terça-feira, 21 de fevereiro de 2012


Máximas roderiquianas (41): A noite de Ano Novo nada mais é que uma adaptação de um conto de fadas à megapotência. Passamos um ano inteiro como Gatos Borralheiros, e acreditamos que aquele que se avizinha será melhor por conta de uma noite de Cinderela. Passados os preparativos, os fogos, a festa e o efeito dos alucinógenos químicos ou psicológicos dos quais escolhemos usufruir, todos os outros dias voltam a ser gigantescas abóboras.

Máximas roderiquianas (42): O problema dos relacionamentos é que eles são um circo: você fica andando na corda bamba, fazendo malabarismos pra pessoa ser direta e decidida como você é, tentando domar o leão dos ciúmes e o elefante do medo. Então ela se torna contorcionista, que foge da corresponsabilidade da afetividade, e cuja reação a sua queixa é te atirar facas. Ou seja, ela quer que você seja vidente, para adivinhar o que deve fazer pra conquistá-la. Você se sente um anão, de tão impotente, ou uma mulher barbada, de tão solitária que é a tarefa. Mas se você enfrentar o globo da morte dessa missão suicida, e ainda fizer a mágica de sobreviver emocionalmente a tudo isso, o máximo que conseguirá é recolher a lona e ser um palhaço, porque ela nunca admitirá que você deu um grande espetáculo.

Máximas roderiquianas (43): Pior que ser julgado como uma má opção, é não ter explicações para ser tido como uma boa opção e, ainda assim, não servir.

Máximas roderiquianas (44): De tanto perseguirmos a felicidade que teima em se esconder, chegamos ao ponto equivocado de achar que nós é que fugimos dela.

Máximas roderiquianas (45): Ir em busca das raízes não é simplesmente revitalizar o tronco esquálido, as folhas amareladas ou os frutos mortos em flor. É ter a vontade de descer ao mais profundo âmago, procurando forças pra estar vivo. Para se chegar ao sol, há que se fincar os pés no chão.

Máximas roderiquianas (46): Estabelecer limites de desejo é mais complicado que mantê-los.

Máximas roderiquianas (47): É detestável quando uma pessoa, omissivamente, faz de sua covardia uma justificativa para não tentar ser feliz. Porque ela não está mais privando apenas a si, apenas, dessa possibilidade. Mas ao outro, também. Quebre a cara, mas assuma o risco de ser digno o bastante para se permitir e ao próximo a rara chance da realização. É preferível sofrer a impedir os outros de tentarem ser felizes. Só depois do eventual fracasso você deve procurar o abrigo infame de seus temores. E até a tentativa seguinte, somente.

Máximas roderiquianas (48): Tenho a nítida sensação de que acordar com um despertador corresponde a uma vida ser arrancada a parto fórceps do seu limbo, para o nascimento.

Máximas roderiquianas (49): Aviso aos que gostam de inofensivos joguinhos de sedução: entrar na vida dos outros é mais fácil do que sair sem deixar rastros.

Máximas roderiquianas (50): Almas radiantes não reluzem em corações de pedra.

Máximas roderiquianas (51): Aprende a ler nas entrelinhas. Quando alguém te disser “Não fiques assim, tudo vai passar”, na verdade o que está sendo dito é: “Prepara-te adequadamente, pois a tendência é piorar sempre; fica forte, pois ainda não sofrestes tudo o que há por chorar”.

Máximas roderiquianas (52): Que me perdoem os detentores do saber saudável, os psicólogos de araque, os esperançosos analistas da dor alheia, os temporários gurus da espiritualidade de autoajuda: mas certas dores só o álcool e o fumo podem amenizar.

Máximas roderiquianas (53): Depois de certo tempo, não contamos mais a passagem das primaveras, mas ansiamos para que os outonos sejam complacentes e não nos tirem folhas demais. Já somos secos o suficiente por dentro...

Máximas roderiquianas (54): Deveríamos ser capazes de escolher se os alicerces sólidos de uma relação bem construída formariam uma bela casa de amizade ou um esplendoroso templo de amor.

Máximas roderiquianas (55): O xadrez realmente é o jogo da sociedade. As mulheres são poderosas, velozes e dominadoras. Os homens são importantes, procurados, mas lentos e encurralados, ao final. Os irracionais passam por cima dos outros, sem escrúpulos, não importa para qual direção pulem. Pessoas firmes e sólidas são retilíneas, embora possam recuar. A Igreja sai pela tangente, E os mais fracos são lentos, e só conseguem ascensão social se saírem de sua rota ou se transformarem radicalmente numa criatura poderosa. E é de praxe que, para vencer, infelizmente, você tem de devorar quem está em seu espaço.

Máximas roderiquianas (56): Entre a hipocrisia da mentira e a omissão do silêncio há um insignificante vácuo da infernal boa intenção. Não cales. Fala. Antes a pedrada certeira das palavras verdadeiras à carícia nefasta do elogio vazio ou à inércia cômoda da neutralidade. A verdade é boa, a mentira é vil e o silêncio é egoísta.

Máximas roderiquianas (57): Um dos maiores dramas de se morar só é não ter alguém para lhe coçar as costas.

