domingo, 21 de julho de 2013

MEU CARO CHICO

Texto meu para prestar homenagem a ilustre mestre da música brasileira.

Antes, uma explicação. No dia 20 de julho de 2013 houve um sarau em honra a Chico Buarque de Holanda organizado pelo Coral Sobretons, do qual tive a honra de participar por exíguo tempo. Fui convidado para participar do evento cantando (imaginem, que horror!) "Cálice", do ilustre compositor. E assim cada um dos participantes faria, com um dos clássicos do grande bardo. A segunda participação deveria ser uma música do repertório do cantor/grupo que se apresentava. Bem, como não sou cantor, acordou-se entre mim e Tiago Nogueira, regente do Sobretons e (ir)responsável pelo convite para que eu torturasse a sensibilidade musical dos ouvintes, que eu faria um poema para saudar o evento e o homenageado. De acordo com sugestão do próprio Tiago (por sinal, meu ex-aluno), elenquei alguns títulos de músicas de Chico para brincar com as mesmas. E eis o resultado. Espero que os fãs do grande mestre da MPB se divirtam procurando os títulos e referências.

MEU CARO CHICO

Meu caro Chico que não é Barão,
Mas é dos mais nobres desta nação,
Dos melhores poetas que já vi.
Eu não vou compor um Samba de Orly.
Nem ópera, pois malandro não sou...
Meu caro amigo, sou só professor
E se eu tentar tal coisa... ai de mim!
Apanho qual Geni do Zeppelin!

Olhos nos olhos, bem cá entre nós,
Que este público não nos deixe a sós...
Vai passar uma banda de uma gente
Humilde, e em roda-viva contente,
Pra comigo pintar em preto e branco
Um bom retrato de seu rosto brando.
A construção também terá as cores
De um passaredo e alguns de seus amores...

Apesar de você não ser semita,
É Angélica, Carolina e Rita,
Nenhuma com jeito de meretriz.
Quieta, Bárbara, nem a Beatriz!
Vem Luísa, Januária e Maninha.
De Amsterdã, Ana quase não vinha.
E trato de ficar nessas apenas
Pra não falar das mulheres de Atenas!

Trocando em miúdos, ó meu guri,
Vai ter valsinha, baticum aqui,
O que será pouco pra tanto brado,
Com fantasia e sinal fechado.
Deus lhe pague por todo o sentimento,
E chega de saudade e desalento...
Vamos trabalhar, não tem vagabundo,
Pois o cantar do malandro é o mundo!

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