quarta-feira, 25 de julho de 2012

Que seja breve enquanto duro.

Em certos momentos da vida não sabemos muito o que fazer. Não vale a pena esperar, não vale a pena agir, nada que se faça ou que não se faça resolve coisa alguma. E o segredo, dizem, é esperar. Esperar? Esperar o quê? Espera-se quando se tem tempo, perspectivas, esperança. "Esperança", afinal, vem do verbo "esperar". Não creio que haja muito a ser feito. Mudanças não resolvem, álcool não resolve, sorrisos não resolvem, tampouco lágrimas. A angústia maior não é não conseguir fazer algo. Ou a busca incessante por qual resposta ter. É descobrir que não há nada a se fazer, nem mais respostas por buscar. Nada de bom ou de ruim resolve nada. Cantar, pular, morrer, sofrer, nem mesmo se lamentar resolve nada. Este texto não resolve nada. Porque simplesmente quando as coisas saem de suas mãos e passam a não depender mais de você, não há nada a fazer. E não adianta dizer que "sempre está em suas mãos". Não, não é sempre. Quando de tudo se já tentou, quando todas as opções foram utilizadas, quando as mais variadas formas de encarar as coisas já foram testadas, é porque realmente o estado de imobilidade é o que resta. Esperar... seja a Glória, seja o Prazer, a Dor  ou a Morte. Esperar, não com o sentido da esperança, mas do Tédio. Que o tempo seja generoso e abrevie a ansiedade, qualquer que seja a solução.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Mês produtivo para as máximas.


Máximas roderiquianas (101) Amigo é aquele que te faz, ainda que momentaneamente, crer que ainda vale a pena sobreviver nesse planeta desprezível.

Máximas roderiquianas (102) Fica difícil admirar um mundo em que os paraísos são artificiais, raros e nocivos, enquanto os infernos são naturais, ordinários e “aceitáveis”.

Máximas roderiquianas (103) Existem dois tipos de melhores amigos: aqueles a quem você se mostra– esses são humanos – e aqueles a quem você se entrega –  a literatura, o rock e o cinema.

Máximas roderiquianas (104) Gostar da própria companhia é a única (e esfarrapada) maneira de fugir da solidão.

Máximas roderiquianas (105) Os lamentos se volatilizam no espaço que deveria ser ocupado por alguém; as dores ecoam na alma.

Máximas roderiquianas (106) Rir da própria desgraça é uma faceta das máscaras teatrais. A outra é melancolizar a paz da solitude.

Máximas roderiquianas (107) Quando pensares em retrucar uma ignorância alheia com selvageria, lembra-te: o cavaleiro monta; o cavalheirismo, este desmonta.

Máximas roderiquianas (108) Deus ousou. Jesus ousou. Os grandes sábios, desbravadores, inventores e pensadores em todas as áreas ousaram. E ainda há quem me recomende o silêncio? Às favas.

Máximas roderiquianas (109) Amar não é para qualquer um; ser amado, para quase nenhum.

Máximas roderiquianas (110) Carinho sem sexo é doce mistério; sexo sem carinho é salgada mistificação; a ausência de ambos é o amargo império da solidão.





segunda-feira, 16 de julho de 2012

Chegando à marca de 100 máximas...


Máximas roderiquianas (91) Se Deus se propusesse a passar um “pente fino” nesse planeta, muitos de nós já teriam perdido sua salvação. Aliás, alguns cairiam em desgraça até se lhe passassem um pente sem dentes.

Máximas roderiquianas (92) Às vezes, só às vezes, tenho muita raiva de mim mesmo. Nas raras ocasiões em que meus sentimentos contradizem minhas palavras.

Máximas roderiquianas (93) Toda bela Arte sobre a vida deve ser sombria. Toda bela Vida deve ser uma arte de como não o ser.

Máximas roderiquianas (94) O mais lindo monumento dionisíaco pode se converter em escombros apolíneos se erguido sobre rocha corrompida pelo talco da desconfiança.

Máximas roderiquianas (95) Sabe-se que não querer perder nada é quase o mesmo que praticamente aceitar que tudo pode se perder. Mas aceitar isso é perder o que há de mais precioso: a si mesmo.

Máximas roderiquianas (96) O sal da lágrima dá sabor aos problemas que somos forçados a deglutir e conserva a convicção de que não merecemos certas injustiças.

Máximas roderiquianas (97) Falando sempre o que sentimos, corremos o risco de sermos julgados como excessivamente críticos e muitos acharão que não temos nada de bom a dizer. Ficando calados, daremos a certeza de que não temos o que dizer, pois não temos opinião própria.

Máximas roderiquianas (98) Há ocasiões na vida, raras por sinal, em que pensar em si e não no outro não é questão de egoísmo, mas de sobrevivência.

Máximas roderiquianas (99) Toda relação grandiosa é feita sobre alicerces de confiança. A renúncia é o primeiro caminho para a cobrança e a maior justificativa para o ciúme desmedido.

Máximas roderiquianas (100) Uma centena de declarações questionáveis são mais valiosas que milhares de sábias verdades covardemente amordaçadas.