Máximas roderiquianas (58): Se Deus me desse um pouco mais do que o que eu tenho, e um pouco menos do que eu julgo merecer, isso não seria uma interseção, mas uma redenção.

Máximas roderiquianas (59): O inferno é gradativo; o purgatório, partitivo; o paraíso, proibitivo.

Máximas roderiquianas (60): Para desejos e sonhos Neonatos ou Renatos, que deveriam ser Nonatos, só há uma solução: Assassinato.
(Só os malucos, como eu, entenderão – ou os que se agradam de uma brincadeira morfológica)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

E as máximas roderiquianas continuam...

Máximas roderiquianas (31): Apogeu e queda dos relacionamentos em 3 coordenadas: A paixão seduz, o amor relaxa, o ódio goza.

Máximas roderiquianas (32): Existem dois tipos de silêncio: o dos sábios, que refletem e assimilam; ou o dos medrosos, que omitem e transferem responsabilidades. O que os separa é tão somente o tempo gasto até a expressão da ideia.

Máximas roderiquianas (33): A esperança é uma praga infame que o demônio coloca no coração do homem com a única finalidade de aumentar a nossa frustração (e suas gargalhadas), quando o inevitável fracasso se apresenta.

Máximas roderiquianas (34): Sobre histórias de amor frustradas: conviver às vezes é ruim, reviver normalmente é péssimo; sobreviver sempre é bom.

Máximas roderiquianas (35): O que fazer com um coração que virou pedra, de tão sofrido e embrutecido pelas frustrações? Ora, só temos duas coisas a fazer com uma pedra: jogá-la em alguém e machucar o outro, ou fazê-la juntar-se a outra pedra e construir algo novo.


Máximas roderiquianas (36): Sobre a busca por alguém que nos apaixone, é tudo uma questão de Educação (nem sempre Física): ao dizer que os opostos se atraem, a Física errou; melhor fez a Matemática que diz que negativo com negativo gera o positivo. Nos extremos geográficos do planeta, os polos são opostos, e entre eles há toda a Química dos seres em biológica existência.
Sim, temos de encontrar alguém parecido conosco, com Arte e em qualquer Língua. O resto é História. E como qualquer história, a redação às vezes é boa, às vezes ruim.

Máximas roderiquianas (37): A paciência é a nobre arte de conformar-se em ser o último a usufruir das coisas boas da vida. Caso não se morra antes, claro.


Máximas roderiquianas (38): Agora entendi! É tudo uma questão de mitologia: doenças sexuais - ou do amor- são venéreas (Vênus); trabalhos difíceis são hercúleos (Hércules); coisas tentadoras são afrodisíacas (Afrodite); festas orgíacas são bacanais (Baco); pessoas tediosas são morféticas (Morfeu). Pois há mulheres tantálicas: quando você pensa que pode chegar perto delas, elas te levam ao suplício.


Máximas roderiquianas (39): Queres que o gramado floresça? Arranca as ervas daninhas, pela raiz. Se nada florescer, culparás o clima. Queres vencer ao temor? Inibe-o ao nascer. Se ele ainda persistir, atribuirás tal fato a teus traumas. Queres ser feliz? Mata a esperança, ao nascer. Se nada acontecer, nada terás esperado. Aquele que sonha padece do mal da decepção. Não chorarás, se não sorrires com qualquer expectativa.


Máximas roderiquianas (40) Deus fez o mundo em sete dias. Brás Cubas o refez em 6. Eu desfiz o meu ao nascer.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Máximas roderiquianas (11) Você não quer correr riscos de criar expectativas e vê-las desaparecer? Ou teme sentir-se culpado por tentar fazê-las sumir? Aprenda com a natureza. Faça a poda da árvore das esperanças. Ela para de dar frutos, mas suas raízes permanecem. Quem sabe, um dia, eles voltem.


Máximas roderiquianas (12): No Dia de Finados, minhas vivas lembranças aos que findaram.


Máximas roderiquianas (13): Os ditados populares e o silogismo aristotélico: "A preguiça é a mãe de todos os vícios" e "Quem espera sempre alcança". Então... A preguiça é a avó de suas realizações futuras??!!???!


Máximas roderiquianas (14) Ser só é bom; estar só, nem tanto. O mesmo se aplica se invertermos os verbos.


Máximas roderiquianas (15) Se um parente te vira as costas, tu ficas mal. Se um amor te vira as costas, tu ficas doente. Se um amigo te vira as costas, tu entras em coma existencial.



Máximas roderiquianas (17): Se passas a vida a criar ovelhas, não espera bondade dos predadores, nem mesmo dos domésticos.


Máximas roderiquianas (18): O tempo passa, voa, mas no fundo somos crianças sonhadoras que tomam eletrochoque de realidade todos os dias, para lembrarmos que nosso "mestre" Peter Deus Pan mora na Terra do Nunca, e nós na Terra do Quase.


Máximas roderiquianas (19): Só há uma atitude pior do que alguém julgar os outros pelo que não sabe; é querer consertar o que não sabe.


Máximas roderiquianas (20) Ainda bem que a esperança é como vento: surge como uma brisa, vira uma ventania, então vem a realidade e o abafa, antes que vire furacão, passe e deixe apenas o rastro de destruição.