domingo, 8 de julho de 2012

O MMA (Massacre Mortal Apoiado)




Vejo os constantes acessos de empolgação das pessoas com respeito às lutas chamadas de MMA e fico me fazendo questionamentos. Primeiramente, não abomino ou admiro modalidades de luta como boxe, muai thai (perdoem-me se errei a escrita, não conheço, mesmo), judô, karatê, aikidô ou coisa que o valha. Não conheço a realidade dessas técnicas - talvez um pouquinho do boxe, e às vezes também o acho violento, embora reconheça as estratégias da "nobre arte", como o chamam. Até sei que há alguns entre esses que são bem mais suaves e por isso mesmo interessantes, cuja técnica se resume a imobilizar o adversário, sem feri-lo. Entretanto, vocês hão de convir que os golpes, a variedade de pontos vulneráveis a sangramentos em que são permitidas pancadas e o próprio furor midiático do MMA lembram qualquer coisa meio que gladiadora, brutal, selvagem, desnecessária. Se ao invés desse "patriotismo bárbaro", usássemos contra as nações que nos afrontam um povo consciente, educado e capaz de rejeitar produtos que nitidamente vêm alienar e subjugar nosso país, aí, sim, teríamos um grande golpe a dar, uma porrada mortal nos vilões que realmente oprimem as nações subdesenvolvidas. Quero que nações brutalmente capitalistas e "globalizadas" respeitem o direito de outros povos, mas não quero fazer delas saco de pancadas. Personificar no atleta que apanha o padrão neoliberal e aceitar que ele saia massacrado para mostrar que somos fortes e valentes, e que nossos Andersons Silvas são heróis é como dizer que os ataques terroristas às Torres Gêmeas foram “irados” e que Bin Laden é um mártir. Não, os meios não justificam os fins. Por mais que eu torça para os Estados Unidos engolirem sua prepotência e empáfia econômica, não quero que pessoas comuns paguem por isso. Quero que elas recebam lá uma educação igualitária, como a que sonho poder ver meus filhos e netos terem aqui (tá, ta bom... bisnetos, vai...).

Segundo, eu gosto de futebol. Mas em nenhum momento eu seria hipócrita de dizer que o futebol é limpo, movido somente pela paixão, ou que as torcidas organizadas são exemplos de comportamento. Porém, eu garanto que entre os torcedores mais agressivos há inúmeros fãs de MMA que com certeza desvirtuam os fundamentos básicos da luta em si, em nome da violência. Ora, se a prática dessa modalidade (não consigo chamar de esporte, desculpem) por si já é, digamos, contundente, imagine na cabeça de débeis mentais que consideram o torcedor do time rival o Osama Bin Laden (ponte com o assunto anterior). Nenhum esporte nasceu profissional. O amadorismo existiu no futebol também. Se o pretenso esporte MMA envolve pessoas que “lutam por amor”, breve isso será passado, diante dos vultosos contratos e cachês milionários que se avizinham, com tanta exposição. Não se iludam.

Enfim, só não digo que essa modalidade é uma “carnificina gratuita” por ser isso apenas uma hipérbole, um exagero linguistico, só para definir que a vibração do público pela agressividade do combatente, pelo furor dos golpes e pela cara de mau dos contendores é muito, muito próxima do que há de mais primitivo e pouco civilizado da História da Humanidade. Sei que não é uma carnificina, e muito menos gratuita. Rola dinheiro pra caramba ali... 

quinta-feira, 17 de maio de 2012

A “PRESIDENTA” E A INTERFERÊNCIA NOJENTA.




                Chegou ao fim a novela de cinco anos de “intensos” debates no Congresso Nacional que determinaram o direito das cidadãs de exigirem o termo “bacharela” em seus diplomas, cabendo até a solicitação de um novo diploma à instituição formadora, apenas para “consertar” o “machismo grotesco”. Então, segundo a lei sancionada pela “presidenta”, a “bacharela” agora é oficial.

                Dilma é uma boa presidente, mas já cometeu dois erros graves: o primeiro, mais sério para quem prima por uma língua fiel a suas origens e tradições, é o esquecimento de que ente = ser. E que isso deveria (digo “deveria” porque há gramáticos e dicionaristas que, absurdamente, defendem a forma não-neutra do termo “presidente” – o ser que preside) ser lembrado na hora em que ela bate o pé para utilizar essa escrita equivocada conceitualmente. Se assim for, que se aceitem formas como serventa, viventa, delinquenta ou mesmo a combatenta, para homenagear a luta da “presidenta” em insistir nessa expressão.

