sábado, 15 de junho de 2013

A Copa das Confederações

E vai começar a Copa das Confederações. Mini-Copa, evento-teste, podem escolher o nome. Para um apaixonado por futebol como eu, seria impossível dizer que não vou acompanhar todos os jogos que puder. Mas algo está diferente este ano.

Não torcerei pelo Brasil (desculpem-me os que, como eu, amam o esporte). Sei que agora, com os estádios quase prontos, a coisa toda armada, parte da torcida querendo festa, é difícil falar em transformações e mudanças. Nem este evento nem a Copa do Mundo deixarão de ocorrer. Isso é fato. Deveríamos, os brasileiros, ter pensado nesses protestos na hora da candidatura. Afinal, quem, em sã consciência, acreditou realmente que os nossos representantes iriam estimular as melhorias da cidade toda, e não apenas das regiões turísticas e de acesso aos estádios a partir dos próprios pontos turísticos? Quem ingenuamente pensou que os ingressos seriam populares por conta da situação econômica do povo, ou que a FIFA não iria interferir na cultura do país, só porque ele é aquele que mais ama futebol no mundo? Quem aí, enfim, achou que a Copa traria prestação de serviço renumerada, e não voluntariado? Que não haveria superfaturamento, politicagem, puxa-saquismo de federações, clubes, entidades esportivas? Ora, se você acreditou em quaisquer das perguntas acima, acorde, Alice! Este não é o país das maravilhas, pelo menos não políticas.

Mas mesmo tudo isso sendo comparável à morte de Inês de Castro, mesmo sendo impossível não lembrar que havia um monte de pessoas que hoje reclamam torcendo para o Brasil ser país-sede, não dá para torcer pela camisa verde-amarela dessa vez. Uma vitória de nossa seleção será equiparável à vitória de nosso escrete na Copa de 70: uma camuflagem da real situação do país, um oba-oba sem fim sobre o “desenvolvimento” da nação que, por mais que tenha tido alguma melhora depois que saiu das malditas mãos do PSDB, está longe, mas muito longe do que é propagandeado. A esquerda que comanda o país é muito parecida com o governo que seus membros derrubaram nas urnas. Só não são iguais porque senão seriam comparáveis ao período militar em desgraça, coisa que não acontece. Mas estão bem pertinho de empatar, em hipocrisia.

E por mais que o futebol seja apaixonante, que seja um esporte encantador no país, apesar dos Ricardos Teixeiras e Marins da vida (este último defensor da ditadura, não é uma “coincidência”?), não dá pra simplesmente isolar e dizer: “Pronto, todas as reivindicações são válidas, mas agora é apenas futebol”. Não, não é APENAS futebol. Não neste caso. A derrota do selecionado brasileiro será a derrota desse projeto errado desde o princípio, será a derrota dos que arquitetaram fazer o povo de idiota e mostrarem-nos sorrindo para todo o planeta, enquanto a nação precisa de muito mais do que lindos estádios de futebol. Por isso, que perca a seleção, para que vença o Brasil!


Não que uma eventual vitória seja uma catástrofe, uma desgraça. Se ao menos jogassem bem, teríamos pelo menos o orgulho futebolístico que a seleção de 70 nos deu, apesar dos militares. Mas jogar bem é algo que essa seleção também não tem feito há muito. É... está sem jeito. Não dá mesmo pra torcer por uma vitória brasileira. Que percam rápido e que as manchetes mundiais sejam sobre a insatisfação do povo com o país, não apenas com os jogadores. 

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