Finalmente descobri por qual motivo, muito provavelmente,
terminarei meus dias sozinho. Conversando com amigas, ex-namoradas,
ex-candidatas, ex-quase-candidatas; vivenciando inícios de relações interrompidas
por mim ou pela outra parte de forma traumática ou simplesmente pensando na
vida, achei a resposta: não basta uma pessoa se identificar com outra. A uma
capacidade raríssima de fidelidade de um homem deve corresponder uma mais rara
ainda capacidade feminina de tolerar dois “pecados imperdoáveis” que um homem
pode ter, na opinião delas: popularidade e um gosto por tudo aquilo que for
diferente, esquisito ou “condenável” pela sociedade “comum”: agnosticismo,
rock, cigarros, álcool, livros e filmes fora da lista dos mais vendidos,
atitude.
As mulheres não querem simplesmente um homem em quem possam
confiar. Querem que ele confie sua vida a ela e a seus princípios, como um
manso cordeiro apaixonado. Não basta que ele se encante por ela. Mas deve se
encantar também por ter prazer em mudar por elas, naquilo que ela acha que deve
mudá-lo para que ele se torne doméstico e apresentável à família e amigos. Nada
de homens de personalidade forte, marcante, que possam ser independentes
intelectualmente, apesar de amá-las com sinceridade e honestidade. De forma
alguma. Isso não basta. Ele precisa ser “civilizado”, “discreto”, “religioso”, “eclético”,
adaptável, enfim. Seu espírito formador de família, maternal e conservador, não
é compatível com homens que não dependam disso para viver, embora as respeitem
e mesmo venerem, quando estão a seu lado.
Ser diferente nesse mundo é um pecado mortal. Para elas, só
pode ser diferente o SEU homem: seu carinho, a sua meiguice, a sua fidelidade,
coisas que elas buscam, com sinceridade e propriedade, numa relação ideal. “Ele
não pertence mais ao mundo, nem a si mesmo, mas a mim – preservo dele o que
acho lindo e com o que sempre sonhei, e ele que trate de mudar o que não me
interessa” – ; esse parece ser, ainda que inconscientemente, o lema da maioria
delas.
E antes que minhas amigas, alunas, ex-alunas e eventuais
participantes das conversas citadas acima venham se queixar, quero deixar claro
que não vai aqui nenhuma crítica. Não lhes considero certas ou erradas. Estão
no direito de desejar aquilo pelo que mais anseiam. Só estou constatando que,
nesse caso, não há espaço para mim, como homem, na vida de muitas das mulheres
pelas quais me interessei.
Afinal, tenho, sem falsa modéstia, muitas das qualidades
desejadas: dedicação, fidelidade, carinho, respeito, atenção. Mas também não
sou manso, discreto, religioso, eclético, adaptável. Gosto do esquisito, do
condenável, do diferente, de popularidade, de minha personalidade forte e um
tanto intelectual com a mesma intensidade que posso amar a uma mulher com
devoção invejável. Mas, para isso, a mulher tem de querer o “pacote completo”,
com as qualidades e os “defeitos”. Não estou, por ora, disposto a mudanças. Sou
feliz com meus supostos “radicalismos”, aos quais prefiro chamar “elementos de
minha personalidade”, pois é isso o que são.
Legal ter finalmente chegado a essa conclusão. Só não sei o
que fazer com ela: se bebo pra comemorar essa epifania ou se bebo pra lamentar
meu aparentemente irreversível destino.
Um comentário:
Como mulher posso garantir que nem todas são como vc descreveu.
Ok somos minoria mais existimos, porém para nosso desespero a maioria dos homens gostam das mulheres descrita por vc.
Postar um comentário