                Mas isso não é tudo. O que está por trás é bem pior. Essa suposta forma de corrigir os erros de um país notoriamente machista vem se somar a uma sucessão de “compensações” que beiram o populismo e a irresponsável aceitação dos governos de que eles não são capazes (ou não lhes interessa) de assumir seu papel de transformadores da sociedade. Foi assim com a cota dos negros para as universidades, foi assim com a instauração do ENEM, foi assim com a criação de planos como o Bolsa-Família e o Brasil Carinhoso. Como o governo não tem coragem de criar planos sociais que vão ao cerne do problema, desafiando a mentalidade arcaica ou os interesses econômicos de escolas particulares, por exemplo, prefere “corrigir erros históricos”. Grande correção. Comete outro erro histórico, o da covardia, para camuflar sua incompetência ou, pior, conivência. Mulheres, negros, estudantes da escola pública, famílias carentes, enfim, a esmagadora maioria da população é “premiada” com pirulitos doces e paliativos, que resolverão um problema temporário, mas que alargarão a nossa deficiência técnica, social, cultural.

                Esquece Dilma Rousseff, assim como os defensores dessas esmolas passageiras, que a questão vai muito mais longe do que permitir uma forma substantiva feminina que desconsidere a lógica da língua e um sistema de acesso que privilegia o que, por vezes, sabe menos, ou aquele que, acomodado, se contenta com o pouco que o “seu doutô” vai lhe presentear. Interferências nojentas e descabidas que não resolvem nada para as gerações futuras, mas que tiram destes governos o peso da culpa de suas pouco competentes mentes e planos governamentais.

                Afinal, é mais fácil ludibriar o povo que hoje tem poder de voto e que se encanta com qualquer falso moralismo do que enfrentar o status quo e pensar no legado de que nossas gerações futuras poderiam usufruir se o correto fosse feito: o enfrentamento daqueles que realmente lucram com tamanhas generosidades acintosas. Mas talvez seja querer demais exigir coragem daqueles que são imediatistas e que deixarão uma herança maldita para os que serão vítimas desse erro histórico. É mais fácil apostar na cegueira da população ávida por uma solução umbilical e tomar atitudes repelentes (ou seriam repelentas?).

terça-feira, 15 de maio de 2012


Máximas roderiquianas (81) Há três possibilidades de cura para a carência extrema: vulgarização do corpo, autocompaixão ou supressão através da dor resignada. Fico com a terceira opção. Embora a própria reflexão e a consequente constatação não sejam exatamente uma forma resignada de encarar o problema. Mas ninguém é perfeito.

Máximas roderiquianas (82) Só há uma coisa pior do que ficar carregando o peso de sua existência: é sentir a gravidade na situação lhe arrastando para o abismo.

Máximas roderiquianas (83) Este mundo hipócrita tem valores insanos: a verdade comuta; a mentira desnuda.

Máximas roderiquianas (84) Nunca sabemos de tudo, até que nos deparemos com nossas próprias emoções.

Máximas roderiquianas (85) O dinheiro faz com que as pessoas machuquem meu coração, trucidem meu cérebro, amputem minha língua, ressequem meus olhos. Mas ele não corrompe minha alma. Fez-me não ter nada, e perder alguns a quem amo. Mas não compra meu caráter. Meus sonhos são invendáveis. E se ele não me permite vivê-los, não me impede de fechar os olhos e imaginá-los.

Máximas roderiquianas (86) Às vezes, o que não nasceu de todo ainda também tende ao infinito.

Máximas roderiquianas (87) As pessoas que se dizem 99,99999...% certas em tudo são piores que as que dizem 100%. Estas são radicalíssimas, mas não descartam a mudança. Pessoas que se valem de dízimas são propensas a serem assim... Tendem as suas opiniões ao infinito.

Máximas roderiquianas (88) Um dia pode trazer de volta hipóteses antes descartadas; um gesto pode fazer repensar o prazer de viver; uma palavra pode salvar uma alma desacreditada.

Máximas roderiquianas (89) Entre a tua excentricidade e a normalidade do outro existe uma infinidade de sensações.

Máximas roderiquianas (90) Posicionamentos polêmicos não são um problema para os pensadores. O problema está no julgamento pré-concebido. Um “você é louco” é bem melhor do que um “você mente”.