quinta-feira, 7 de março de 2013

Dia da Mulher - 2013


MULHERES são os seres mais especiais do planeta. Choram quando querem, quando não querem, quando devem, quando não são chamadas. Sorriem para encantar, enfeitiçar, torturar, comemorar.

Não nos deixam respirar, viver ou morrer. Querem tudo, mas não são centralizadoras. Ao perceberem a perda, saem de cena com estilo, seja sobre o salto ou descendo dele para arrebentar a cabeça da rival ou o coração do insensível. São diretas quando lhes convém, e vagas quando a coragem se lhes abstém. Mas definitivamente não são indiferentes, a não ser para com a mordida do canto do próprio lábio quando uma outra lhes parece mais bonita, conquistadora ou... indiferente.

Não levam desaforo para casa, nem afagos. Para sua casa, seu quarto, seu íntimo, só os próprios pensamentos, ou os do outro, quando estes lhes agradam. Da janela, vislumbram os pensamentos que ainda pretendem ter ou receber. Gritam de amor, de horror, de sabor, de fervor, de torpor, de dissabor... Revolucionam, invertem, mudam, mudam o mundo. Trabalham, tecem, torcem (futebol não é mais só emoção masculina), tonteiam, tentam, tripudiam, tresloucam...

São amantes, amigas, amásias, amadoras (profissionais também há quem goste – nada contra), amáveis, ambíguas, ambivalentes, ambrosia... ah, o manjar de ambrosia que elas delegam ao seres amados, especialmente quando ainda não foram amadas... Ai, ai... E não há distinção, quando o amor é total. Pai, mãe (a homoafetividade – no sentido mais amplo da palavra - mais linda que existe... mãe e filha se amam pela eternidade), filhos (o amor mais inquestionável que resiste... mãe e filhos foram feitos pela  eternidade), o marido, a esposa, o outro, a outra, o todos nós... e as causas, os animais, as unhas, os cabelos,  os objetos, o espelho... Tem alguém mais seletivo que o espelho? Só a própria (e exagerada) autocrítica...

Curam. As dores, as almas, as carências, as inseguranças (só não as próprias, quando enfraquecidas pelo amor). E sangram... mensalmente, pela natureza divina; diariamente, pela natureza dolorosa; eternamente, pela natureza díspare...  Disparatadas são também suas raivas, remorsos e recomeços. Nada se lhes escapa ao precioso e preciso olhar de predispostas (até prepotentes, às vezes) pré-concebidas premissas preventivas e prementes.
   

Enfiam-se em lugares onde todos saberiam, e onde ninguém esperava. Ensinam, aprendem, rezam, oram, ateiam-se, lutam, caem, levantam, sobem, descem, tremem... de prazer, de frio, de volúpia, de vingança, de  emoção, de raiva, angústia e cuidado.

Cuidado? Elas têm. Conosco, com todos, consigo... Só eu não consigo encontrar como agradecer a elas por existirem em minha vida. E como dizer que ainda espero por uma delas... ela. 

