domingo, 4 de março de 2012




Máximas roderiquianas (61): A sensação que tenho, às vezes, é que Deus, quando expulsou-me do Paraíso para este mundo, agiu como uma espécie de ditador. E eu fico, qual exilado da pátria, pedindo por uma anistia à brasileira: “ampla, total e irrestrita”. Aceita-me de volta, Senhor! Chega deste inferno de incompreensão e solidão.

Máximas roderiquianas (62): A Verdade não está no vinho, como diziam os romanos. Nem na Bíblia, como pregaram os cristãos. Nem nas necessidades biológicas, como queriam os escritores naturalistas. Nem no relativismo do Eu, como afirmam os existencialistas. Ela não está em nenhum desses lugares, e talvez em todos eles. Porque a Verdade, de fato, está em único lugar: no Medo.

Máximas roderiquianas (63): Falta de amor, falta de sexo, falta de carinho, tudo isso é ruim ao se estar só. Mas o pior é a falta de um “bom dia” ou “boa noite”. Você se sente um animal, ao dizê-lo para si ou para o espelho. Quero uma companheira, para todas as horas de minha loucura underground. Se quisesse um receptáculo de esperma, dormiria com um pacote de preservativos.

Máximas roderiquianas (64): How should a lonely man's soul be on Valentine's Day? Well, as Valentine is dead, that's not such a difficult thing to answer...

Máximas roderiquianas (65): Minha idade não deveria estar na minha pouca resistência, na minha inicial calvície, na minha inabilidade em ser político. Mas só na minha maturidade. A alma juvenil sucumbe às pessoas interessantes de menor idade que fazem questão de lembrar que o válido é a aparência, embora o neguem formalmente. É uma fonte da juventude às avessas. Elas apaixonam e destroem.

Máximas roderiquianas (66): Deus, cansei de brincar de esconde-esconde. Pique, um, dois, três... Arrebata-me.

Máximas roderiquianas (67): Quem cospe nos fantasmas de seu passado compartilha o arrastar dos seus grilhões e certamente tem a alma ainda mais penada.

Máximas roderiquianas (68) O verdadeiro injusto não é o carrasco que usa a sua língua afiada para vilipendiar, mas o soberano que abusa de seu pretenso senso absoluto de verdade para julgar.

Máximas roderiquianas (69): Encontrei o antônimo perfeito para o termo “Esperança”: é “Ex-fé-cansa”.

Máximas roderiquianas (70): A Arte no século XXI será salva pelo rock’n’roll, os filmes de terror B e o retorno à literatura do século XIX.

Resgatando minha primeira “máxima”, ainda nos anos 90. Homenagem aos meus amigos da Academia da Incerteza.

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