domingo, 13 de outubro de 2013

500 máximas



Já são 500 máximas. E parece que foi ontem que as iniciei. A ideia veio da leitura das máximas as quais o inigualável Machado de Assis cria, em Memórias póstumas de Brás Cubas, através do defunto protagonista. Desde que o li pela primeira vez, lá pelos 12 anos, duas me chamavam particular atenção: “Matamos o tempo; o tempo nos enterra” e “Não te irrites se te pagarem mal um benefício: antes cair das nuvens, que de um terceiro andar”. E eu guardei isso na memória por anos. Até hoje, em minhas aulas, costumo citá-las, ao narrar um resumo rápido que o tempo escasso que a carga horária de Literatura permite. E comecei a brincar de fazer umas frases. Lá pela 4ª, comecei a numerá-las, para não (me) perder, porque não tive vontade de parar mais. E o facebook (e também aqui, no blog) me pareceu o lugar ideal para divulgá-las. Irônicas, criativas, ou simplesmente lamentosas – não, eu não direi quais são cerebrais e quais são de meus verdadeiros sentimentos -, foram as máximas fiéis a seu conceito de brevidade (nem sempre, confesso). E eis que aparecem os primeiros “curtidores”, que se tornaram meio que um termômetro da beleza, (im)popularidade ou simples despertar das ideias alheias de meu trabalho. Senti que algumas pessoas de fato se viam ali, “resumidas”. Algumas máximas despertaram polêmica, agradecimentos, admiração ou discordância explícita. Mas poucas passaram totalmente despercebidas. Hoje, 500 máximas depois, sinto-me feliz por poder brincar, trabalhar e até, ouso dizer, influenciar através das palavras. Afinal, o que é a literatura, em seu preceito mais básico, senão a busca por atingir as mentes e corações humanos? Nada mais simples e terreno, porém dignificante. Mas também quero de alguma forma eternizá-las. Espero um dia conseguir.

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