sábado, 2 de março de 2013

O VERDADEIRO cuidado com os professores


                Não pude deixar de notar, em uma reunião de uma das escolas onde trabalho, o texto “motivador” que nos foi  lido, sob o esperançoso título de “O cuidado com os professores”. Imaginei que finalmente alguém poderia ter pensado em nós, em cuidarem desta classe tão abandonada, sugada até as últimas forças. Doce ilusão.
                Como em todos os outros textos que versam sobre a educação, era um tal de “o professor deve...”, “cabe ao professor...”, “isto obriga ao professor...”. Até quando? Até quando?
                Sonho com o dia em que as escolas se reúnam em suas cúpulas nos mais variados níveis para gastarem tempo pensando em como diminuir as atribuições do professor, como fazer do seu funcionário alguém feliz, satisfeito não só com o ensino, mas com as condições que lhe oferecem de trabalho. E não entendam condições de trabalho aqui como uma tecnologia avançada, uma festa bem legal de dia dos professores ou discursos bonitos sobre nossa importância para a sociedade, para os alunos e para a própria escola.
                As escolas precisam entender que somos felizes com o  reconhecimento de nossos alunos, de suas famílias e de pessoas a eles ligados porque eles não possuem qualquer poder de decisão que interfira em nossos lares, momentos de lazer ou contas bancárias. Eles dão o que podem: gratidão. Quem pode transformar algo prático em nossas vidas são nossos patrões: federais, estaduais, municipais ou particulares.
                Voltando à tal reunião quase dentro de um universo paralelo (infelizmente), imagino nossos chefes procurando formas de nos dar um merecido repouso quando necessário. Em vez de procurarem ainda mais atributos para o professor, procurariam redestribuir o peso de nossas atividades entre os mais diversos setores da escola, inclusive para si mesmos. Certas burocracias poderiam ir para a secretaria, supervisões, coordenações de área.
As provas poderiam ser fiscalizadas (com remuneração extra, claro) por outros setores menos ocupados enquanto as provas ocorrem, ou por ex-alunos, sedentos por uma graninha – “e o professor vai embora mais cedo?” –  É, vai, qual é o problema? Corrigir logo aquelas provas, para ter direito a um final de semana com a família, sem ficar, uma vezinha num bimestre, sem ter que dizer: “agora, vou parar, gente, tenho que trabalhar”. Ou mesmo resolver alguma coisa, ir a um médico, acertar as contas naquele banco pois ele nunca tem tempo de ir, ou simplesmente sentar ao livre num happy hour... para quando ele for corrigir no fim de semana ter a sensação de que não é uma máquina sem direito a folga. “Ah, mas a escola vai ter gastos extras enquanto o professor está em casa”. Essa é a visão retrógrada. Não é gasto. É investimento. É apostar que um professor mais feliz é um melhor professor. Não que ele só faça sua obrigação por motivação extra. A prova disso é que fazemos hoje, sendo totalmente explorados. Cumprimos nosso dever. Imagine como o faríamos sabendo que estaríamos sendo pagos pra fazer o que  realmente nos compete, que é mostrar nosso talento para abrir as portas para o aluno desenvolver seu conhecimento?
Imagine uma escola que se preocupasse com o bem-estar de seus mestres, e não se ele fica doente “demais”. Será que ninguém enxerga que professor satisfeito, descansado e feliz em casa adoece bem menos? E que teria até vergonha de faltar, faria um esforço ainda maior (porque já o fazemos) para não deixar nossos alunos na mão? Será que não veem que se somos tratados como profissionais, sim, mas com o carinho de uma família, assim como nesta, nos esforçamos para não desagradá-la?
Mas a visão fria dos números e resultados parece a única forma de avaliar um professor, a não ser no dia das homenagens, dos discursos vazios, que mais parecem exercícios de hipocrisia, ressaltando nosso “sacerdócio” e heroísmo mártir. Não fizemos voto de pobreza nem juramos, ao receber o diploma, morrer de estresse pela educação. Precisamos de cuidado conosco, não de que nos cuidemos para aceitar tudo o que já está aí.
PS: Observem que não se falou em salário. Não é que ele não importe. É que muitas vezes o dinheiro realmente não é a única coisa que importa. Respeito e cuidado valem tanto quanto. E se forem dados sem desconto do imposto de renda, então...
                                                     
Abraços.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

SÓ UM CORAÇÃO


Eu não sou compositor. mas ao começar a escrever esse texto, senti que ele era mais uma música pop que mesmo um poema dos que estou acostumado a fazer. Fica o registro. Não sei dizer se está bom, digam vocês...



SÓ UM CORAÇÃO

Eu tenho só uma xícara de café
mas qual o problema,
se a gente quer
Tomá-lo juntos e usar a mesma colher?

Eu tenho apenas um aparelho de TV
E o controle só faz correr,
Mas pra que tantos canais
Se minha sintonia é só em você?

REFRÃO
Eu tenho só uma cópia da chave
E você se questiona,
Olhando aquela que tem na mão...
Então a minha voz se emociona;
"Não é da porta, mas do meu coração" (2x)

Eu tenho apenas uma fôrma
Pra misturar nossos sentimentos
Mas quem disse que o amor
Tem receitas prontas sem fermento?

Eu tenho só um travesseiro
E o deixo pra você descansar
Mas quem sabe se bem juntinhos
Não há espaço pra gente sonhar?

REFRÃO

Eu tenho um só coração
E uma cabeça pra poder pensar
Mas quem disse que perder a razão
É problema pra quem quer amar?

REFRÃO