sábado, 11 de agosto de 2012

"O país que joga com as mãos"? Tá bom...


Ok, ok. É impossível não se emocionar com a forma pela qual as meninas do vôlei foram campeãs. Classificando no apagar das luzes, virando espetacularmente contra a Rússia, escapando de um choque emocional do primeiro set contra as americanas, hoje. Lindas, perfeitas, raçudas.

Também está certo que a seleção de futebol, como sempre, abusou do salto alto, e voltou a decepcionar, não conquistando o ouro. Eles têm muito a aprender com a garra e humildade dos atletas de vôlei e de outros esportes. Aliás, nem é mais novidade.

Agora, dá raiva ver umas postagens das pessoas nas redes sociais. "Brasil, o país dos esportes com as mãos" etc etc. Ah, papo furado. Quantos de vocês, que postaram ou curtiram esse tipo de coisa, saem de casa para assistir campeonatos nacionais ou mesmo locais de vôlei, basquete ou handball? Inclusive, sem citar nomes, há muitos que são "doentes" por seus times de coração. Só veem esses esportes na época dos Jogos Olímpicos.


A verdade é uma só: o problema não é o futebol. É a seleção brasileira. Nós amamos nossos clubes, mas não temos identificação com a seleção como antigamente, quando esta não "roubava" nossos jogadores durante as competições. Eu mesmo, por exemplo, sou réu confesso: torci para o Brasil cair fora cedo, pois queria que Leandro Damião voltasse logo pro Inter. Só torci pelo time de Mano Menezes a partir das semifinais, porque aí não daria tempo de Damião voltar mais cedo mesmo.


Portanto, larguem de besteira. O Brasil é o país do futebol, SIM. O que não impede que admiremos outros esportes e atletas das mais variadas modalidades (inclusive aquelas que todo mundo vira expert a respeito só depois que o Brasil fatura um bronzezinho suado, sem nenhum patrocínio ou torcedores). A crítica deve existir e sempre é válida, mas vamos ter bom senso. Só pode falar mal do futebol quem realmente não gosta dele, nem na época de Copa do Mundo.

Em tempo: Será que devo dizer "ainda bem" porque nosso pugilista ficou só com a prata? Seria mais um a ganhar uma medalha dourada "com as mãos", e outro prato cheio para os detratores do maior esporte nacional... Hum, não. Torci por ele, apesar de tudo. Pena que não deu.

Meu lado B...

Dia desses assisti, maravilhado, a um filme que tinha ganhado de presente havia uns 3 anos e o qual ainda não tinha visto: "Encarnação do Demônio", o filme de 2008 de Zé do Caixão, que encerrava a trilogia iniciada por "À meia-noite levarei sua alma" (1964) e "Esta noite encarnarei em teu cadáver" (1967). E me peguei comentando comigo mesmo como gosto dessas produções ditas "B". De súbito, percebi que quase tudo de que gosto no campo artístico é meio "B". E não desvalorizo os grandiosos. É apenas uma questão de gosto... Senão vejamos...

CINEMA/TV

- Prefiro filmes "B" a megaproduções; os enredos são bem melhores.
- Prefiro atores menos badalados como Anthony Hopkins, David Niven e o próprio Zé do Caixão a outros como Leonardo di Caprio, Clark Gable ou Lima Duarte.
- Prefiro Tim Burton a Steven Spielberg.
- Prefiro desenhos animados como "A corrida maluca" e "Pegue o pombo" a animações da Disney (pra falar a verdade, muitos vão me criticar com bravura, mas detesto todos esses longa-metragens de animação, exceto "A noiva-cadáver").


MÚSICA

- Prefiro baixo a guitarra.
- Prefiro violoncelo a violino.
- Prefiro blues ao jazz (insuportável virtuosismo meramente técnico).
- Prefiro Accept a Led Zeppelin.
- Prefiro Faith No More a Oasis.
- Prefiro The Cure e Bauhaus a U2 e Beatles (milhões de anos-luz de diferença).
- Prefiro Biquini Cavadão e Camisa de Vênus a Legião Urbana e Paralamas.


LITERATURA

- Prefiro Simbolismo a Romantismo.
- Prefiro Augusto dos Anjos e Poe a Drummond e Hemingway.
- Alguém vai lembrar: "E o Machado? É do primeiro escalão!" Verdade. Mas se colocarmos no mesmo patamar, prefiro o velho carioca a Shakespeare, outro gigante de igual porte, por exemplo, mas do Lado B da Literatura Mundial.


E aí cheguei à conclusão de que sou assim, mesmo: gosto mais daquilo que poucos gostam. Opção? Fetiche? Gosto em ser excêntrico? Não, natureza... A mesma natureza que me impede de tomar caminhos ditos "normais" em relacionamentos, profissão, sobrevivência...

E sabem do pior? (Ou não...)

Adoro tudo isso.



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sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Hierarquia do sorriso nos Jogos Olímpicos...

Os Jogos Olímpicos vão chegando ao fim e eu descobri algumas coisas que me fizeram rir, de formas variadas... Resolvi fazer uma escala gradual, de acordo com o nível de sorriso...

1 - Ver o surpreendente desempenho (na fase inicial) e a angústia do confronto com a realidade cruel (que temos muito a evoluir) na nossa equipe de handball feminino. SORRISO TRISTE.

2 - Como perder no vôlei de praia para um país que mal tem praias? SORRISO IRÔNICO.

3 - Ver uma garota que nunca saiu do Piauí ganhar uma medalha olímpica, contradizendo a hipótese de que só preparação de ponta (leia-se no Sudeste ou fora do país) ganha títulos. É preciso mais, é preciso coração, como teve essa garota. SORRISO EMOCIONADO.

4 - Ver Usain Bolt fazendo sinal de "silêncio" para os que dele desacreditavam enquanto cruzava a linha de chegada dos 200 metros. SORRISO ABERTO.

5 - Ouvir a tentativa de narradores lerem nomes de equipes asiáticas com 8 ou mais componentes (a equipe  de nado sincronizado chinês, por exemplo), em curto espaço de tempo. GARGALHADA.

6  - Ver a Rede Globo se obrigar a colocar o nome de um de seu principal rival-desafeto no mercado para exibir mínimas imagens dos Jogos e saber que ela torcerá contra o futebol olímpico, só porque seria um "absurdo" eles não poderem transmitir esse momento tão esperado pelo país do futebol... NEM SACO DE RISADAS SUPERA.