domingo, 16 de fevereiro de 2014

NÓ DURO DE DESATAR (Um texto cheio de nós, uns por cima dos outros)



2014 é um ano em que três ocasiões mexerão com o país, mas os movimentos que provavelmente serão oriundos desses eventos não me dão muito otimismo; compartilho minhas angústias com vocês:

Primeira ocasião: O Carnaval. Evento regular em nosso país, eu me questiono se neste ano algum dos "manifestantes" vai fazer protestos na rua durante essa "nefe(a)sta" atividade. Passeatas, bate-bocas, quebra-quebras contra o baixo nível das músicas, do comportamento do nosso povo, que demonstra todo seu prazer em sofrer o ano inteiro para gozar 5 dias (ou bem mais, hoje em dia)... será que existirão? Não, não ocorrerá nenhum tipo de movimento para pôr fim a essa alienação incompatível com nosso estado atual de deprimente pasmaceira. 

Sem querer polemizar, eu queria que os mesmos revoltosos contra a Copa do Mundo fizessem barricadas para impedir a passagem dos trios elétricos, blocos do "ninguém-é-de-ninguém" e milionários desfiles de escola de samba, todos muito mais nocivos à população que o evento esportivo. E antes que digam se tratar de um problema pessoal com essa refestelança da permissividade, esclareço que não me oporia a uma festividade simples, alegre, sim, mas sem excessos, gastos monumentais e esse maldito espírito de "O ano começa depois do Carnaval", que empesta nosso país, fazendo da massa um bando de alienados "sem noção", que segrega e oprime os que não apreciam essa pretensa "felicidade". 

Não... eles não se contentam com uma festa familiar, saudável, respeitosa. Eles têm de infernizar as mentes com paredões de som, com ataques de maisena aos desavisados, com invasão da programação da televisão, com o monopólio das ruas, bares, clubes e praias. Qualquer um que "ouse" se insurgir contra essa pobreza musical, contra esse acinte econômico, será sumariamente execrado, ridicularizado e expurgado do meio social, como uma aberração. 

E onde estarão os manifestantes, rebeldes, questionadores? No meio dos blocos, reproduzindo a "liberdade" do "ninguém-é-de-ninguém". E onde estarão os mascarados dos Anonymous? usando a máscara para folia nos clubes... E onde estarão os defensores dos rolezinhos? Montando um cordão nas praias e ruas. Consciência política? União em torno de um Brasil diferente? Papo furado. Diferente seria se começassem tomando consciência de que esse país precisa parar de achar que a festa momina compensa todo um ano de maus tratos, humilhações e prevaricações.

Segunda ocasião: A Copa do Mundo. Não deveria ter vindo. Não temos condições técnicas e, principalmente, morais, para promover um evento desses sem desvio de verbas, tráfico de influências e despreparo infraestrutural. Mas já que veio, que seja bem feito e bem apreciado, na medida do possível. E que parem de achar que TUDO no futebol é controlado. Já agora, meses antes, escuto as bobagens: se o Brasil ganhar, o governo comprou, para ocultar os desmandos políticos, no "pior" estilo ditadura militar (que me perdoem a péssima comparação - nada se compara à maldita ditadura). Se o Brasil perder, vendeu o título em troca de benefícios posteriores. Ou seja, se correr o PT pega, se ficar a FIFA come. Se eu fosse o Presidente do país ou da CBF (não que eu quisesse tais cargos), mandava logo nem entrar em campo. Não adianta. O resultado será questionado de qualquer maneira, porque o povo se preocupa com as possíveis conspirações no futebol, mas não no Congresso Nacional. Se ganharmos (o que duvido) será pela raça de alguns abnegados e pela força da arquibancada. E se perdermos, será por incompetência dos jogadores, mesmo. E só. 

E os manifestantes? Bom, se as pessoas que desse país fossem civilizadas, os governantes abririam o espaço para os cidadãos irem até próximo do local do jogo, reclamar e protestar para o mundo inteiro ver, como é direito desse povo e este, por sua vez, limitar-se-ia a isso, sem tentar invadir o estádio e promover destruição nas ruas no percurso até lá. Mas como não estamos, infelizmente, num país onde o equilíbrio seja uma característica, deverá haver um confronto estúpido entre uma população dividida entre pessoas de bem e aproveitadores e uma polícia instruída a impedir, a todo custo, que tanto estes quanto aqueles se aproximem de qualquer chance de visibilidade por parte da imprensa internacional. Pensem comigo: se fosse feito como falei, estaríamos ou não num país verdadeiramente democrático, no qual o povo faria sua voz se ouvir, e não seria necessário qualquer ato de vandalismo? Sim, estaríamos. Mas...

Terceira ocasião: As eleições. Queria ver os manifestantes atuarem nesse momento, indo para as ruas exigindo que o voto não fosse mais obrigatório, ou conclamando educadamente a todo cidadão insatisfeito que anule seu voto. Mandar um recado direto aos que estão ou pretendem estar no poder de que não aceitamos mais PT ou PSDB, pois não importa o partido, mas o espírito de quem assume o Palácio do Governo, a Câmara e o Senado. 

Aliás, esse é outro nó, górdio, eu diria, e absolutamente irritante: ver gente falar do atual (des)governo como se tudo o que ocorre fosse inédito, como se Fernando Henrique e seus asseclas não fossem ainda mais corruptos e safados. E, pior, ainda saíram impunes, posando de baluartes da moralidade. Se o PT é uma farsa (e é), pois proclamou-se diferente e não foi, o PSDB não é uma farsa, pois qualquer pessoa de bem já sabia o quanto eles são contra o povo e a favor dos próprios interesses, portanto uma triste verdade, sem farsas. Uma terceira via, uma terceira opção é necessária. Mas não há ninguém confiável. E é contra isso que os manifestantes devem se insurgir. 


Infelizmente, não creio que o Carnaval seja criticado, que a Copa seja vista  apenas como futebol e momento de civilizado protesto e que as Eleições sofram qualquer abalo ou causem alguma transformação. Enfim, os nós continuarão lá. E o mundo continuará rindo de nossa inabilidade para desfazê-los...

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