me atinjam, se eu for o primeiro a reconhecer que não preciso
implorar por crença no meu ser.
As pessoas interessantes do sexo
oposto das quais me aproximo têm um comportamento estranho. A maioria desiste,
não conseguem sair de cima do muro,não se expõem, ou preferem ficar procurando
maneiras de me mudar. Como já disse antes, não querem o “pacote completo”. E
quanto mais tentam me mudar, menos conseguem. E agora, depois de tantas conclusões
a que tenho chegado, receio que será ainda mais complicado...
Sou tranquilo quando estou na
companhia da arte e do trabalho. Falta uma mulher legal pra me ouvir como foi o
dia. Sinto falta de palavras bonitas correspondidas aos meus “patéticos” (para
alguns) atos de mandar mensagens, demonstrar afeto e tal. Mas afinal, se ela
não me quer como sou, para quê sonhar com ela? Não, não. Não quero mudar, não. Deixa
assim mesmo. Antes só do que questionadamente acompanhado. Hoje mesmo saí para
comer sozinho em um rodízio de pizzas na padaria próximo a minha casa e me
apercebi, sozinho como estava, que não preciso de qualquer um pra ser feliz. Só
de amigos que queiram estar comigo, independentemente de como eu seja, ou de
alguém (se existir) que me AME assim. Então, nada de choramingos e sentimentos
de Jó. Constatação racional e fria de que não é fácil ser quem sou e pronto.
Mas... dá pra ser feliz, assim mesmo.
Por fim, descobri que,
incrivelmente, não sou tão infeliz assim quanto penso. Tudo bem, eu tenho meus
momentos de depressão por estar sem carinho, sem um beijo na boca ou um afago
na cabeça. Mas eu sou satisfeito comigo mesmo. Felizmente, tenho bom gosto
musical, literário, cinematográfico. São grandes companheiros em casa. Não preciso
de companhia para beber, o que alivia, sem ter de perturbar ninguém para vir
aqui ou sair, as dores de cotovelo. Dormir só é péssimo, mas é só me entorpecer
até a hora de dormir, seja de álcool ou de trabalho, que o sono virá com a
sutileza de uma bigorna de desenho animado caindo do vigésimo andar. E durmo.
Tenho dois filhos a quem amo
muito, embora tenha pecado e peque em um melhor acompanhamento para os dois.
Exercitar meu amor por eles não é um peso, é um prazer. E quem exercita, um dia
aprimora. Continuarei. Tive a chance de ganhar outra família no interior,
quando parecia não ter mais ninguém. Que nada! Ganhei, aos 20 anos, mãe e 7 irmãos.
Quantos podem ter esse privilégio? Tudo bem, não pertenço a uma igreja, não sou
a criatura de Deus mais cheia de fé, mas creio nEle e em seus filhos e, bem ou
mal, tento seguir o que parece ser óbvio: os ensinamentos dEles. É, não posso em
queixar nada de relações familiares, a não ser da perda absurdamente prematura
de meus pais adotivos, especialmente a de meu pai. Essa dor, como a da perda de
meu filho Ícaro, realmente não tem cura, creio. Mas eu não podia esperar
perfeição em nenhuma área da minha vida, nem nessa. Está bom, então.
Sou um profissional bem razoável
e a dificuldade em ler e responder todos os comentários no último 15 de outubro
demonstram que, tal como na minha vida pessoal, uma maioria ainda me gosta, alguns
até com uma devoção inexplicável até para mim. Falta respeito dos patrões e dos
que comandam a burocracia nas escolas, mas meus alunos e ex-alunos me lembram
de como eu gosto de fazer o que faço. E ainda virei professor “famoso”, por
conta de uma grande amizade com a banda de rock de pessoas mais legais que
conheço.
Enfim, ontem descobri que não
posso me queixar do que Deus me deu, pois há pessoas com bem menos que eu, e
que não se lamentam tanto. Melhor: que eu posso ser útil a elas. E que, mesmo
reconhecendo isso, não preciso me torturar por reclamar da solidão, da dor ou
das respostas desproporcionais daqueles em quem confio. Posso questionar, sim,
pois é da vida um pensador ser crítico, desafiador, irônico. Eu só precisava era
ter certeza de que isso não me transforma num maníaco, sorumbático ou
irritante. Agora tenho. Pois sou apenas isso: alguém feliz com o que descobre
de si a cada dia, ainda que isso não seja do gosto de muitos, ou nem mesmo do
meu. É... se não der pra alguém me aguentar, dá pra EU me aguentar, sim.
Nenhum comentário:
Postar um comentário